segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Contra Hegemonia e Luta pela Terra: uma outra nação acontecerá.



De fato, vivemos em um estágio societário atual onde a relação estabelecida com a terra se torna a cada dia mais manipulada, no sentido genético e de capital. As grandes corporações do agronegócio estabelecem relações mercadológicas com a vida, modificando e alterando organismos naturais e superexplorando vidas humanas em prol da manutenção de uma ordem vigente, política, econômica e social.
Observamos uma padronização da acumulação de capital pactuado pelas burguesias nacionais e internacionais, seguindo a risca o modelo cruel do capitalismo selvagem. Neste sentido, temos um campo em disputa, contraposto entre a agricultura patronal, ou melhor, as empresas do agronegócio e a classe trabalhadora do campo, em grande parte representada por movimentos sociais e agricultores(as) familiares que fazem a resistência.
De um lado, temos grandes empresas estrangeiras que monopolizam toda a produção centrada em monocultivos, exploração exacerbada da terra, manutenção do trabalho escravo, danificação dos biomas, uso exaustivo de agroquímicos, manipulações de OGMs (organismos genéticamente modificados) sem nenhum tipo de controle, em nome da rápida rentabilidade para engordar seus bolsos contribuindo para a manutenção das desigualdades urbanas e rurais, pior, com um alto subsidio do estado capitalista burguês.
Por outro lado, observamos uma grande luta dos movimentos sociais organizados, principalmente o MST, trabalhando de forma a repensar e transformar a estrutura fundiária vigente. Para isso, realizam um grande trabalho de base centrado em processos educativos, com ênfase na escola nacional Florestan Fernandes, trabalhando aspectos da agroecologia, cultura camponesa, organização social, políticas de reforma agrária dentre outros.
Desta forma, se constitui em uma luta da hegemonia e da contra hegemonia política. De um lado, quem acredita no capital financeiro e especulativo acima de tudo e de todos, na exploração do ambiente como forma de retorno financeiro rápido e na superexploração e expropriação como ferramenta para manter-se na ordem hegemônica.
De outro, a contra hegemonia, que se estrutura para fazer o enfrentamento, de qual todos fazemos parte, não acreditando mais nessa estrutura burguesa e falida, disputando uma outra sociedade, um outro projeto de nação, mais justo, menos desigual, conectado sustentavelmente com os processos naturais, tão importantes para nossa vivencia, nosso real desenvolvimento, e não para esse “desenvolvimento surreal” baseado no completo esgotamento e exploração de tudo que gere retorno pecuniário e material.

Marco Antonio Baratto
Pedagogo/Educador popular do campo
Ong Amigos das Veredas

Um comentário:

Cerratense das Veredas disse...

Meu irmão, belo texto do contexto atual em que vivemos. Resistir juntos aos movimentos sociais com agroecologia é acreditar, sonhar e fazer possível deste mundo um lugar onde a paz amor entre homem e natureza se enraize cada vez mais forte. Estamos juntos. Pode acreditar