quinta-feira, 15 de outubro de 2009

PiG(**) troca Censo do IBGE por Globope. E danem-se os pobres


Na foto, Ali Kamel, que faz e acontece no jornal nacional

Comparar o Censo Agropecuário do IBGE a uma pesquisa do Globope para a Confederação Nacional da Agricultura, sob a presidência da Senadora Kátia Abreu, é comparar Gilberto Freyre a Ali Kamel para analisar as características étnicas da sociedade brasileira.

O IBGE demonstrou que a concentração de terras no Brasil é obscena.

O Índice de Gini que mede a concentração de terras é mais obsceno do que o da concentração de renda no Brasil.

A associação que reúne os líderes (?) empresariais mais retrógrados da agricultura (há líderes da agricultura que fogem da CNA tanto quanto fogem do Stédile) ofereceu ao jornal nacional uma “estatística” para demonstrar que a reforma agrária não passa de “uma política que fabrica mais pobreza enquanto promete acabar com ela”, diz a senadora Abreu ao Estadão, house-organ da CNA (Pág. A4 )

Na pág. A3 da Folha (*) , um sociólogo demonstra com todas as armas da Sociologia (e na Sociologia cabe tudo, não é isso, Fernando Henrique ?) que é “surrealista a manutenção de estruturas governamentais destinadas ao programa nacional de reforma agrária”.

E, aí, o sociólogo Zender Navarro se afoga em conceitos sobre o que é “latifúndio improdutivo” ou “agricultura familiar”.

E acaba por conferir à “estatística” do Globope a “ciência” de que carece.

E chega à descoberta da pólvora: a agricultura brasileira é capitalista.

Sendo assim, danem-se os pobres.

Esses pobres coitados, que segundo o Globope, são incapazes de produzir a própria comida e, portanto, formam um exército de famintos e incompetentes.

Logo, como estamos no capitalismo, que famintos e incompetentes fiquem.

É a lógica do PiG (**), já que estamos aí na presença do Estadão, da Folha (*) e do Ali Freyre Kamel.

É uma discussão bizantina – diria o sociólogo da Folha (*), crítico do “marxismo caiopradista” (esse vai longe no PiG (**) …).

Se o Brasil precisa de uma “reforma agrária” para socorrer a “agricultura familiar”, o que menos importa são os termos, as definições.

O IBGE mostrou um câncer, uma ferida exposta na cara dos brasileiros.

Uma vergonha como as cenas de Canudos na favela do Jaguaré, em São Paulo, depois do enésimo incêndio.

Clique aqui para ler na Folha (*), na página C8

Como descrever aquilo, brilhante sociólogo ?

Famílias desalojadas, que se esbofeteiam no lixo e na lama em busca de um teto.

“Sobre-ocupação urbana” ?

“Sub-aplicação de políticas para ocupação do solo urbano” ?

“Serviço público anômico”, já que o Corpo de Bombeiros levou 40 minutos para chegar ao local ?

Chame como quiser, ilustre sociólogo.

Mas, por favor, não troque Caio Prado por Ali Kamel.

Nem a Sociologia engole essa.

Tudo isso se dá como parte do teatro do PiG (**) para ajudar a senadora Kátia Abreu a montar a CPI do Stédile.

Como a CPI da Petrobrás deu com os burros n’água.

Entre outros motivos, porque a oposição não diz coisa com coisa – clique aqui para ver o que disse o Gabrielli, da Petrobrás

Como os golpistas de Honduras foram para o saco.

Como o ENEM vai pegar a Folha (*) na esquina.

Clique aqui para ler artigo da Carta Maior

Por tudo isso, o Stédile será a próxima crise com que o PiG (**) pretende derrubar o Lula.

Não importa se o Governo Lula não dá dinheiro ao MST.

Clique aqui para ler

Enquanto isso, o Zé Pedágio desaba nas pesquisas, e, segundo a revista Piauí, não será candidato a presidente em 2010, “por abandono”

O Globope e o sociólogo da Folha (*) acabam por fazer parte dessa encenação pré-CPI.

A menos que a senadora Kátia Abreu decida usar métodos mais diretos.

Quando o MST se assentou em terras griladas de Daniel Dantas no Pará, a senadora pediu o impeachment da Governadora Ana Júlia.

Pouco antes, o Supremo Presidente do Supremo, Gilmar Dantas (***) ligou para a Governadora e tomou satisfações: quando é que a senhora vai desocupar essas terras ocupadas, governadora ?

Eles fazem parte de uma mesma família, de uma “agricultura familiar”.

Paulo Henrique Amorim

(*)Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele acha da investigação, da “ditabranda”, do câncer do Fidel, da ficha falsa da Dilma, de Aécio vice de Serra, e que nos anos militares emprestava os carros de reportagem aos torturadores.

(**)Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.


(***) Repare, amigo navegante, como inigualável jornalista do Globo (do Globo !!!) se refere a Ele

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