domingo, 31 de janeiro de 2010

E a corrupção se espalha no Centro Oeste: depois de Arruda e sua máfia, agora é a vez do senador tucano Marconi Perillo, ex governador de Goiás.



29/1/2010

Gravação da Polícia Federal indica compra de apoio político por Perillo


Confira abaixo a íntegra de uma reportagem do jornal O Estado de S. Paulo desta semana sobre um esquema de compra de votos liderado por Marconi Perillo e com anapolinos envolvidos: o senador tucano afirma que conversas se referem a doações legais

Marconi Perillo, senador, na mira da Polícia Federal e do STF


Gravações inéditas em poder do Supremo Tribunal Federal (STF) indicam que o vice-presidente do Senado, Marconi Perillo (PSDB-GO), montou esquema de compra de apoio político para garantir sua eleição, em 2006. Os diálogos, aos quais o Estado teve acesso, foram gravados pela Polícia Federal com autorização da Justiça. Perillo, que antes da campanha havia deixado o cargo de governador de Goiás, é alvo de inquérito no STF para apurar suposto caixa 2 e suspeitas de uso da máquina pública durante a eleição.

Nos relatórios, investigadores afirmam que os diálogos “demonstram a movimentação do alvo (Perillo) para obter dinheiro, visando o pagamento de dívidas de campanha e compra de apoio político”. A lista dos que teriam garantido apoio ao tucano em troca de dinheiro inclui vereadores e deputados federais e estaduais de Goiás.

As conversas sobre pendências financeiras prosseguiram após a eleição. De acordo com a investigação, o senador teve de recorrer a empréstimos para cumprir as promessas. Passado o pleito, telefonemas para cobrar pagamentos eram frequentes. Num deles, Francisco Sobrinho de Oliveira, que perdera a disputa por uma cadeira de deputado federal pelo PSDB, reclama dizendo que estava endividado.

“O “trem” seu todo dá uns quatrocentos?”, pergunta Perillo, segundo o relatório. Oliveira responde que suas dívidas já somavam R$ 750 mil. Perillo, então, diz que tem uma pessoa que vai “arrumar” parte do dinheiro. Em outra ligação, o senador diz ter conseguido R$ 100 mil emprestados, e avisa que não poderia dar mais porque precisava cumprir promessas feitas a outros políticos: “Eu posso ajudar mais se você arrumar quem queira ajudar.”

Ao ex-deputado Nédio Leite, que também lhe telefonara cobrando valores prometidos na campanha, Perillo garante que tentaria “resolver a totalidade ao invés de ser só aquela parte”. Ele pergunta se Nédio Leite, à época no PP, não sabia de alguém que pudesse lhe emprestar dinheiro e diz que poderia dar um cheque como garantia.

As cobranças se estendiam ao tesoureiro da campanha de Perillo, Lúcio Fiúza. Num telefonema, de acordo com o relatório da PF, o então deputado federal Pedro Canedo (PP), candidato à reeleição, cobra de Lúcio um “caminhão de arroz” . Em outro, Canedo reclama do atraso no pagamento e diz que o próprio Marconi lhe havia dito que “ontem ou hoje ia me passar”.

O então presidente da União de Vereadores de Goiás, Wolmer Tadeu Arraes, também ligou para cobrar. Usando o telefone do comitê de Perillo, o tesoureiro Fiúza fala com um pastor evangélico, identificado como César. Diz que precisava marcar encontro para “encomendar umas orações”. Em seguida, deixa de falar em código. “Metade agora e metade na outra semana”, afirma o tesoureiro ao pastor.

O senador foi gravado em conversas com juízes pedindo favores e recebendo pedidos. Uma juíza pede que Perillo interceda para evitar a transferência do marido, funcionário do governo. Em outro diálogo, é Perillo quem repassa a uma desembargadora pedido que recebera de uma prefeita.


Pedro canedo, o anapolino envolvido, não foi encontrado pela reportagem


A investigação detalha o que a PF classificou como uso da máquina pública na campanha. Assessores reservam aviões e helicópteros do governo para viagens de Perillo pelo interior goiano. Há registro, ainda, de voos para buscar Perillo em Búzios e Cabo Frio (RJ). As viagens eram tão frequentes que Perillo diz que pararia de usar aeronaves do Estado: “Podem usar isso no futuro.” A PF também acusa o tucano de utilizar policiais militares, pagos pelo Estado, para fazer sua segurança pessoal. As gravações foram autorizadas por uma juíza do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Goiás e, depois, pela ministra Ellen Gracie, do STF.

Outro lado

Ao Estado, Perillo disse ter resposta para todas as suspeitas lançadas pela PF e chanceladas pela Procuradoria Geral da República, que já ajuizou denúncia contra ele no STF. “Minha defesa está 95% pronta e no momento apropriado a apresentaremos”, afirmou. O senador diz que as conversas com políticos sobre dinheiro referem-se a doações legais. “Pedi a empresas doações para vários candidatos, algumas viabilizaram, outras não, e por isso que eles ligavam cobrando”. Ele nega o uso da máquina. “Se usei aviões do Estado depois que deixei o governo, foi a convite do governador.”

O ex-deputado Nédio Leite, nega ter vendido apoio político a Perillo em 2006 e diz não lembrar de conversas sobre dinheiro com o senador. “Tenho muita afinidade com ele”, afirmou. Wolmer Arraes e Francisco Sobrinho não foram localizados. O ex-deputado Pedro Canedo, hoje presidente da estatal Indústria Química de Goiás (Iquego), não deu retorno ao contato.

VESTIBULAR para INDÍGENAS na UFMG


Prezados
 depois de muita luta e persistência, saiu o edital do primeiro vestibular para indígenas nos cursos regulares da UFMG. Pedimos a colaboração de todos na divulgação, pois temos pouco tempo para fazer
  chegar a informação aos interessados.
 Um abraço,
 Ana Maria R. Gomes
 Faculdade de Educação
 Universidade Federal de Minas Gerais
 Belo Horizonte - Brasil
 Tel. +55-31-34096183
  Tel. +55-31-99570647

PARA AMPLA DIVULGAÇÃO:
 O edital do Vestibular para Indigenas na UFMG, para 2010 está aprovado e pedimos que seja amplamente divulgado. A UFMG assinou convênio com a FUNAI e com a SECAD para garantir os recursos necessários para bolsas e outras despesas dos cursos.
 São 12 vagas, duas em cada um dos seguintes cursos: Medicina, Odontologia, Enfermagem, Ciências Biológicas, Ciências Sociais, Agronomia.
  Atenção para os prazos e documentos exigidos:
  INSCRIÇÕES: 21 de janeiro a 09 de fevereiro de 2010 -
no site da UFMG/ COPEVE (Comissão Permanente de Vestibular), www.ufmg.br/copeve.
  Não haverá taxa de inscrição.  Deve ser preparada também documentação a ser enviada pelo correio.
 PROVAS: 07 de março de 2010, em Belo Horizonte, Campus da UFMG na Pampulha.

 INFORMAÇÕES:
  Secretaria do FIEI (Formação Intercultural de Educadores Indígenas)
 Tel: 31- 3409-6371
 Tel: 31- 3409-6368

  Rafael Barbi -- Antropologia - FAFICH - UFMG

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Deputados ficha suja no Congresso Nacional



COM O PROPÓSITO DE INICIARMOS A MUDANÇA QUE ALMEJAMOS AO NOSSO PAÍS, SEGUE A LISTA DOS POLÍTICOS "FICHA-SUJA" DO CONGRESSO NACIONAL.

1- ABELARDO LUPION Deputado DEM-PR Sonegação Fiscal
2 -ADEMIR PRATES Deputado PDT-MG Falsidade Ideológica
3 -AELTON FREITAS Senador PL-MG Crime de Responsabilidade e Estelionato
4 -AIRTON ROVEDA Deputado PPS-PR Peculato
5 -ALBÉRICO FILHO Deputado PMDB-MA Apropriação Indébita
6 -ALCESTE ALMEIDA Deputado PTB-RR Peculato e Formação de Quadrilha, Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
7 -ALEX CANZIANI Deputado PTB-PR Peculato
8 -ALMEIDA DE JESUS Deputado PL-CE Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
9 -ALMIR MOURA Deputado PFL-RJ Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
10 -AMAURI GASQUES Deputado PL-SP Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
11 -ANDRÉ ZACHAROW Deputado PMDB-PR Improbidade Administrativa
12 -ANÍBAL GOMES Deputado PMDB-CE Improbidade Administrativa
13 -ANTERO PAES DE BARROS Senador PSDB-MT Improbidade Administrativa e Formação de Quadrilha
14 -ANTÔNIO CARLOS PANNUNZIO Deputado PSDB-SP Crime de Responsabilidade
15- ANTÔNIO JOAQUIM Deputado PSDB-MA Improbidade Administrativa
16 -BENEDITO DE LIRA Deputado PP-AL Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
17- BENEDITO DIAS Deputado PP-AP Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
18 -BENJAMIN MARANHÃO Deputado PMDB-PB Crime Eleitoral
19 -BISPO WANDERVAL Deputado PL-SP Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
20 -CABO JÚLIO (JÚLIO CÉSAR GOMES DOS SANTOS) Deputado PMDB-MG Crime Militar, Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
21 -CARLOS ALBERTO LERÉIA Deputado PSDB-GO Lesão Corporal
22 -CELSO RUSSOMANNO Deputado PP-SP Crime Eleitoral, Peculato e Agressão
23 -CHICO DA PRINCESA (FRANCISCO OCTÁVIO BECKERT) Deputado PL-PR Crime Eleitoral
24 -CIRO NOGUEIRA Deputado PP-PI Crime Contra a Ordem Tributária e Prevaricação
25 -CLEONÂNCIO FONSECA Deputado PP-SE Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
26- CLÓVIS FECURY Deputado PFL-MA Crime Contra a Ordem Tributária
27 -CORIALANO SALES Deputado DEM-BA Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
28 -DARCÍSIO PERONDI Deputado PMDB-RS Improbidade Administrativa
29 -DAVI ALCOLUMBRE Deputado DEM-AP Corrupção Ativa
30- DILCEU SPERAFICO Deputado PP-PR Apropriação Indébita
31 -DOUTOR HELENO Deputado PSC-RJ Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
32 -EDSON ANDRINO Deputado PMDB-SC Crime de Responsabilidade
33 -EDUARDO AZEREDO Senador PSDB-MG Improbidade Administrativa
34 -EDUARDO GOMES Deputado PSDB-TO Crime Eleitoral, Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
35 -EDUARDO SEABRA Deputado PTB-AP Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
36 -ELIMAR MÁXIMO DAMASCENO Deputado PRONA-SP Falsidade Ideológica
37 -EDIR DE OLIVEIRA Deputado PTB-RS Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
38- EDNA MACEDO Deputado PTB-SP Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
39- ELAINE COSTA Deputada PTB-RJ Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
40 -ELISEU PADILHA Deputado PMDB-RS Corrupção Passiva
41- ENIVALDO RIBEIRO Deputado PP-PB Crime Contra a Ordem Tributária, Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
42 -ÉRICO RIBEIRO Deputado PP-RS Crime Contra a Ordem Tributária e Apropriação Indébita
43 -FERNANDO ESTIMA Deputado PPS-SP Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
44 - FERNANDO GONÇALVES Deputado PTB-RJ Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
45 -GARIBALDI ALVES Senador PMDB-RN Crime Eleitoral
46 -GIACOBO (FERNANDO LUCIO GIACOBO) Deputado PL-PR Crime Contra a Ordem Tributária e Seqüestro
47 -GONZAGA PATRIOTA Deputado PSDB-PE Apropriação Indébita
48 -GUILHERME MENEZES Deputado PT-BA Improbidade Administrativa
49 -INALDO LEITÃO Deputado PL-PB Crime Contra o Patrimônio, Declaração Falsa de Imposto de Renda
50 -INOCÊNCIO DE OLIVEIRA Deputado PMDB-PE Crime de Escravidão
51- IRAPUAN TEIXEIRA Deputado PP-SP Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
52 -IRIS SIMÕES Deputado PTB-PR Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
53- ITAMAR SERPA Deputado PSDB-RJ Crime Contra o Consumidor, Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
54 -ISAÍAS SILVESTRE Deputado PSB-MG Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
55 -JACKSON BARRETO Deputado PTB-SE Peculato e Improbidade Administrativa
56 -JADER BARBALHO Deputado PMDB-PA Improbidade Administrativa, Peculato, Crime Contra o Sistema Financeiro e Lavagem de Dinheiro
57- JAIME MARTINS Deputado PL-MG Crime Eleitoral
58 -JEFERSON CAMPOS Deputado PTB-SP Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
59- JOÃO BATISTA Deputado PP-SP Falsidade Ideológica, Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
60 - JOÃO CALDAS Deputado PL-AL Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
61 -JOÃO CORREIA Deputado PMDB-AC Declaração Falsa de Imposto de Renda, Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
62 -JOÃO HERRMANN NETO Deputado PDT-SP Apropriação Indébita
63 -JOÃO MAGNO Deputado PT-MG Lavagem de Dinheiro
64 -JOÃO MENDES DE JESUS Deputado PSB-RJ Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
65 -JOÃO PAULO CUNHA Deputado PT-SP Corrupção Passiva, Lavagem de Dinheiro e Peculato
66 -JOÃO RIBEIRO Senador PL-TO Peculato e Crime de Escravidão
67 -JORGE PINHEIRO Deputado PL-DF Crime Ambiental
68 -JOSÉ DIVINO Deputado PRB-RJ Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
69 -JOSÉ JANENE Deputado PP-PR Estelionato, Improbidade Administrativa, Lavagem de Dinheiro, Corrupção Passiva, Formação de Quadrilha, Apropriação Indébita e Crime Eleitoral
70 -JOSÉ LINHARES Deputado PP-CE Improbidade Administrativa
71 -JOSÉ MENTOR Deputado PT-SP Corrupção Passiva
72 -JOSÉ MILITÃO Deputado PTB-MG Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
73 -JOSÉ PRIANTE Deputado PMDB-PA Crime Contra o Sistema Financeiro
74 -JOVAIR ARANTES Deputado PTB-GO Improbidade Administrativa
75 -JOVINO CÂNDIDO Deputado PV-SP Improbidade Administrativa
76 -JÚLIO CÉSAR Deputado DEM-PI Peculato, Formação de Quadrilha, Lavagem de Dinheiro e Falsidade Ideológica
77 -JÚLIO LOPES Deputado PP-RJ Falsidade Ideológica
78 -JÚNIOR BETÃO Deputado PL-AC Declaração Falsa de Imposto de Renda, Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
79 -JUVÊNCIO DA FONSECA Deputado PSDB-MS Improbidade Administrativa
80 -LAURA CARNEIRO Deputada DEM-RJ Improbidade Administrativa e Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
81 -LEONEL PAVAN Senador PSDB-SC Contratação de Serviços Públicos Sem Licitação e Concussão
82 -LIDEU ARAÚJO Deputado PP-SP Crime Eleitoral
83 -LINO ROSSI Deputado PP-MT Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
84 -LÚCIA VÂNIA Senadora PSDB-GO Peculato
85 -LUIZ ANTÔNIO FLEURY Deputado PTB-SP Improbidade Administrativa
86 -LUPÉRCIO RAMOS Deputado PMDB-AM Crime de Aborto
87 -MÃO SANTA Senador PMDB-PI Improbidade Administrativa
88 -MARCELINO FRAGA Deputado PMDB-ES Crime Eleitoral, Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
89 -MARCELO CRIVELA Senador PRB-RJ Crime Contra o Sistema Financeiro e Falsidade Ideológica
90 -MARCELO TEIXEIRA Deputado PSDB-CE Sonegação Fiscal
91 -MÁRCIO REINALDO MOREIRA Deputado PP-MG Crime Ambiental
92 -MARCOS ABRAMO Deputado PP-SP Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
93 -MÁRIO NEGROMONTE Deputado PP-BA Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
94 -MAURÍCIO RABELO Deputado PL-TO Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
95 -NÉLIO DIAS Deputado PP-RN Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
96 -NELSON BORNIER Deputado PMDB-RJ Improbidade Administrativa
97 -NEUTON LIMA Deputado PTB-SP Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
98 -NEY SUASSUNA Senador PMDB-PB Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
99 -NILTON CAPIXABA Deputado PTB-RO Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
100 -OSMÂNIO PEREIRA Deputado PTB-MG Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
101 -OSVALDO REIS Deputado PMDB-TO Apropriação Indébita
102 -PASTOR AMARILDO Deputado PSC-TO Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
103 -PAULO AFONSO Deputado PMDB-SC Peculato, Crime Contra o Sistema Financeiro e Improbidade Administrativa
104 -PAULO BALTAZAR Deputado PSB-RJ Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
105 -PAULO FEIJÓ Deputado PSDB-RJ Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
106 -PAULO JOSÉ GOUVEIA Deputado PL-RS Porte Ilegal de Arma
107 -PAULO LIMA Deputado PMDB-SP Extorsão e Sonegação Fiscal
108 -PAULO MAGALHÃES Deputado DEM-BA Lesão Corporal
109 -PEDRO HENRY Deputado PP-MT Formação de Quadrilha, Lavagem de Dinheiro e Corrupção Passiva, Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
110 -PROFESSOR IRAPUAN Deputado PP-SP Crime Eleitoral
111 -PROFESSOR LUIZINHO Deputado PT-SP Lavagem de Dinheiro
112 -RAIMUNDO SANTOS Deputado PL-PA Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
113 -REGINALDO GERMANO Deputado PP-BA Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
114 -REINALDO BETÃO Deputado PL-RJ Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
115 -REINALDO GRIPP Deputado PL-RJ Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
116 -REMI TRINTA Deputado PL-MA Estelionato e Crime Ambiental
117 -RIBAMAR ALVES Deputado PSB-MA Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
118 -RICARDO BARROS Deputado PP-PR Sonegação Fiscal
119 -RICARTE DE FREITAS Deputado PTB-MT Improbidade Administrativa e Formação de Quadrilha, Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
120 -RODOLFO TOURINHO Senador PFL-BA Gestão Fraudulenta de Instituição Financeira
121 -ROMERO JUCÁ Senador PMDB-RR Improbidade Administrativa
122 -ROMEU QUEIROZ Deputado PTB-MG Corrupção Ativa, Corrupção Passiva e Lavagem de Dinheiro
123 -RONALDO DIMAS Deputado PSDB-TO Crime Eleitoral
124 -SANDRO MABEL Deputado PL-GO Crime Contra a Ordem Tributária
125 -SUELY CAMPOS Deputada PP-RR Crime Eleitoral
126 -TATICO (JOSÉ FUSCALDI CESÍLIO) Deputado PTB-DF Crime Contra a Ordem Tributária, Declaração Falsa de Imposto de Renda e Sonegação Fiscal
127 -TETÉ BEZERRA Deputado PMDB-MT Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
128 -THELMA DE OLIVEIRA Deputada PSDB-MT Improbidade Administrativa e Formação de Quadrilha
129 -VADÃO GOMES Deputado PP-SP Improbidade Administrativa e Crime Contra a Ordem Tributária
130 -VALDIR RAUPP Senador PMDB-RO Peculato, Uso de Documento Falso, Crime Contra o Sistema Financeiro, Crime Eleitoral e Gestão Fraudulenta de Instituição Financeira
131 -VALMIR AMARAL Senador PTB-DF Apropriação Indébita
132 -VANDERLEI ASSIS Deputado PP-SP Crime Eleitoral, Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
133 -VIEIRA REIS Deputado PRB-RJ Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
134 -VITTORIO MEDIOLI Deputado PV-MG Sonegação Fiscal
135 -WANDERVAL SANTOS Deputada PL-SP Corrupção Passiva
136 -WELLINGTON FAGUNDES Deputada PL-MT Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias) 137 -ZÉ GERARDO Deputado PMDB-CE Crime de Responsabilidade
138 -ZELINDA NOVAES Deputada DEM-BA Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
139 -Ângela Guadagnin Deputada PT-SP Dançarina do Plenário da Câmara, comemorando absolvição de corrupto
140 -Antônio Palocci Ex-Ministro PT-SP Quebra de Sigilo Bancário
141 -Carlos Rodrigues Ex-Deputado PL-RJ Bispo Rodrigues
142 -Delúbio Soares Tesoureiro PT-GO Ex Tesoureiro do PT
143 -José Dirceu Ex-Deputado PT-SP Mensalão
144 -José Genoíno Ex-Deputado PT-SP Mensalão, Dólares na Cueca
145 -José Nobre Guimarães DeputadoEst. PT-CE Dólares na Cueca (Agora Candidato a Dep. Federal)
146 -Josias Gomes Deputado PT-BA Mensalão, CPI dos Correios
147 -Luiz Gushiken Ex-Ministro PT-SP CPI dos Correios
148 -Paulo Salim Maluf Ex PPB-SP Corrupção, Falcatruas, Improbidade Administrativa, Desvio de Dinheiro Público, Lavagem de dinheiro
149 -Paulo Pimenta Deputado PT-RS Compra de Votos, Mensalão, CPI Correios
150 -Pedro Corrêa Ex-Deputado PP-PE Cassado em associação ao Escândalo do Mensalão, Compra de Votos
151 -Roberto Brant Deputado PFL-MG Crime Eleitoral, Mensalão, CPI Correios
152 -Roberto Jefferson Ex-Deputado PTB-RJ Mensalão
153 -Severino Cavalcanti Ex-Deputado PP-PE Escândalo do Mensalinho (Renuncio para evitar a cassação)
154 - Silvio Pereira SecretárioPT PT Mensalão
155 -Valdemar Costa Neto Exc-Deputado PL-SP Mensalão (renunciou para evitar a cassação)

Isabel de Jesus Santos
Engenheira Agrônoma
(75)9115-5664
Incuba-UFRB

domingo, 24 de janeiro de 2010

Um país acorrentado



Por que o jornalista brasileiro ainda hoje se surpreende quando a comunidade internacional suspeita da “ajuda” de Washington ao Haiti? Generosa ajuda de quase 20 mil homens, com equipamentos bélicos pesados. Dez vezes maior que a atual força internacional da ONU comandada pelo Brasil. Grandes helicópteros a pousar emblematicamente nos jardins do palácio presidencial haitiano.


Ingenuidade? Ignorância? Melhor apostar em submissão cultural do eterno colonizado. Ou o jornalista não tem a obrigação de saber do que houve na Coréia, no Vietnã, no Iraque, no Paquistão, no Afeganistão? E, antes, e bem antes, no próprio Haiti? E o porquê do país ser o mais pobre do planeta?

É Eduardo Galeano, profundo conhecedor das veias ainda abertas na América Latina, quem reaviva nossa memória. (http://resistir.info/galeano/haiti_18jan10.html). (*)

ANTES. “A democracia haitiana nasceu há um instante. No seu breve tempo de vida, esta criatura faminta e doentia não recebeu senão bofetadas. Era uma recém-nascida, nos dias de festa de 1991, quando foi assassinada pela quartelada do general Raoul Cedras. Três anos mais tarde, ressuscitou. Depois de haver posto e retirado tantos ditadores militares, os Estados Unidos retiraram e puseram o presidente Jean-Bertrand Aristide, que havia sido o primeiro governante eleito por voto popular em toda a história do Haiti e que tivera a louca ideia de querer um país menos injusto”.
(...) “Aristide regressou acorrentado. Deram-lhe permissão para recuperar o governo, mas proibiram-lhe o poder”. (...) “...cada vez que Préval (substituto de Aristide), ou algum dos seus ministros, pede créditos internacionais para dar pão aos famintos, letras aos analfabetos ou terra aos camponeses, não recebe resposta, ou respondem ordenando-lhe: – Recite a lição”. A lição: “é preciso desmantelar os poucos serviços públicos que restam, últimos pobres amparos para um dos povos mais desamparados do mundo”. (...)
“Os Estados Unidos invadiram o Haiti em 1915 e governaram o país até 1934. Retiraram-se quando conseguiram os seus dois objetivos: cobrar as dívidas do City Bank e abolir o artigo constitucional que proibia vender plantações aos estrangeiros. (Deixaram-lhe sucessivos ditadores fieis a Washington). Então Robert Lansing, secretário de Estado, justificou a longa e feroz ocupação militar explicando que a raça negra é incapaz de governar-se a si própria, que tem "uma tendência inerente à vida selvagem e uma incapacidade física de civilização". (...)

BEM ANTES. “Em 1803 os negros do Haiti deram uma tremenda surra nas tropas de Napoleão Bonaparte e a Europa jamais perdoou esta humilhação infligida à raça branca. O Haiti foi o primeiro país livre das Américas. Os Estados Unidos haviam conquistado antes a sua independência, mas tinha meio milhão de escravos a trabalhar nas plantações de algodão e de tabaco. Jefferson, que era dono de escravos, dizia que todos os homens são iguais, mas também dizia que os negros foram, são e serão inferiores”.“A bandeira dos homens livres levantou-se sobre as ruínas. A terra haitiana fora devastada pela monocultura do açúcar e arrasada pelas calamidades da guerra contra a França, e um terço da população havia caído no combate. Então começou o bloqueio. A nação recém nascida foi condenada à solidão. Ninguém lhe comprava, ninguém lhe vendia, ninguém a reconhecia”.
Hoje, o Haiti entra para o rol dos países em reconstrução, mais uma mina de ouro a ser entregue aos donos do capital, a exemplo da ex-Iugoslávia, do Iraque, do Paquistão, do Afeganistão. Funciona mais ou menos assim: 1. As tropas invadem o país e destroem toda sua infra-estrutura (melhor se a infra-estrutura já estiver destruída, como no caso do Haiti). 2. O FMI (leia-se Washington) garante o empréstimo de centenas de milhões de dólares. 3. As tropas de ocupação garantem as instalações das empresas dos EUA que participarão da reconstrução e da recondução dos dólares ao seu país. Fica a dívida. 4. As tropas de ocupação deixarão o país quando a dívida for paga: nunca.

O jornalista brasileiro deveria saber um pouco mais. Ou sabe de tudo?

( * ) Em Boletim H S Liberal

Fórum Social Mundial



Prorrogadas para dia 25 as inscrições para o Fórum Social Mundial Temático da Bahia


Foram prorrogadas para a próxima segunda-feira (25) as inscrições para a edição do Fórum Social Mundial Temático da Bahia (FSMT-BA), que acontece de 29 a 31 deste mês. Em 2010, o Fórum Social Mundial acontece de forma descentralizada, em vários países. No Brasil, a décima edição do FSM começa, em janeiro, na Grande Porto Alegre (RS), de 25 a 29.

Confira abaixo a programação do evento.

PROGRAMAÇÃO CENTRAL DO FÓRUM SOCIAL MUNDIAL TEMÁTICO DA BAHIA

Dia 29/01 das 8h às 12h:

Local:- Hotel da Bahia – Salão Atlântico

(I) “Sul – Sul como alternativa” (Crise &Oportunidades)

Jorge Beinstein; Julio Lopez Gallardo; Neide Patarra; Samir Amin; Carlos Lopes; Paul Singer; Moderador: José Carlos dos Santos (IPEA).
Local:- Hotel Sol Victória Marina

(II) “Mulher: Crise econômica e emancipação”

Alice Portugal (BA); Lídice da Mata (BA); Marta Rodrigues (BA); Olivia Santana (BA); Luizlinda Valois (BA); Deise Benedito (SP); Terezinha Gonçalves (BA).
Local:- Teatro Castro Alves

(III) “Reforma Agrária, Agricultura familiar e Soberania Alimentar”

João Paulo Rodrigues (SP) (confirmado); Elisângela dos Santos Araújo (BA); Ubiramar Bispo de Souza (BA)
Local:- Ginásio do Campus da Federação Católica

(IV) “Educação e desenvolvimento”

1) José Carlos Almeida da Silva (BA); Osvaldo Barreto (BA)
Dia 29/01 das 14h às 18h:
Local:- Hotel da Bahia – Salão 2 de Julho.

Evento especial do grupo C&O e convidados. Mesa Redonda: Crise e Oportunidades.
Local:- Hotel da Bahia – Salão Atlântico.

(I) “Racismo e institucionalidade”

Edivaldo Brito (BA); Fatou Sow Sarr (Senegal); Luiza Barros (BA).
Local:- Hotel Sol Victória Marina

(II) “Mídia e Democracia”

Bernard Cassen (França); Renato Rovai (SP).
Local:- Hotel Sol Barra

(III) “Direitos Humanos no século XXI e as questões dos desaparecidos políticos”

Diva Santana (Brasil) e convidados internacionais a confirmar
Local:- Teatro Castro Alves

(IV) “Mudanças Climáticas pós-Copenhagen e Soberania Energética”
Rubens Born (SP); Nicola Boulard (POA) (Tailândia); Christophe Ventura (França); João Antonio de Moraes (RJ).
Dia 29/01 das 19h às 23h

Local:- Teatro Castro Alves (evento oficial de abertura do FSMT-BA)

CONFERÊNCIA: Susan George (C&O). Será apresentada por representante do Crise e Oportunidades e a mesa será coordenada por representante do Comitê Organizador do FSMT – Bahia.



Dia 30/01 das 8h às 12h:



Local:- Hotel da Bahia – Salão Atlântico

“Convergência das crises” (C&O)

Hazel Henderson (Teleconferência); Peter Wahl; Alfredo Manevy; Roberto Espinoza; Moderador: Caio Magri.

Local:- Hotel Sol Victória Marina

(II) Descolonização do pensamento na América Latina e África.

Epsy Campel Barr (Costa Rica); Kabengele Munanga (SP); Madiagne Diallo (RJ); Taoufik Ben Abdallah (Senegal/POA); Samba Buri MBOUP (África do Sul); Vanderlino Lima (BA); Thainah Pereira.
Local:- a confirmar



(III) “Crise e Trabalho”

Artur Henrique S. Santos (SP/C&O); Wagner Gomes (SP); Nilton Vasconcelos (BA).
Local:- Hotel Sol Barra

IV) “Governança e Paz Mundial”

Socorro Gomes (RJ); Immanuel Wallerstein (EUA/POA)
Local:- a confirmar

Fim da manhã: Homenagem especial aos 50 anos da Revolução Cubana.



Dia 30/01 - das 14h às 16h
Local:- Hotel Blue Tree – Salão Coral I e II

Evento especial de integrantes do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social:

- “O desenvolvimento é necessariamente um processo de concertação”

Participantes:- Ministro de Estado Chefe da Secretaria de Relações Institucionais.

– Alexandre Padilha, Conselheiros Artur Henrique da Silva Santos, Murillo de Aragão (a confirmar) e Tânia Bacelar e Professor Ladislau Dowbor.
Das 16h ás 20h
Local:- Hotel Pestana

DIÁLOGOS E CONTROVÉRSIAS ENTRE ATORES SOCIAIS E CHEFES DE ESTADO DA AMÉRICA LATINA E ÁFRICA.

Dia 31/01 das 8h às 12h
Local:- Hotel da Bahia – Salão Atlântico

(I) “Estratégia de Governança” (C&O)

Ricardo Abramovay; Tânia Bacelar; Bernard Founou (Senegal); Airton Sabóia Jr.
Local:- Hotel Sol Barra

(II) “A esquerda hoje e as contribuições dos pensadores da América Latina e África”

1) Samir Amin (C&O); Valdir Pires (BA); José Reinaldo (SP);
Local:- a confirmar

(III) “Violência nas periferias urbanas e ameaça à democracia”

Hamilton Borges (BA); Karla Akotirene (BA)
Local:- Hotel Sol Victória Marina

(IV) “Fobias, intolerância e lógica igualitária”

Luis Mott (BA); Gabriela Leite (RJ); Barba Grandner (SP); Leo Cret (BA); Vânia Galvão (BA).
Dia 31/01



Início da tarde: “O ofício de viver samba e diversidade cultural: Brasil, América Latina e África”

Martinho da Vila; Netinho de Paula; Clube do samba da Bahia; Mariene de Castro; Gal do Beco; Riachão.

Mais informações:

Daniella Sinotti: 71 8855.7670

Rosely Arantes: 71 9277.3177/ 3115.6025/ 3115.6644

Site: http://www.fsmbahia.com.br/

E-mail: imprensafsmtba@gmail.com

Campanha contra coorporações piores em termos de responsabilidade social e ambiental


Na semana passada, foi lançada uma campanha para responsabilizar a multinacional francesa GDF Suez por seu envolvimento na polêmica hidrelétrica de Jirau no Rio Madeira. Antes disso, a GDF Suez foi indicada (e incluída entre seis finalistas) para “ganhar” a edição 2010 do prêmio “Public Eye”, concedido às piores empresas do mundo em termos de responsabilidade social e ambiental. O ganhador do prêmio será escolhido por meio de votação popular que está acontecendo no site da Public Eye < http://www.publiceye.ch/en/vote>. Nesse momento, a GDF Suez está em primeiro lugar, mas ganhando por pouquissimos votos! Com uma eleição tão apertada, o voto de cada um é fundamental para a GDF Suez ganhar o prêmio e ser responsabilizada por seu tratamento vergonhoso do Rio Madeira e seus habitantes. A votação termina no dia 26 de janeiro e pedimos a colaboração de todos os colegas da AdT e Redebio para divulgar a campanha, inclusive entre amigos e colegas para que todos votem no link: http://www.publiceye.ch/en/vote

Depois de votar, conheça a pagina especial da campanha, onde há diversos documentos e videos sobre o Madeira: http://ef.amazonia.org.br/index.cfm?fuseaction=noticia&id=341090



Gratos pela colaboração!

sábado, 23 de janeiro de 2010

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Os pecados do Haiti

De Carta Capital

Matéria da Editoria:
Internacional

21/01/2010

A história do assédio contra o Haiti, que nos nossos dias tem dimensões de tragédia, é também uma história do racismo na civilização ocidental. Em 1803 os negros do Haiti deram uma tremenda sova nas tropas de Napoleão Bonaparte e a Europa jamais perdoou esta humilhação infligida à raça branca. O Haiti foi o primeiro país livre das Américas. Os Estados Unidos invadiram o Haiti em 1915 e governaram o país até 1934. Retiraram-se quando conseguiram os seus dois objetivos: cobrar as dívidas do City Bank e abolir o artigo constitucional que proibia vender plantações aos estrangeiros. O artigo é de Eduardo Galeano.
Eduardo Galeano
Data: 19/01/2010

A democracia haitiana nasceu há um instante. No seu breve tempo de vida, esta criatura faminta e doentia não recebeu senão bofetadas. Era uma recém-nascida, nos dias de festa de 1991, quando foi assassinada pela quartelada do general Raoul Cedras. Três anos mais tarde, ressuscitou. Depois de haver posto e retirado tantos ditadores militares, os Estados Unidos retiraram e puseram o presidente Jean-Bertrand Aristide, que havia sido o primeiro governante eleito por voto popular em toda a história do Haiti e que tivera a louca idéia de querer um país menos injusto.

O voto e o veto
Para apagar as pegadas da participação estadunidense na ditadura sangrenta do general Cedras, os fuzileiros navais levaram 160 mil páginas dos arquivos secretos. Aristide regressou acorrentado. Deram-lhe permissão para recuperar o governo, mas proibiram-lhe o poder. O seu sucessor, René Préval, obteve quase 90 por cento dos votos, mas mais poder do que Préval tem qualquer chefete de quarta categoria do Fundo Monetário ou do Banco Mundial, ainda que o povo haitiano não o tenha eleito com um voto sequer.

Mais do que o voto, pode o veto. Veto às reformas: cada vez que Préval, ou algum dos seus ministros, pede créditos internacionais para dar pão aos famintos, letras aos analfabetos ou terra aos camponeses, não recebe resposta, ou respondem ordenando-lhe:

– Recite a lição. E como o governo haitiano não acaba de aprender que é preciso desmantelar os poucos serviços públicos que restam, últimos pobres amparos para um dos povos mais desamparados do mundo, os professores dão o exame por perdido.

O álibi demográfico
Em fins do ano passado, quatro deputados alemães visitaram o Haiti. Mal chegaram, a miséria do povo feriu-lhes os olhos. Então o embaixador da Alemanha explicou-lhe, em Port-au-Prince, qual é o problema:

– Este é um país superpovoado, disse ele. A mulher haitiana sempre quer e o homem haitiano sempre pode.

E riu. Os deputados calaram-se. Nessa noite, um deles, Winfried Wolf, consultou os números. E comprovou que o Haiti é, com El Salvador, o país mais superpovoado das Américas, mas está tão superpovoado quanto a Alemanha: tem quase a mesma quantidade de habitantes por quilômetro quadrado.

Durante os seus dias no Haiti, o deputado Wolf não só foi golpeado pela miséria como também foi deslumbrado pela capacidade de beleza dos pintores populares. E chegou à conclusão de que o Haiti está superpovoado... de artistas.

Na realidade, o álibi demográfico é mais ou menos recente. Até há alguns anos, as potências ocidentais falavam mais claro.

A tradição racista
Os Estados Unidos invadiram o Haiti em 1915 e governaram o país até 1934. Retiraram-se quando conseguiram os seus dois objetivos: cobrar as dívidas do City Bank e abolir o artigo constitucional que proibia vender plantações aos estrangeiros. Então Robert Lansing, secretário de Estado, justificou a longa e feroz ocupação militar explicando que a raça negra é incapaz de governar-se a si própria, que tem "uma tendência inerente à vida selvagem e uma incapacidade física de civilização". Um dos responsáveis da invasão, William Philips, havia incubado tempos antes a ideia sagaz: "Este é um povo inferior, incapaz de conservar a civilização que haviam deixado os franceses".

O Haiti fora a pérola da coroa, a colónia mais rica da França: uma grande plantação de açúcar, com mão-de-obra escrava. No Espírito das Leis, Montesquieu havia explicado sem papas na língua: "O açúcar seria demasiado caro se os escravos não trabalhassem na sua produção. Os referidos escravos são negros desde os pés até à cabeça e têm o nariz tão achatado que é quase impossível deles ter pena. Torna-se impensável que Deus, que é um ser muito sábio, tenha posto uma alma, e sobretudo uma alma boa, num corpo inteiramente negro".

Em contrapartida, Deus havia posto um açoite na mão do capataz. Os escravos não se distinguiam pela sua vontade de trabalhar. Os negros eram escravos por natureza e vagos também por natureza, e a natureza, cúmplice da ordem social, era obra de Deus: o escravo devia servir o amo e o amo devia castigar o escravo, que não mostrava o menor entusiasmo na hora de cumprir com o desígnio divino. Karl von Linneo, contemporâneo de Montesquieu, havia retratado o negro com precisão científica: "Vagabundo, preguiçoso, negligente, indolente e de costumes dissolutos". Mais generosamente, outro contemporâneo, David Hume, havia comprovado que o negro "pode desenvolver certas habilidades humanas, tal como o papagaio que fala algumas palavras".

A humilhação imperdoável
Em 1803 os negros do Haiti deram uma tremenda sova nas tropas de Napoleão Bonaparte e a Europa jamais perdoou esta humilhação infligida à raça branca. O Haiti foi o primeiro país livre das Américas. Os Estados Unidos tinham conquistado antes a sua independência, mas meio milhão de escravos trabalhavam nas plantações de algodão e de tabaco. Jefferson, que era dono de escravos, dizia que todos os homens são iguais, mas também dizia que os negros foram, são e serão inferiores.

A bandeira dos homens livres levantou-se sobre as ruínas. A terra haitiana fora devastada pela monocultura do açúcar e arrasada pelas calamidades da guerra contra a França, e um terço da população havia caído no combate. Então começou o bloqueio. A nação recém nascida foi condenada à solidão. Ninguém comprava do Haiti, ninguém vendia, ninguém reconhecia a nova nação.

O delito da dignidade
Nem sequer Simón Bolívar, que tão valente soube ser, teve a coragem de firmar o reconhecimento diplomático do país negro. Bolívar conseguiu reiniciar a sua luta pela independência americana, quando a Espanha já o havia derrotado, graças ao apoio do Haiti. O governo haitiano havia-lhe entregue sete naves e muitas armas e soldados, com a única condição de que Bolívar libertasse os escravos, uma idéia que não havia ocorrido ao Libertador. Bolívar cumpriu com este compromisso, mas depois da sua vitória, quando já governava a Grande Colômbia, deu as costas ao país que o havia salvo. E quando convocou as nações americanas à reunião do Panamá, não convidou o Haiti mas convidou a Inglaterra.

Os Estados Unidos reconheceram o Haiti apenas sessenta anos depois do fim da guerra de independência, enquanto Etienne Serres, um gênio francês da anatomia, descobria em Paris que os negros são primitivos porque têm pouca distância entre o umbigo e o pênis. A essa altura, o Haiti já estava em mãos de ditaduras militares carniceiras, que destinavam os famélicos recursos do país ao pagamento da dívida francesa. A Europa havia imposto ao Haiti a obrigação de pagar à França uma indemnização gigantesca, a modo de perda por haver cometido o delito da dignidade.

A história do assédio contra o Haiti, que nos nossos dias tem dimensões de tragédia, é também uma história do racismo na civilização ocidental.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

AGENDA DO MOVIMENTO CONTRA A CORRUPÇÃO

Quinta-Feira (28/01)

19h: Plenária do Movimento Fora Arruda (organizar passeata e bloco de carnaval e tirar coordenação para os Comitês das satélites e locais de trabalho). Local: a confirmar.
Quinta, sexta e sábado (4, 5 e 6/02)
Dia todo: divulgação da passeata e do pré lançamento do Bloco Fora Arruda nas satélites
Domingo (07/02)
Passeata no eixão sul por uma limpeza ética no DF e pré lançamento do Bloco de Carnaval Fora Arruda. Local e horário a confirmar.
Terça-feira (09/02)
Plenária Sindical para discutir paralisação/indicativo de greve dos trabalhadores do DF. Local e horário a confirmar.
Quarta-feira (10/02)
Dia todo: panfletagem nas escolas públicas do DF para dialogar com os estudantes (volta às aulas).
2º quinzena de fevereiro
Ato em frente ao novo prédio da CL/DF. Local, data e horário a confirmar.
1º quinzena de março
Ato show com artistas da cidade próximo a Rodoviária do Plano Piloto. Dia e horário a confirmar.
Dia 1º de abril (quinta-feira)
Ato no dia da mentira para denunciar as mentiras do Governo Arruda. Local e horário a confirmar.

Pola Karlinski
Assessora - SEMT/CUT-DF
(61) 3251-9379/ 9944-3008

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Contra a impunidade dos crimes cometidos pela ditadura civil militar brasileira



Desde a Lei da Anistia, os familiares dos mortos e desaparecidos políticos da ditadura militar lutam na justiça ou em qualquer instância possível para terem o direito de saber o que aconteceu com seus entes e receberem seus restos mortais para enterrar e seguir em frente. Ao conversar com as representantes da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos, Suzana Lisbôa e Criméia Almeida, a impressão é de uma luta infinita, difícil e dolorosa e de escassos resultados. Coube aos familiares dos desaparecidos - com seu luto inacabado - contar, além da história dessas pessoas que morreram sob condições brutais lutando contra a ditadura, essa parte ainda desconhecida de nossa história. Até hoje, apenas quatro corpos foram encontrados dos 176 desaparecidos e os governos que sucederam os militares vêm ignorando sistematicamente todos os pedidos e determinações - Comitê de Direitos Humanos da ONU e OEA - para abrir os arquivos secretos da ditadura, e dar uma resposta concreta a essas famílias.

Fonte: CMI

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Indígenas ocupam Funai em Brasília

11 de janeiro de 2010

Do Cimi

Cerca de 100 lideranças indígenas dos Povos Kayapó e Xavante ocupam o auditório da sede da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Brasília nesta segunda-feira. Eles protestam contra o Decreto que reestrutura a Funai e, entre suas ações, extingue postos, administrações e núcleos de apoio indígena em diversas regiões do País.

Também para esta segunda-feira, 11, está prevista a chegada de 400 lideranças indígenas da região nordeste para se juntarem ao grupo, que exige a revogação imediata do Decreto de Reestruturação e a demissão de toda a diretoria e do presidente da Funai, Márcio Meira. São aguardados representantes dos Povos Truká, Fulniô, Xukuru, Potiguara, Kambiwá, Pankará, Pankararu, Pankaru, Tupinambá e Pataxó. Entre as lideranças nordestinas destacam-se Dona Maria de Lourdes, povo Truká, Neguinho Truká, Dezinho, povo Fulniô, Ubirajara Pankararu, Robério Pankaru, Luciene Kambiwá, Dorinha Pankará, Biá Xukuru, Caboquinho e Capitão Potiguara e muitos outros. Também são esperados representantes dos povos do Xingu, dos Javaé e Karajá.

De acordo com o líder Paritê Kayapó, o Decreto foi elaborado sem o conhecimento e a participação dos Povos Indígenas e pegou todos de surpresa. Ele afirmou, ainda, que os indígenas permanecerão em Brasília até atingirem seus objetivos, que incluem também uma audiência com o Ministro da Justiça e o Presidente Lula em busca de novas soluções para reformular o órgão indigenista do governo federal.

Segundo a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da qual o Brasil é signatário, os Povos Indígenas têm o direito à consulta prévia e informada sobre qualquer questão que os afete.

PNDH-3: Vanucchi e Cassel rebatem críticas de ruralistas

11 de janeiro de 2010

Neste domingo (10/1), o secretário nacional de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, falou ao jornal Folha de S. Paulo sobre o debate que envolve o terceiro Plano Nacional de Direitos Humanos, lançado no final de dezembro.

Na entrevista, o secretário condenou a tentativa de alteração do programa para permitir a investigação de militantes da esquerda durante a ditadura militar, equiparando torturadores e torturados. Segundo ele, uns agiram ilegalmente, com respaldo do Estado, enquanto os outros já foram julgados, presos, desaparecidos e mortos - incluindo o próprio presidente Lula, julgado e condenado por liderar greves no ABC. Segundo Vanucchi, "as críticas são desproporcionais e baseadas em interpretações equivocadas". Na sua opinião, o plano "não é uma peça da esquerda radical, é uma construção que, eventualmente, contém imperfeições e até erros, mas fundamentada em elementos essenciais da democracia".

Ele criticou os equívocos cometidos pelo Ministro da Agricultura, Reinold Stephanes, e pela senadora Kátia Abreu (DEM-TO), presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e ex-organizadora da União Democrática Ruralista (UDR)* no estado de Tocantins. Para Vannuchi, "não é possível ser contra o agronegócio, como eles dizem, mas é preciso garantir que o agronegócio não oprima, não viole, não asfixie a agricultura familiar e o médio produtor".

O ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, também rebateu as críticas feitas pelos ruralistas. "O plano busca criar um ambiente de paz no meio rural. Ele busca, por meio do diálogo, criar o que eu chamei de um ambiente de paz de produção. De fato, o plano busca criar no meio rural um ambiente diferenciado, que supere essas questões. Tem pessoas que se incomodam com isso”, argumentou o ministro do Desenvolvimento Agrário à Agência Brasil.

O ministro ainda afirmou que os mesmos que reclamam do decreto presidencial, na área da agricultura, são os que trabalham para um processo de criminalização dos movimentos sociais que defendem a Reforma Agrária no Brasil.

Na área da agricultura, as primeiras críticas partiram da senadora Kátia Abreu (DEM-TO), presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA). Ela reclamou do decreto no ponto em que ele prevê a criação de uma espécie de câmara de conciliação para conflitos agrários, antes que sejam conseguidas na Justiça liminares de reintegração de posse.

*A UDR pregava a violência para defender a qualquer preço a propriedade absoluta dos latifundiários. Como consequência de sua ação, entre 1985 e 2008 mais de 1,6 mil lideranças de trabalhadores no meio rural foram assassinadas.

Fonte: MST

sábado, 9 de janeiro de 2010

Urgente!!!!

Pessoal.

É urgente, estamos aqui em Brazlândia neste momento onde
acabamos de ocupar uma área no final do assentamento, antiga
garagem. Estamos com cerca de 150 famílias no local, mulheres,
jovens e crianças. A polícia cercou a área e ja começou a nos
intimidar com bombas de gás.
Precisamos urgente que entrem em contato com advogados
que conhecem, com algum deputado que tenha como bandeira de luta,com movimentos parceiros.
Pela tarde fomos retirados da antiga área que estávamos e voltamos
com nova ocuapação.
Estamos reivindicando uma área para moradia de baixa renda, com projetos
para o desenvolvimento sustentável e um futuro bairro ecológico.
Divulguem e se juntem a nossa luta.

Abraços

Quaquer coisa entrem em contato no meu cel: 98134441

Marco


AMIGOS das VEREDAS

Visite o blog amigosdasveredas.blogspot.com

"Quem se curva aos poderosos mostra a bunda aos oprimidos" Millôr Fernandes.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

PORQUE ESTAMOS OCUPANDO ÁREA PÚBLICA DA EXPANSÃO DA VILA SÃO JOSÉ?

Desde de segunda-feira cidadãos de baixa renda e filhos de Brazlândia que já não aguentam mais pagar aluguel e esperar a demorada lista da Codhab, estão ocupando três áreas´públicas da expansão da Vila São José.
Os motivos desse movimento:
- O PDOT ( Plano de Ordenamento Territorial) de Brazlândia foi uma grande farsa, pois as farras dos lotes foram promovidas por cargos comissionados e cabos eleitorais, sem nenhum critério. As pessoas que realmente deveriam ser beneficiadas, foram prejudicadas quanto à distribuição nas quadras 33 e 34 de Brazlândia. A prova disso foi a distribuição sem a participação do órgão responsável, CODHAB;
- Cada deputado recebeu R$ 400.000,00 em propina para aprovar no PDOT a construção de 4 cidades para a burguesia: Catetinho, Mangueiral, Noroeste e Jockey Clube. Assim, nenhuma cidade foi destinada para as famílias de baixa renda;
- As famílias de baixa renda de Brazlândia e os filhos de Brazlândia (também de baixa renda, mas que nasceram aqui) foram excluídos do processo de distribuição de lotes na cidade;
- Tem área pública destinada para a construção de garagem para empresa de ônibus, mas não tem para moradia;
- Tem grilagem de terras com plantio de eucaliptos na APM (Área de Proteção de Manancial) do Capão da Onça, que coloca em risco o potencial de água potável da nossa cidade. Cadê a fiscalização e a PM para verificarem esse crime ambiental?
- O direito à moradia é um direito constitucional. Foram roubados mais de R$ 400.000.000,00. Onde está a política habitacional desse governo?
- Respeitamos o meio ambiente, mas não somos culpados pelos desmandos desse governo. Não é somente a burguesia que tem direito a um bairro ecológico (Noroeste), queremos também políticas públicas de meio ambiente para a baixa renda.
- Famílias que ficaram três dias madrugando na fila no Salão Comunitário, no ano passado, com a suposta promessa da Adm. e CODHAB de fazerem as suas inscrições na lista limpa, foram enganadas, sendo que ainda não conseguiram os seus nomes na lista.
Com o dinheiro da corrupção poderia ser construído mais de 100 mil moradias.
Se você se sente indignado e não tem moradia, participe desse movimento conosco!
Venha e vamos exercer nossa cidadania e nosso direito constitucional!

Movimento de luta por moradia para os filhos de Brazlândia e famílias de baixa renda.

[grito_excluidos_df]

Questão social é questão ambiental.

Não é possível discutir a questão ambiental sem incluir a questão social. O crescimento das cidades é algo inerente (as cidades não se encontram engessadas). Não existem políticas públicas que atue no planejamento familiar brasileiro. Em Brasília o crescimento populacional foi feito de modo desgovernado e tem ocasionado grande degradação ambiental em nosso território. O próprio PDOT instrumento que visa o ordenamento territorial juntamento com o Zoneamento Ecônomico Ecológico (ZEE) em nossa capital brasileira foi utilizada como instrumento de barganha política eleitoreira e no favorecimento de certas coorporações da construção civil e afins.
O que não pode continuar é o esteriótipo que pobreza financeira é sinônimo de poluição (veja o caso das cidades do entorno ex. Águas Lindas de Goiás). Existem mecanismos como a Constituição Brasileira e o Estatuto das Cidades que garantem moradia e um ambiente saudável. O que não dá é tampar o sol com a paneira, nem fingir que o problemas sociais e ambientais não existem em nossa Brazlândia.
Em pleno séc. XXI já existem soluções ambientais para moradia (só observar alguns países europeus) e o Brasil rico em diversidade natural e humana tem que mudar a visão de desenvolvimento para o presente e futuro próximo.
Estamos abertos ao diálogo por um ambiente saudável e dignidade para os filhos de Brazlândia.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Nota sobre ocupação em área de Brazlândia

Companheiros e Companheiras,

Como informamos em e-mail anterior, movimentos organizados
e sociedade civil de Brazlândia ocuparam uma área acima das
quadras 33 e 34 do assentamento.
Esta ocupação tem um carater emergencial e social observado dentro
de uma conjuntura sócio política há tempos desfavorável para a população
de baixa renda que vive na cidade. Sabemos e temos claro que grande parte da população
que vive em Brazlândia mora de aluguel, a margem dos simples direitos sociais, desempregados,
assalariados mal remunerados e excluídos das benesses que poucos desfrutam não apenas
aqui, mas em grande parte de nosso país.
Sabemos também que Brazlândia é uma cidade histórica, com muitos filhos e filhas criados(as)
aqui, incrustada dentro da bacia do alto Tocantins, importante área ambiental e de recarga aquifera,
que abastece nada mais nada menos que 65% da água que consumimos no DF, entretanto, vem há anos
sofrendo com políticas nefastas, coronelistas e de desvalorização e desrespeito as aspectos sociais e ambientais, vejam
o exemplo do parque veredinha, que poderia servir como importante área de lazer e de integração aumentando
e melhorando a qualidade de vida da cidade e de todos que nela residem.
Esta ocupação surge com o intuito de pressionarmos as autoridades para que se cumpra o que já
consta em nossa constituição federal, acesso a moradia, alimentação, mínima qualidade de vida e respeito
aos seres sociais, e não apenas a uma pequena parcela que domina os bens econômicos e sociais, que também existem em
Brazlândia.
Porisso, há tempos vamos lutando para que estas garantias sejam estendidas a população como um todo, tendo os aspectos
sociais, ambientais, estruturais, educacionais, culturais de lazer e cultura como partes integrantes e indissociáveis e mais, chamando as autoridades políticas para um grande debate em torno destas questões, que nunca se realizaram, pois sabemos a serviço de quem eles estão, do povo que não é.
Não ocupamos esta área para fazer baderna ou algum tipo de sensacionalismo, mas acreditamos e temos projetos que queremos
discutir com a comunidade de Brazlândia centrados nos princípios da sustentabilidade do ambiente, que não envolve apenas a natureza em sí, mas a relação do ser humano com ela, o sujeito ecológico como centro, trabalhando com respeito e entendo o meio ambiente como necessário para o real desenvolvimento social de todos, sem distinção de cor, raça, religião e etc... Os filhos e filhas de Brazlândia tem o direito de poder discutir e ter acesso as mínimas condições para viver com dignidade e respeito. Acreditamos que com um projeto bem elaborado, discutido por todos, poderemos avançar com qualidade sem prejudicar a estrutura da cidade e ao mesmo tempo inserir a população que sempre esteve a margem, dando condições de crescimento para todos e para Brazlândia, trabalhando com um outro olhar, outra lógica, fora dos processos da hegemonia econômica, onde o TER está acima de tudo, individualista, mas trazendo o SER para a discussão, coletivo, humanista, buscando o mínimo de respeito e igualdade.
Portanto, chamamos todos para esta discussão, vamos debater, não dá mais para ficar como está, vamos concordar, discordar, não importa, o que importa é trazer em pauta qual Brazlândia vamos querer para nós e para nossos filhos e netos.

“Aos esfarrapados do mundo e aos que neles se descobrem e, assim descobrindo-se, com eles sofrem, mas, sobretudo, com eles lutam.” Paulo Freire

Abraços Fraternos

Área ocupada em Brazlândia

A AMIVER e outros parceiros, juntamente com pessoas
da comunidade de Brazlândia acabaram de ocupar uma
área que fica acima das quadras 33 e 34 do assentamento de
Brazlândia, próximo ao centro de ensino médio desta localidade.
Chamamos os parceiros para virem ajudar a construir e constituir esta luta
com a máxima urgência, afim de fortalecer a ocupação e sua logistica.
Qualquer dúvida entre em contato conosco.

Flavão - 8162 2822
Cleyton - 8115 7321

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

A hora e a vez da ecologia mental

Por Leonardo Boff

No dia 2 de fevereiro de 2007 ao ouvir em Paris os resultados acerca do aquecimento global dados a conhecer pelo Painel Intergovernamental das Mudanças Climáticas (IPCC) o então Presidente Jacques Chirac disse:”Como nunca antes, temos que tomar a palavra revolução ao pé da letra. Se não o fizermos o futuro da Terra e da Humanidade é posto em risco”. Outras vozes já antes, como a de Gorbachev e de Claude Levy Strauss pouco antes de morrer. advertiam: “ou mudamos de valores civilizatórios ou a Terra poderá continuar sem nós”.

Esse é o ponto ocultado nos forums mundiais, especialmente o de Copenhague. Se for reconhecido abertamente, ele implica uma autocondenação do tipo de produção e de consumo com sua cultura mundialmente vigente. Não basta que o IPCC diga que, em grande parte, o aquecimento agora irreversível é produzido pelos seres humanos. Essa á uma generalização que esconde os verdadeiros culpados: são aqueles homens e mulheres que formularam, implantaram e globalizaram o modo de produção de bens materiais e os estilos de consumo que implicam depredação da natureza, clamorosa falta de solidariedade entre as atuais e as futuras gerações.

Pouco adianta gastar tempo e palavras para encontrar soluções técnicas e políticas para a diminuição dos níveis de gases de efeito estufa se mantivermos este tipo de civilização. É como se uma voz dissesse: “pare de fumar, caso contrário vai morrer”; e outra dissesse o contrario: “continue fumando, pois ajuda a produção que ajuda criar empregos que ajudam garantir os salários que ajudam o consumo que ajuda aumentar o PIB”. E assim alegremente, como nos tempos do velho Noé, vamos ao encontro de um dilúvio pré-anunciado.

Não somos tão obtusos a ponto de dizer que não precisamos de política e de técnica. Precisamos muito delas. Mas é ilusório pensar que nelas está a solução. Elas devem ser incorporadas dentro de um outro paradigma de civilização que não reproduza as perversidades atuais. Por isso, não basta uma ecologia ambiental que vê o problema no ambiente e na Terra. Terra e ambiente não são o problema. Nós é que somos o problema, o verdadeiro Satã da Terra quando deveríamos ser seu Anjo da Guarda. Então: importa fazer, consoante Chirac, uma revolução. Mas como fazer uma revolução sem revolucionários?

Estes precisam ser suscitados. E que falta nos faz um Paulo Freire ecológico! Ele sabiamente dizia algo que se aplica ao nosso caso:”Não é a educação que vai mudar o mundo. A educação vai mudar as pessoas que vão mudar o mundo”. Precisamos destas pessoas revolucionárias, caso contrario, preparemo-nos para o pior, porque o sistema imperante é totalmente alienado, estupificado, arrogante e cego diante de seus próprios defeitos. Ele é a treva e não a luz do túnel em que nos metemos.

É neste contexto que invocamos uma das quatro tendências da ecologia (ambiental, social, mental, integral): a ecologia mental. Ela trabalha com aquilo que perpassa a nossa mente e o nosso coração. Qual é a visão de mundo que temos? Que valores dão rumo à nossa vida? Cultivamos uma dimensão espiritual? Como nos devemos relacionar com os outros e com a natureza? Que fazemos para conservar a vitalidade e a integridade de nossa Casa Comum, a Mãe Terra?

Não dá em poucas linhas traçar o desenho principal da ecologia mental, coisa que fizemos um inúmeras obras e vídeos. O primeiro passo é assumir o legado dos astronautas que viram a Terra de fora da Terra e se deram conta de que Terra e Humanidade foram uma entidade única e inseparável e que ela é parcela de um todo cósmico. O segundo, é saber que somos Terra que sente, pensa e ama, por isso homo (homem e mulher) vem de húmus (terra fecunda). O terceiro que nossa missão no conjunto dos seres é de sermos os guardiães e os responsáveis pelo destino feliz ou trágico desta Terra, feita nossa Casa Comum. O quarto é que junto com o capital natural que garante nossa bem estar material, deve vir o capital espiritual que assegura aqueles valores sem os quais não vivemos humanamente, como a boa-vontade, a cooperação, a compaixão, a tolerância, a justa medida, a contenção do desejo, o cuidado essencial e o amor.

Estes são alguns dos eixos que sustentam um novo ensaio civilizatório, amigo da vida, da natureza e da Terra. Ou aprendemos estas coisas pelo convencimento ou pelo padecimento. Este é o caminho que a história nos ensina.

O Homem De R$ 1 Bilhão

Poucos entendem como o ex-corretor de imóveis e hoje senador Gim Argello conseguiu ampliar seu patrimônio em 10 mil vezes em pouco mais de 25 anos
Sérgio Pardellas e Hugo Marques
“Deus queira que um dia aconteça de eu ter R$ 1 bilhão”
Gim Argello, senador (PTB-DF)


Na primeira semana deste mês, o senador Gim Argello (PTB-DF) desembarcou na antessala da Presidência do Senado exibindo um indisfarçável sorriso no rosto. Diante dos olhares de expectativa de parlamentares do PMDB, entre os quais os senadores Renan Calheiros (AL) e Wellington Salgado (MG), Argello justificou tamanha felicidade: “Alcancei meu primeiro bilhão de reais”, disparou, para a surpresa dos colegas. Aos 47 anos, Argello personifica o milagre de Brasília. A capital federal não possui indústrias, grandes multinacionais nem de longe é o coração econômico do País. Mas é uma cidade onde as pessoas usam a proximidade com o poder como trampolim para o mundo dos grandes negócios. Esse é o caso do senador do PTB, que, depois do escândalo do mensalão do DEM, desponta entre os prováveis candidatos ao governo do Distrito Federal em 2010. À ISTOÉ, em entrevista rápida, Argello nega o que vem afirmando aos colegas senadores. Argello iniciou a carreira empresarial há 25 anos, como corretor de imóveis. Tinha um patrimônio que não chegava aos R$ 100 mil, ou seja, 10 mil vezes inferior ao que ele anda alardeando pelos corredores do Senado. Graças à bem-sucedida atividade de corretagem, ele conseguiu multiplicar seus bens por três em menos de uma década.. Mas foi com a política que viu seu patrimônio crescer de forma meteórica. Desde que foi eleito deputado distrital pela primeira vez em 1998, Argello não parou de acumular bens. Em 2006, o parlamentar declarou à Justiça Eleitoral patrimônio que somava R$ 805.625,09. Mas só a sua casa de 872 metros quadrados, na Península dos Ministros, área mais nobre de Brasília, localizada próxima à residência do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), está avaliada em R$ 5 milhões. Segundo apurou ISTOÉ, o senador do PTB também é proprietário de rádios, jornais e uma franquia da Empresa dos Correios e Telégrafos Setor Comercial Sul (SCS). Dona de uma extensa carteira de clientes, a agência dos Correios, de acordo com especialistas do setor, ostenta um faturamento anual de cerca de R$ 100 milhões, o mais alto entre as 27 franquias da ECT no Distrito Federal.
A maioria das empresas que Argello controla está registrada no nome de parentes e assessores. Desde 2007, por exemplo, há registros na Junta Comercial de sociedade de um de seus filhos, Jorge Affonso Argello Júnior, nas empresas Grid Pneus e Garantia Pneus e Serviços Automotivos. O capital integralizado da Grid é de R$ 1,6 milhão, e o da Garantia, de R$ 2,8 milhões. A Gris, segundo Argello, já teria sido vendida por Jorge Affonso. Em 2007, ele desembarcou no Senado timidamente, como suplente de Joaquim Roriz , que renunciou ao mandato. Em pouco tempo conquistou a confiança de Calheiros e Sarney. Num atestado de força política, o petebista emplacou o assessor técnico de seu gabinete parlamentar, Ivo Borges, numa das cinco diretorias da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Como líder da bancada do PTB, com sete votos decisivos para o governo no Senado, Argello também se aproximou da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, a quem costuma chamar de “chefa”. A amizade com Dilma foi conquistada durante caminhadas matinais ao lado da ministra, que mora no mesmo bairro do senador. Argello orientou seu jardineiro a avisá-lo sempre que Dilma se preparava para caminhar. Quando ela despontava no horizonte, Argello começava sua sessão de alongamentos, que só terminava quando Dilma cruzava com ele.
O rápido enriquecimento de Argello também lhe rendeu pendências na Justiça.. Ele responde a processo no STF por lavagem de dinheiro, crimes contra o patrimônio, apropriação indébita, ocultação de bens, peculato e corrupção passiva. O processo tramita em segredo de Justiça, e não se conhece em detalhes o teor da acusação sobre operações financeiras que Argello não conseguiu identificar. O senador do PTB também foi acusado de envolvimento num esquema de mudança de destinação de lotes na Câmara Distrital. Pelo esquema, áreas rurais desvalorizadas são transformadas em áreas residenciais e áreas para restaurantes viram disputados lotes para postos de gasolina. Esse esquema também teria funcionado nos condomínios de Brasília, pendentes de legalização. A empresária Rosa Lia Fenelon revelou à ISTOÉ que Argello exigiu 100 terrenos em sua propriedade, o Condomínio Pousada das Andorinhas, para legalizar toda a área na Câmara Legislativa, à época em que era deputado distrital. “Tive de passar 100 lotes para pessoas indicadas por Argello. Fui extorquida”, acusa Rosa. Quando procurada por Argello, em 2001, Rosa estava vendendo os terrenos a R$ 30 mil cada um. Hoje, é impossível comprar um lote por menos de R$ 300 mil na região. Rosa afirma que todos os terrenos foram entregues a assessores e parentes do senador. “A gente não consegue legalizar nada em Brasília se não for através da corrupção”, lamenta, explicando que Argello foi pessoalmente à sua casa para cobrar o dízimo. O senador desmente as acusações e diz que nunca fez negócios com Rosa e nunca autorizou ninguém a falar em nome dele com a empresária. Sobre seu suposto patrimônio bilionário, desconversa. “Deus queira que isso um dia aconteça”.

Brasil | N° Edição: 2094 | 23.Dez - 17:00
O Homem De R$ 1 Bilhão 1480
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O SAFADO DO GIM COMPROU TODAS AS REVISTAS ISTO É DE BRASILIA PARA A POPULAÇÃO NÃO
LER A MATERIA. VAMOS, PORTANTO, DIVULGAR.

Balanço e desafios para um novo ano


Final de ano é momento de fazer balanço das atividades do período que passou, avaliar os avanços e as dificuldades encontradas e começar a planejar o ano que vem chegando.



2009 vai ficar marcado na história como o ano da grande crise capitalista que assolou os mercados financeiros de todo mundo. Crise que se iniciou nos EUA, mas varreu vários países, ricos e pobres, quebrando bolsas, bancos, empresas e, sobretudo, desmoronou a hegemonia ideológica das certezas dos grandes capitalistas no seu deus Mercado, o chamado neoliberalismo.



Tivemos a triste notícia que, segundo a ONU, o número de famintos já passa de 1 bilhão de pessoas, ou seja, a cada seis pessoas uma passa fome em alguma parte do mundo. Houve ainda um aumento da concentração da riqueza e renda em todo planeta, globalizado pelo jeito capitalista de funcionar.



A derrubada das florestas pelo agronegócio e a grande quantidade de carros produzidos no último período para salvar a crise têm agravado ainda mais os problemas ambientais, obrigando o mundo a debater o aquecimento global e suas consequências para a humanidade. Além disso, a pecuária intensiva e o modelo produtivo do agronegócio, - que se baseia no uso abusivo de máquinas e venenos agrícolas - aumentaram o desequilíbrio ambiental no meio rural.



Todos esperávamos que os chefes de Estado compreendessem a gravidade da situação e que em Copenhague assinassem um compromisso de recuperação da Terra. Triste engano. Os governos dos países responsáveis pelos maiores desequilíbrios continuam iguais, cada vez mais insensatos e irresponsáveis. Afinal não querem mudar seu padrão de consumo, nem seus privilégios, pagos por toda humanidade. Como bem avaliaram a Via Campesina internacional e os movimentos ambientalistas: só a mobilização popular pode agora salvar a vida no planeta.



No Brasil, o ano foi marcado por debates importantes, como a questão das reservas do petróleo no pré-sal, que pode mudar o rumo da economia e dos problemas sociais; a atualização dos índices de produtividade, promessa assumida pelo governo Lula desde maio de 2005, que poderia acelerar a Reforma Agrária; e a redução da jornada de trabalho para 40 horas, pauta antiga dos trabalhadores, agora assumida por todas as centrais sindicais.



Também tivemos um ano marcado pela criminalização da pobreza e dos movimentos sociais. Temos visto em diversos governos estaduais, que o Estado continua com posições reacionárias, judicializando os problemas sociais e criminalizando os movimentos que organizam as lutas e batalhas de resistência nas comunidades pobres das grandes cidades e do campo. O MST pagou caro, perdemos o companheiro Elton Brum, assassinado pela Brigada Militar gaúcha. E tivemos vários mandatos de prisões contra nossas lideranças.



Na luta política, a direita brasileira ampliou sua presença nos espaços que detêm hegemonia, como o Poder Judiciário, transformando o presidente do STF em mero porta-voz de seus interesses. No Congresso Nacional, além dos inúmeros casos de corrupção, a direita aumentou a ofensiva com projetos de lei que caminham na contra-mão da história, como tentativas de apropriação da Amazônia, mudanças no Código Florestal e a intenção de liberar completamente o uso e comercialização de venenos agrícolas e sementes transgênicas.



Na Reforma Agrária



Fizemos grandes jornadas de lutas cobrando o cumprimento da Reforma Agrária, em abril e agosto, mas mais uma vez fechamos o ano com poucos avanços para a Reforma Agrária. Estima-se que foram assentadas menos de 20 mil famílias, ou seja, apenas 20% da meta proposta pelo proprio Incra, de 100 mil famílias por ano. Mais de 96 mil famílias continuam acampadas, em sua maioria há mais de três anos debaixo de um barraco de lona.



Tivemos algumas melhorias nos assentamentos, como a expansão da energia elétrica, água encanada, moradia e infra-estrutura. No entanto, não houve avanços em uma questão central para o desenvolvimento dos assentamentos: a implementação de agroindústrias cooperativadas, a universalização do atendimento público de assistência técnica e uma política de crédito rural adequada aos assentados. O Pronaf tem se mostrado insuficiente para resolver os problemas dos assentados, mesmo aumentando o volume do crédito. Essa situação dificulta o aumento da renda das famílias.



Diante desse balanço, nosso papel prioritário é seguir organizando os trabalhadores para garantir o assentamento das famílias acampadas e melhorar as condições de vida das famílias já assentadas, avançando no debate e na implementação de uma Reforma Agrária popular.

Desafios para 2010



2010 nos exige o enfrentamento de muitos desafios, desde a luta geral por mudanças na politica até na luta por Reforma Agrária.



Precisamos consolidar alianças com setores do movimento social e sindical do meio urbano, já que os desafios são grandes, e exigem a mobilização de toda classe. Os temas agrários também se resolvem com a mobilização de toda classe, para alterar a atual correlação de forças politicas. Precisamos contribuir na organização, junto com as pastorais sociais, Assembléia Popular e Coordenação de Movimentos Sociais, para realização de um plebiscito pelo limite máximo da propriedade da terra no Brasil. Buscaremos também fortalecer a luta pela redução da jornada de trabalho e seguir pautando, denunciando e enfrentando a criminalização dos movimentos sociais, além de lutar para garantir que o petróleo do pré-sal pertença de fato ao povo e seus recursos sejam destinados para o combate à pobreza e investimento na educação e na saúde da população brasileira.



O próximo ano terá o desafio das eleições e, mesmo sabendo das limitações da democracia representativa burguesa, entendemos que é importante aproveitar esse momento, em que a população se envolve no pleito, para fazer um grande debate. É momento oportuno para discutir os problemas sociais e estruturais do país e pautar a necessidade da construção de um projeto popular para o Brasil. Precisamos votar nos candidatos socialistas e progressistas, comprometidos com a Reforma Agrária, e não deixar que candidaturas de direita se elejam com votos dos trabalhadores.



O Brasil precisa mostrar ao mundo no próximo período que, mais do que ser o país das Olimpíadas ou da Copa, precisa ser um país de justiça social, para todos os seus cidadãos. Um país sem analfabetos e símbolo da produção agroecológica. Um país onde não haja mais concentração de terra, nem de renda. É esse o país que desejamos a todas e todos em 2010.

Letraviva - MST Informa
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Mayrá Lima
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COP15: Copenhague, um fracasso esperado

4 de janeiro de 2010

Do Brasil de Fato

Foi um fracasso a 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, COP -15, realizada de 7 a 18 de dezembro, em Copenhague, na Dinamarca.

Por que se surpreender com o resultado se as decisões para salvar ao planeta deveriam ser tomadas exatamente pelos principais causadores dos desastres ecológicos que ocorrem hoje e tendem a se agravar, com conseqüências irreversíveis, num curto espaço de tempo? Bem resumiu Kumi Naiodoo, diretor internacional do Greenpeace, ao dizer que a cidade de Copenhague é a cena de um crime climático, com homens e mulheres culpados, fugindo para o aeroporto com vergonha.

As discussões giraram em torno das medidas necessárias para impedir que temperatura mundial chegue aos 2 graus Celsius – hoje ao redor de 0,7º Celsius. Como medida urgente é necessário que os governos assumam metas – e cumpram! - de reduzir a emissão de gás carbônico em até 40% até o ano 2020. Foram incapazes de fazer esse acordo.

A primeira constatação é a incapacidade e falta de credibilidade da Organização das Nações Unidas (ONU) em liderar a tomada de decisões conjuntas, superando os interesses nacionais ou particulares. A Rodada de Doha, desde 2001, negocia medidas políticas que poderia amenizar o desequilíbrio comercial provocado pelas economias ricas sobre os paises não industrializados. Passado nove anos, nada de concreto foi aprovado.

O mesmo fracasso ocorre com o processo liderado pela ONU para o desarmamento do planeta. Os maiores promotores e financiadores das guerras são exatamente os países mais industrializados, tendo à frente os Estado Unidos da América. A ONU se mostra incapaz de enfrentar seus interesses e por um basta aos genocídios que enriquecem uma minoria e sustenta um padrão de consumismo irracional nos paises ricos.

O Conselho de Segurança, instância máxima da ONU, composto por cinco países com poder de veto – Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido – é outra excrescência desse sistema multilateral, resultante da Segunda Guerra Mundial. Não é mais suficiente ampliar esse Conselho para 3 ou 4 países-candidatos – entre eles o Brasil - que almejam uma cadeira nesse grupo seleto, logo antidemocrático. É preciso democratizar a estrutura desse sistema, assegurando ao todos os países o direito de voz e de voto.

O Sistema está falido e, enquanto não mudar, continuaremos vendo encenações teatrais, como essa de Copenhague, onde os líderes dos países ricos, contando com a subserviência de inúmeros outros países, se dirão preocupados com os problemas que afetam os povos e o planeta. Ao final, do ato teatral, fugirão novamente, envergonhados, para os aeroportos.

A segunda constatação da COP-15, é que já é insuficiente a diminuição da emissão dos gases que estão provocando o aquecimento do planeta. É preciso dar um basta à guerra que os paises ricos travam contra os paises pobres para apoderar-se dos recursos naturais, da biodiversidade e para impor um controle alimentar, que afeta os processos de desenvolvimento dessas populações. A voracidade dos governos e das empresas transnacionais por lucros fáceis e rápidos, ditam políticas de ampliação das extensas áreas de monocultivos, de desmatamentos, impor um modelo de agricultura industrial, uso intensivo de agrotóxicos e de sementes transgênicas, utilização de aparatos repressivos – particulares e governamentais – e de uma super-exploração da mão-de-obra que em muito se assemelha aos períodos escravocratas.

A continuidade desse modelo econômico significará o aumento da pobreza, da fome, da escassez de água, da perda da biodiversidade, do envenenamento dos solos, do ar, das águas e dos alimentos. É preciso combinar o desenvolvimento de práticas e modos de vida que sejam ambientalmente sustentáveis com políticas que promovem justiça social, democracia e a distribuição da riqueza produzida em nosso planeta. É impensável que tais políticas sejam adotadas pelos líderes que fogem envergonhados para os aeroportos.

É acertado, assim, o alerta feito pelo teólogo Leonardo Boff, ao referir-se à COP-15: “enquanto mantivermos o sistema capitalista mundialmente articulado será impossível um consenso que coloque no centro a vida, a humanidade e a Terra e a se tomar medidas para preservá-la”. Alerta reforçado pelo Presidente da Bolívia: “Ou superamos o capitalismo ou ele destruirá a Mãe Terra.”

As saídas dos problemas, a COP-15 mais uma vez demonstrou, não virá com os que lucram coma irracionalidade do sistema capitalista e sua cultura consumista. Os camponeses, através da Via Campesina, exigem uma mudança radical no modelo de produção e consumo. É necessário reorientar as economias agro-exportadoras, promover a reforma agrária, fortalecer a agricultura familiar e tratar o alimento como um direito dos seres humanos, e não como uma mercadoria.

Já o argentino Adolfo Pérez Esquivel, Premio Nobel da Paz, juntamente com a Academia de Ciências do Ambiente de Venécia/Itália, estão impulsionando uma campanha para constituir o Tribunal Penal Internacional sobre o Meio-Ambeinte. A proposta visa levar aos tribunais e penalizar as empresas e governos que destrói o meio-ambiente e afetam prejudicialmente a vida dos povos, sinalizando que os danos ambientais são crimes de lesa humanidade.

A próxima reunião ministerial sobre o clima, organizada pela ONU, será na cidade do México, de 8 a 19 de novembro de 2010. Esperamos que até lá, os movimentos sociais, mais fortes e organizados, se façam ouvir. Ou ao menos, não fiquem desimpedidas as vias de acesso aos aeroportos, para onde costumeiramente fogem os líderes envergonhados.