quinta-feira, 29 de outubro de 2009

A Civil e os Tratores

No dia 27 de outubro de 2009, os moradores do Santuário dos Pajés, comunidade indígena situada em Brasília, detiveram um trator que desmatava área de cerrado próximo às suas terras. A abertura da estrada faz parte do projeto do Setor Noroeste, que teve suas licenças ambientais canceladas por recomendação do Ministério Público Federal, até a conclusão dos estudos antropológicos referentes à presença indígena naquela região. A polícia civil foi chamada para garantir a continuidade das obras e averiguar a existência de um "refém"

ATENÇÃO A TODOS OS MOVIMENTOS PELA PRESERVAÇÃO DA NOSSA PATCHAMAMA....


REPASSAR A TODO BRASIL !!!!

QUE TODOS OS SERES ESTEJAM ATENTOS E FAÇAM A SUA PARTE NESTE CONTEXTO.....

JUNTOS PODEMOS MUITO...................!!!!!

Elishi Tami Sinai

> FARSA DO SETOR NOROESTE
>
> “O que me assusta não é a violência de poucos, mas aomissão de muitos.”
> Martin Luther King

> Prezados
> amigos, um crime sócio-ambiental está ocorrendo bem
> debaixo de nossos olhos. A população só conhece a versão
> oficial da história, que vem sendo propagada pelos meios de
> comunicação chapa branca, enquanto isso, a última grande
> reserva do Cerrado dentro da área tombada de Brasília já
> está sendo destruída e a comunidade indígena que cuida
> daquele local está sendo expulsa.
> O
> governo arrecada uma fortuna com a chamada "
> Ecovila" Noroeste, que se diz ser o primeiro bairro
> ecológico do Brasil, mas na verdade trata-se de um tremendo
> engodo.
> As verdadeiras Ecovilas que se espalham por todo o mundo
> são criadas em cima de áreas já degradadas pelo homem,
> aonde os futuros moradores irão recuperar o local ,
> respeitando e se adaptando aos ritmos da natureza.
> Na FALSA Ecovila
> do GDF, existe na verdade um projeto antiquado que será
> construído em cima de uma
> reserva ambiental e
> de um santuário
> indígena,
> projeto feito pelas construtoras da cidade e
> "doado" ao governo local, aonde se criou um bairro
> de luxo, aonde o desperdício e a ineficiência serão
> predominantes. Verdadeiras estufas de vidro e granito
> climatizadas com muito ar-condicionado.
> O projeto contraria todo e qualquer princípio de
> arquitetura ambiental, não pensou-se em criar um zoneamento
> para preservar a reserva florestal, muito pelo contrário, a
> avenida principal passa justamente na área com a
> vegetação nativa mais preservada, e que vem sendo cuidada
> e mantida pelos índios que habitam a região.
> A farsa do projeto "sustentável" é na verdade
> uma repetição de clichês do chamado "marketing
> verde" ou melhor “maquiagem verde”, que serve
> única e exclusivamente para encarecer os apartamentos
> (captação de água da chuva e paineis solares para
> aquecimento de água já é lei em várias cidades do
> Brasil. É uma obrigação das construtoras e não um gesto
> em defesa da natureza.)
> A cara-de-pau do governo e principalmente da imprensa
> vendida é tão grande que usam justamente as riquezas
> naturais da reserva do Bananal e citam as suas árvores
> (copaíba, ingá, angico, baru, açoita-cavalo, barbatimão,
> pimenta de macaco, jequitibá etc) como itens para vender
> qualidade de vida para os futuros moradores.
> Eles só não dizem que as mesmas árvores estão sendo
> destruídas por seus tratores na calada da
> noite.
> Com
> esta farsa o GDF já engordou o seu cofre com 1 bilhão de
> reais, fora a fortuna que as construtoras irão ganhar (as
> mesmas que elegeram o atual governador, fora o fato de que o
> vice-governador é um dos maiores empresários da
> construção da região).
> E com essa fortuna circulando, está todo mundo de bico
> calado, os deputados distritais defendendo os seus
> patrocinadores de campanha, o IBRAM órgão que só sabe
> abençoar o que o governo manda, e os que permanecem em cima
> do muro, FUNAI e IBAMA que lavam suas mãos
> convenientemente.
> Enquanto isso o cacique Korubo, guardião do local que
> vinha sendo ameaçado de morte está DESAPARECIDO HÁ SEIS
> MESES, e uma residência indígena foi incendiada de maneira
> criminosa. Tenho certeza que vc não leu e não lerá isso
> no Correio Braziliense.
> Mas
> a atitude do governo e dos empresários já era esperada,
> estranho seria se eles se comportassem de maneira
> diferente.
> O que não é admissível é ver a passividade do cidadão
> brasiliense, que terá a sua qualidade de vida extremamente
> prejudicada por esse tsunami de concreto e asfalto
> despejados em cima da última grande reserva de Cerrado
> dentro da área tombada de Brasília. Especialistas em
> trânsito já falam do caos que virá em nossas ruas,
> igualando Brasília às demais capitais, com engarrafamentos
> intermináveis e poluição do ar.
> O governo fala que a cidade não tem para onde crescer,
> assim justificando as suas atrocidades,mas ignora que
> naquela região poderia ter sido feito um verdadeiro bairro
> ecológico. Primeiramente delimitando a reserva ambiental e
> o santuário indígena, depois criando verdadeiras ecovilas
> nas áreas degradadas ( pelo próprio GDF) do local, usando
> os princípios do urbanismo ecológico e da arquitetura
> bioclimática, aonde teria uma população de moradores
> condizente com a fragilidade do local.
> Mas o que está sendo feito é o extremo oposto, uma farra
> da especulação imobiliária que agride a inteligência da
> população mais esclarecida. Brasília vai fazer 50 anos,
> isso aqui não é mais terra de ninguém como pensam os
> políticos.
> O
> ministério público em março deste ano recomendou a
> suspenção de todas as licenças emitidas pelo Ibama para a
> construção do setor noroeste por irregularidades no
> processo, e recomendou ainda o estudo para a demarcação da
> terra indígena do Bananal.
> A
> mobilização já está sendo feita, diversas ong´s, grupos
> estudantis, associações de moradores já estão nesta
> luta, mas ainda é pouco, precisamos da SUA participação
> também. Junte-se a nós.
> PAREM OS TRATORES JÁ!!!
>
> Contamos
> com a participação de todos na divulgação deste email,
> mas o mais importante será a presença física no local,
> para que todos possam olhar com os próprios olhos a riqueza
> e a beleza da reserva do Bananal, e a destruição que os
> tratores da “ecovila” estão causando (vide fotos
> anexas).
> Convidamos
> portanto para:
> TRILHA
> ECOLÓGICA NO SETOR NOROESTE
> Dia
> 8 de novembro (domingo) a partir das 10 horas, encontro no
> estacionamento ao lado do canhão que fica entre o setor
> militar e o setor noroeste. Leve água e protetor
> solar.

>
>
> Para
> que todos despertem para o fato de que um cidade é feita
> por seus moradores, e não por políticos com interesses
> próprios.
> Obrigado pela
> atenção,
> Movimento
> Cerrado Vivo



--
Equipe PAHLBrasilSustentável

www.ctarvoredavida.com.br / Resp.SocioAmbientalCultural PAHL - Plano de Ação de Humanos Livres

"Algum dia, depois de termos dominado os ventos, as ondas, as marés e
a gravidade... utilizaremos... as energias do amor.
Então, pela segunda vez na história do mundo, o homem terá descoberto o fogo".
Teillard de Chardin

Assim se compra políticos....política do rabo preso...

Deputados favoráveis a CPI do MST recebem doações da Crutale

Quatro deputados federais que assinaram o requerimento favorável à criação da Comissão
Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) contra o MST receberam doações da
Sucocítrico Cutrale, empresa que monopoliza o mercado de laranja do
Brasil e acumula denúncias na Justiça.

De acordo com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária
(Incra), a fazenda da Cutrale ocupada neste mês por trabalhadores
rurais Sem Terra em Iaras (SP), é uma área pública grilada.
Arnaldo Madeira (PSDB/SP) recebeu, em setembro de 2006, R$ 50.000,00 em doações
da empresa. Carlos Henrique Focesi Sampaio, também do PSDB paulista, e
Jutahy Magalhães Júnior (PSDB/BA), obtiveram cada um R$ 25.000,00 para
suas respectivas campanhas. Nelson Marquezelli (PTB/SP) foi beneficiado
com R$ 40.000,00 no mesmo período.

Os quatro parlamentares que votaram favoravelmente à CPI integram a lista dos 55 candidatos beneficiados pela empresa em 2006.
"O episódio do laranjal entra numa situação de confronto dos ruralistas
contra o governo, contra o Incra e contra o MST. É importante ter
clareza de que o caso, se houvesse acontecido em outra conjuntura, não
teria a mesma repercussão como teve após o anúncio da atualização dos
índices de produtividade rural", aponta João Paulo Rodrigues, da
coordenação nacional do MST.

"Apesar de o censo do Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) mostrar que os assentamentos são produtivos, os ruralistas não
querem discutir modelos agrícolas e colocam uma CPI para alterar o
debate. O MST não tem nenhum problema em debater com a sociedade",
completa.

A Cutrale possui 30 fazendas em São Paulo e Minas Gerais,
totalizando 53.207 hectares. Destas, seis fazendas com 8.011 hectares
são classificadas pelo Incra como improdutivas. A área grilada de Iaras
nem entra na conta.

Por conta do monopólio da Cutrale no comércio de suco e da imposição
dos preços, agricultores que plantam laranjas foram obrigados a
destruir entre 1996 a 2006 cerca de 280 mil hectares de laranjais.
A empresa já foi processada por formação de cartel e danos ambientais, e seus donos acusados por porte ilegal de armas de fogo.

Em reportagem de 2003, uma revista denunciou que a empresa Cutrale
tem subsidiária nas Ilhas Cayman, como forma de aumentar seus lucros.

em: mst.org.br

Política Facista na Capital do Brasil!!! Viva o povo Indígena e sua resistência no Cerrado! Vamos pra luta!

As máquinas estão destruindo o cerrado nativo e pretendem destruir a comunidade indígena.....faça sua parte na divulgação, emanação ou na linha de frente.

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*MÃE NATUREZA* nos forma como homens e mulheres, como *SERES ESPIRITUAIS E SOCIAIS *e nos dá nossa *identidade cultural e espiritual*. Nela estão nossos alimentos, medicinais e também nossos espíritos antepassados. A Terra Mãe é a razão básica de nossa existência e de acordo com a lei espiritual do Grande Tupã não permitiremos tais agressões a nossa essência que é a terra, é a nossa dignidade. Estamos profundamente feridos e indignados junto com a ferida aberta no *Cerrado Tapuya* pelos tratores da vergonha da TERRACAP ilegalista!
Isso causou um dano ambiental irreparável ao território indígena que aguarda início de estudos para identificação e delimitação ainda não cumpridos pela FUNAI por exigência do Ministério Público Federal e da 6ª Câmara de Revisão da Procuradoria Geral da República de Índios e Minorias que apontou que a FUNAI vem promovendo a cassação Ilegal dos direitos da comunidade indígena Tapuya deixando os índios Tapuyas do Santuário dos Pajés sem defesa ao não cumprir a criação do GT conforme preconiza a Lei 1.775/96 e garantir proteção ao território indígena.

A Procuradora do Ministério Público Federal no DF Dra. Luciana Loureiro recomendou criação do GT para promover a identificação e delimitação da Terra Indígena do Bananal de modo a cumprir o que garante a Constituição Federal e garantir os direitos da ocupação tradicional tapuya do Santuário dos Pajés.

A FUNAI vem desde 1986 postergando a resolução do problema e não cumpre a determinação do Ministério Público Federal desde o dia *16 de março deste ano* por isso abriu *INQUÉRITO CIVIL PÚBLICO* para apurar indícios de improbidade administrativa, crimes como a administração federal e tráfico de influência na FUNAI por está violando o *DEVIDO PROCESSO LEGAL* e o *direito ao contraditório* de demarcação de terras indígenas previsto no Parágrafo 8º do artigo 2, da Lei 1.775/96 por parte daqueles que questionam a demarcação de terras indígenas somente após* conclusão* dos estudos do Grupo Técnico (GT), portanto pela via administrativa e judicial, mas não é o que está acontecendo. A mesma ilegalidade vem cometendo o IBAMA, uma vez que o Ministério Público Recomendou também o cancelamento das licenças.

A FUNAI desde 2003 omitiu na criação de GT conforme a lei quando Laudo Pericial e Estudos antropológicos demonstraram com fundamentação histórica, legal, etnográfica e ambiental que trata-se de ocupação indígena de *uso tradicional* promovida pelos índios fulni-ôs, os últimos TAPUYAS desde os anos de 1957 quando vieram trabalhar na construção de Brasília e ali vem utilizando a terra para suas manifestações sagradas e espirituais expressando sua cosmovisão, cultura e identidade étnica de modo rico e nítido em suas relações espirituais com a ancestralidade do território e da mata de Cerrado preservado pela comunidade indígena do Bananal. Cabe ressaltar que a *Constituição democrática de 1988* no Artigo 231 define o direito à terra a partir do uso tradicional ou forma de ocupação tradicional de acordo com os usos, costumes e tradições e não de "uso imemorial" como previa a Constituição de 1967 do Regime Militar e suprimido pela nova Constituição.

A FUNAI vem omitindo por meio de pareceres sem fundamentação antropológica, técnico-jurídica, etno-histórica com a participação das direções do próprio órgão (Diretoria de Assuntos Fundiários, Coordenação-Geral de Identificação e Delimitação e a Presidência do órgão, o responsável Sr. Márcio Meira Augusto de Freitas) e na defesa inadequada dos direitos de nossa comunidade indígena.

A inércia de Márcio VEM facilitando as ações de violência contra a comunidade indígena do Santuário, ameaças de morte, incêndio criminoso de uma oka da nossa aldeia, pressões para abandonar o lugar e o GRAVE DESAPARECIMENTO de nossa Liderança Espiritual, *há 6 meses sumido*, *o Cacique Kaxaipinha KORUBO* ameaçado e pressionado por agentes da TERRACAP e FUNAI. Queremos saber onde está o KORUBO? Queremos sua APARIÇAO com VIDA!! JÁ BASTA DE GENOÍCÍDIO E IMPUNIDADE!! São 509 anos de injustiças e perseguições contra nós e nossos antepassados!! Onde está KORUBO?

A comunidade indígena Tapuya do Santuário Sagrado dos Pajés apresentou também denúncia para *Associação Brasileira de Antropologia (ABA)* contra a atuação de certos profissionais da antropologia (Nadja Havt Bindá, Juliana Gonçalves de Melo, Artur Nobre Mendes, Maria Auxiliadora Sá Leão e Juliana Burger Sotto-Maior) que agiram contra o *Código de Ética do Antropólogo* normatizado pela ABA que em seu *Artigo* 3 alíneas 2 e 3* que dizem: *"2. Na elaboração do trabalho, não omitir informações relevantes", "3. Realizar o trabalho dentro dos cânones de objetividade e rigor inerentes à prática científica".*

Cabe salientar que esses profissionais da antropologia, que chamamos profissionais da "Antropologia Colonialista e Racista", tem responsabilidade direta e conivência com muitos atropelos legais e crimes de genocídio, etnocídio, deixando a expansão do desenvolvimentismo irracional arrasar as terras, o meio ambiente, os indígenas, sua cultura, e práticas religiosas, espirituais de nossos povos indígenas. Sem a posse das terras como iremos nós desenvolver nossas tradições? . Ou melhor o Terrorismo da TERRACAP e IBAMA, o Genocídio de Gabinete da FUNAI e da "Antropologia" Colonialista nos obriga moralmente a inverter o questionamento: Qual é a tradição deles? qual é verdadeira tradição dos projetos de desenvolvimento e "civilização": genocídios, racismo, violência, segregação, ilegalidade, injustiça social, miséria, desastre ambiental, mentira, ignorância, exclusão. Depois que tornados, furacões, tempestades, secas, falta de água, violência urbana, agrotóxicos, contaminações, violência social a custa do sofrimento e humilhação das maiorias "minorizadas" pelo processo de segregação social, étnica e econômica.

Essa Antropologia de cunho racista mancha a imagem daqueles profissionais que durante a *Constituinte de 1987* lutaram conjuntamente com os movimentos indígenas e movimentos sociais no processo de reconhecimento e consolidação dos *direitos indígenas* (presentes no Artigo 231 da Constituição), do *direito à diferença*, do *direito à livre manifestação da identidade étnica e indígena* perseguida e caçada sistematicamente há 509 anos.

A antropologia colonialista mancha a imagem da disciplina que tem como critério o reconhecimento e o respeito pela diferença e a afirmação dos direitos decorrentes dessa diferença por reconhecer o princípio da diversidade cultural e humana e o da pluralidade e denegar todo ato de governo, Estado ou terceiros que vise impor um tipo hegemônico como autoritarismo étnico, cultural e político. Disciplina que concebe conhecer o Outro na totalidade de sua manifestação para respeitá-lo e não para favorecer a sua negação, a sua aniquilação, a sua perseguição, a sua dominação, o seu descarte. A antropologia construída junto com a ABA e diariamente nos cursos de ciências sociais foi concebida com base no compromisso ético de garantir os direitos históricos à terra por nós indígenas, já num processo de total espoliação fundiária pela colonização do país, e romper e combater o silêncio da violência contra os povos indígenas do Brasil.

Esses profissionais dão um péssimo exemplo aos futuros profissionais da área ao afiançar burocraticamente tanta violência institucionalizada contras as culturas, as vidas, o meio ambiente e as terras indígenas; na verdade trata-se de conivência e participação na *perversidade* praticada e autorizada por políticos e servidores infames atentos às própria barrigas e aos próprios bolsos.

Ao cinismo de tratores, manipulações antropológicas e administrativas, licenças ambientais ilegais, manipulação dos meios de comunicação (CORREIO BRASILIENSE, GLOBO) e ao fingimento de não saber o que está acontecendo, a verdade persiste em aparecer no caos social e urbano, nos desastres ambientais provocados por ignorância, na guerra da criminalidade nas grandes cidades, nos níveis irrisórios dos indicadores sociais, econômicos e humanos, na concentração de terras e renda recentemente divulgados e rapidamente acobertados com festas de olimpíadas, copa, novelas, em suma alienação social programada pela "tradição", "usos" e "costumes" daqueles que governam o país há 509 anos.

Isso revela, sim, a verdadeira face da tradição e cosmovisão do Estado Mafiocrático de "Direito" administrado para cassar e perseguir aos povos e comunidades no Brasil, sem distinção de etnia ou cultura, e sua "ilustrada sabedoria" de acadêmicos, togados, agentes econômicos, empreendedores e servidores públicos: barbárie, estupidez, ignorância e intolerância desenfreadas, saques, roubos, injustiças e desmandos de toda ordem. Onde está o *Direito* e a *Justiça* onde afaga a mão ?invisível? e ?inevitável? da mafiocracia, cheio de notas, (será que é tão inevitável e invisível assim? Ou será que a cumplicidade ativa e passiva chega a cegar?). O que dizem eles aos seus filhos e filhas como pais e mães de família?

Se na cultura do branco, *tradicionalmente de acordo com os usos, hábitos e costumes da cultura dominante no Brasil*, o dinheiro corrompe, lembramos também que o a impotência, o consentir, o cruzar os braços, o não ter tempo, o assistir passivamente, o não agir e seguir levando a vida repetindo o mesmo modelo também faz parte da corrupção e do sistema, também corrompe o espírito e a consciência, o senso de justiça e a ética.

A violação da Constituição Federal (Artigo 231), da Convenção 169 da OIT sobre os povos indígenas e da Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU de setembro de 2007 que garante os direitos à terras, a cultura, a as práticas espirituais e os direitos humanos de nós povos indígenas estão flagrantemente violados na Capital da República do Brasil, Brasília!

Exigimos já a EXONERAÇAO do Presidente da FUNAI SR. MÁRCIO MEIRA AUGUSTO DE FREITAS pela responsabilidade direta nos muitos crimes contra os direitos humanos dos povos indígenas e por favorecer e participar direta ou indiretamente na violação da Constituição Federal, acordo e tratado cumprido com nós povos indígenas em 1988, da Carta da Declaração da ONU sobre os Direitos Humanos Indígenas e principalmente da CONVENÇAO 169 da OIT ratificado pelo Congresso Nacional e promulgado pela Presidência da República, que garante entre outros direitos a participação indígena na tomada de decisões sobre empreendimentos em terras indígenas.

Invocamos o direito à resistência assegurada no Direito Internacional contra os atuais Atos do Estado Brasileiro ou de grupos que suprimam os DIREITOS HUMANOS FUNDAMENTAIS!!

Convocamos todas e todos a lutarem conosco por cada milímetro de nossa Mãe Terra, de nosso sagrado e amado cerrado tapuya para as próximas gerações. Que venham todos juntos conosco os que se cansaram de tanta mentira: indígenas, mulheres, estudantes, crianças, homens de todas as etnias, culturas e crenças e todos os movimentos indígenas (ARPINSUL, APOIME, ARPIB, e outros), sindicatos e associações de profissionais, centrais sindicais, todos os movimentos sociais para a exigir a imediata demarcação de Terra Indígena Bananal Santuário Sagrado dos Pajés, em BRASÍLIA, e exigir a imediata paralisação do terrorismo organizado pelos responsáveis do Estado (TERRACAP, FUNAI E IBAMA) e o cumprimento de nossos direitos JÁ!! Queremos um Brasil de todas as autonomias: indígenas, étnicas, sociais, culturais, econômicas, espirituais e ambientais; um Brasil de todas as liberdades fora do mercado das máfias, da estupidez, das intolerâncias, das agressões aos direitos e à vida, fora do chamado "Brasil: país de todas as Mentiras!"

!!COM MÁRIO JURUNA DIZEMOS NOSSO DOCUMENTO É A TRADIÇÃO!!

*!!O Santuário dos Pajés Não Se Move!!*

*!!Basta de Criminosos e Assassinos do Povo Indígena!!*

*!!Fora Márcio Meira!!*

*!!TERRACAP E IBAMA: CRIMINOSOS AMBIENTALISTAS!!*

*!!Setor Noroeste é Ilegal!!*

*!!Resista Brasília!! 50 anos de estupidez e segregação social e ambiental!!*

--
Carlos Henrique
skype: ch.siqueira

Agricultura quer aliviar regra para fazendeiro


Tentando modificar o decreto em vigor há um mês e meio, no qual as propriedades rurais do país são obrigadas a manter intactas as áreas de preservação permanente, o Ministério da Agricultura propôs ao Palácio do Planalto que as médias propriedades também fiquem isentas da obrigação de reflorestar áreas desmatadas, informa reportagem de Eduardo Scolese, publicada nesta quinta-feira pela Folha.

O Ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, quer a anistia daqueles que, segundo ele, cortaram árvores legalmente décadas atrás para expandir suas lavouras.

De acordo com o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente), não haverá acordo sobre reserva legal. Em até duas semanas a Casa Civil pretende concluir a fase técnica e levar ao presidente Lula um mapa com todas as divergências, a serem então discutidas Stephanes e Minc.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Novo espaço autônomo na Cidade do México: Zona Autônoma Makhnovtchina




[Já está funcionando a todo vapor a "Zona Autônoma Makhnovtchina", no Distrito Federal, capital do México. Confira a seguir o comunicado de apresentação do projeto, que se baseia em princípios libertários.]

Em nossa luta pela libertação de espaços e dando continuidade a criação da autonomia surge a "Zona Autônoma Makhnovtchina", um espaço para que os diversos movimentos sociais anti-autoritários e anticapitalistas encontrem um ponto de reunião e um espaço para desenvolver suas diversas atividades. O nome "Makhnovtchina" é uma homenagem as comunidades anarquistas ucranianas que, entre 1919 e 1921, lutaram por sua autonomia, resistindo aos tiranos czaristas e bolcheviques.

Não queremos ficar de braços cruzados diante da destruição da Terra pelo capitalismo, não queremos ser simples espectadores de como continua sendo realizada a exploração de pessoas, animais e da natureza, queremos ser donos de nossas próprias vidas, queremos lutar por uma vida melhor e sem opressão.

Asseguramos que a melhor crítica ao sistema dominante se faz por meio de propostas tangíveis de mudança; não só criticamos, mas vamos criando dia-a-dia a vida que queremos.

Alguns projetos que temos já em andamento na Z.A.M. se relacionam com:

• O movimento punk como uma proposta de vida e de luta alternativa e criativa.

• Zapatismo: apoiando as comunidades autônomas e participando com La Otra Campaña desde nossos espaços na cidade.

• O software livre como ferramenta autônoma, ativismo e segurança na rede e a criação de meios de comunicação livres.

• Ecologismo: reivindicamos um modelo de vida baseado na permacultura, tentando viver de maneira sustentável reduzindo o impacto negativo de nossas atividades na natureza.

Alguns projetos que já estão realizados:

• Um espaço de computadores que funcione inteiramente com hardware reciclado e com software livre para experimentar e difundir conhecimentos úteis para a comunicação, criação (desenho em geral), segurança e uma ampla gama de ferramentas para o/as companheiro/as ativistas.

• Uma pequena horta aonde se pratique a agricultura urbana orgânica, a elaboração de compostagem, visando difundir estas técnicas tão necessárias na Cidade do México.

• Equipe de impressão para editar publicações, cartazes, propagandas etc., contamos com um par de máquinas de offset.

A Zona Autônoma Makhnovtchina surgiu sob a iniciativa da Furia de las Calles e outro/as companheiro/as, não queremos que este lugar seja um espaço fechado ou um pequeno núcleo de pessoas, convidamos a mais companheiro/as a se integrarem.

Agora estamos ainda dando forma ao espaço, fato pelo qual necessitamos algumas coisas, como material para instalação elétrica, mesas, cadeiras, pintura, material de limpeza, e de um pouco de dinheiro para pagar alguns recursos pendentes, qualquer apoio será de grande ajuda.

Já estamos começando a elaborar calendários com as atividades e seus horários. Contacte-nos em caso de que queiras visitar o espaço.

http://www.espora.org/furia/

Tradução > Juvei

agência de notícias anarquistas-ana

Mesmo o velho eucalipto
Parece feliz –
Névoa da manhã.

Paulo Franchetti

Dona Iraci - Amor pelo Cerrado - Assentamento Vereda II - Padre Bernardo - GO



Entre os dias 13 e 18 de outubro de 2009 iniciou-se o curso de agroextrativismo no cerrado, ministrado pela Ong Ecodata. O curso ocorreu no espaço da Escola Família Agrícola de Padre Bernardo - GO, localizada no assentamento Vereda II. A proposta é fortalecer e compartilhar os conhecimentos acadêmicos e populares de forma a contribuir para a organização cooperativa dos assentamentos locais, fortalecer os processos de beneficiamento sustentável dos frutos do cerrado com o objetivo de gerar renda para as comunidades rurais e compartilhar os saberes e as riquezas do bioma cerrado. A organização Amigos das Veredas esteve presente para prestigiar e enriquecer as discussões na primeira semana de curso, cujo o foco principal foi o bioma cerrado. A AMIVER vem trabalhando há algum tempo com as comunidades locais, desenvolvendo projetos de manejo agroecológico, geração de renda e organização social das comunidades. Como somos parceiros e fazemos parte do corpo técnico da Escola Família Agrícola da região, nossos esforços estão voltados para a criação de propostas e projetos centrados no fortalecimento dos processos cooperativos para a geração de renda utilizando sustentávelmente as espécies nativas do bioma cerrado, tendo as comunidades assentadas e o respeito aos saberes populres como protagonistas das construções e das conquistas da população do campo.
Acima, pequeno video mostra um pouco do amor e do belissímo conhecimento popular das comunidades assentadas em meio ao nosso querido cerrado.
Confiram...

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Carta aberta do Santuário Sagrado dos Pajés sobre os tratores que começaram a sua destruição


Por Questão Indígena 27/10/2009 às 09:23


O CMI publica aqui a carta aberta dos guerreiros e das guerreiras da comunidade indígena Tapuya do Santuário Sagrado dos Pajés, protetores do cerrado nativo de Brasília e convoca que todos se unam na defesa deste patrimônio natural, histórico e cultural:

A TERRACAP começou a destruir com tratores uma área preservada pela comunidade indígena Tapuya do Santuário dos Pajés que tem seus direitos caçados de modo arbitrário, ilegal e autoritário. Os tratores abriram uma faixa de mais de 15 kilômetros a 200 metros da cancela branca onde tem guarita do indígena Korubo (ameaçado e desaparecido há 6 meses) ao lado do Santuário dos Pajés.

Isso ocorreu em operação clandestina na quarta e quinta feira passadas. Constatamos somente no dia de sábado depois de rondas rotineiras que realizamos no território, pois vínhamos escutando o som das atividades de máquinas já desde muito tempo da área acima da cascalheira ilegal denunciada por Korubo, no entanto quando fomos verificar a dor no peito e as lágrimas nos invadiram profudamente.

Leia a carta completa

Assine a petição em defesa do santuário

Saiba Mais: Guerreiro Kaxaipina Korubu, do Santuário dos Pajés está desaparecido | MPF/DF recomenda suspensão da licença prévia para construção do Noroeste | SOS - Santuário dos Pajés | Incêndio Criminoso destroi casa na Terra Indígena do Bananal | Mais fotos do incendio criminoso na Terra Indígena Bananal | Encontro histórico milenar da religiosidade indígena e afrobrasilera/afro-indígena | Funai deve se manifestar sobre comunidade indígena no Setor Noroeste | A construção do Setor Noroeste feita pelo Correio Brasiliense (monografia sobre a cobertura do Correio Brasiliense) | Imagens do ato em frente à Terracap - DF | Brasília ameaçada pela especulação imobiliária | A Luta dos Indígenas do DF acende debate sobre especulação imobiliária | A falaciosa Ecovila Noroeste, o Maior Bairro Verde Cifrão do País | Editoriais Anteriores


A *MÃE NATUREZA* nos forma como homens e mulheres, como *SERES ESPIRITUAIS E SOCIAIS *e nos dá nossa *identidade cultural e espiritual*. Nela estão nossos alimentos, medicinais e também nossos espíritos antepassados. A Terra Mãe é a razão básica de nossa existência e de acordo com a lei espiritual do Grande Tupã não permitiremos tais agressões a nossa essência que é a terra, é a nossa dignidade. Estamos profundamente feridos e indignados junto com a ferida aberta no *Cerrado Tapuya* pelos tratores da vergonha da TERRACAP ilegalista!

Isso causou um dano ambiental irreparável ao território indígena que aguarda início de estudos para identificação e delimitação ainda não cumpridos pela FUNAI por exigência do Ministério Público Federal e da 6ª Câmara de Revisão da Procuradoria Geral da República de Índios e Minorias que apontou que a FUNAI vem promovendo a cassação Ilegal dos direitos da comunidade indígena Tapuya deixando os índios Tapuyas do Santuário dos Pajés sem defesa ao não cumprir a criação do GT conforme preconiza a Lei 1.775/96 e garantir proteção ao território indígena.

A Procuradora do Ministério Público Federal no DF Dra. Luciana Loureiro recomendou criação do GT para promover a identificação e delimitação da Terra Indígena do Bananal de modo a cumprir o que garante a Constituição Federal e garantir os direitos da ocupação tradicional tapuya do Santuário dos Pajés.

A FUNAI vem desde 1986 postergando a resolução do problema e não cumpre a determinação do Ministério Público Federal desde o dia *16 de março deste ano* por isso abriu *INQUÉRITO CIVIL PÚBLICO* para apurar indícios de improbidade administrativa, crimes como a administração federal e tráfico de influência na FUNAI por está violando o *DEVIDO PROCESSO LEGAL* e o *direito ao contraditório* de demarcação de terras indígenas previsto no Parágrafo 8º do artigo 2, da Lei 1.775/96 por parte daqueles que questionam a demarcação de terras indígenas somente após* conclusão* dos estudos do Grupo Técnico (GT), portanto pela via administrativa e judicial, mas não é o que está acontecendo. A mesma ilegalidade vem cometendo o IBAMA, uma vez que o Ministério Público Recomendou também o cancelamento das licenças.

A FUNAI desde 2003 omitiu na criação de GT conforme a lei quando Laudo Pericial e Estudos antropológicos demonstraram com fundamentação histórica, legal, etnográfica e ambiental que trata-se de ocupação indígena de *uso tradicional* promovida pelos índios fulni-ôs, os últimos TAPUYAS desde os anos de 1957 quando vieram trabalhar na construção de Brasília e ali vem utilizando a terra para suas manifestações sagradas e espirituais expressando sua cosmovisão, cultura e identidade étnica de modo rico e nítido em suas relações espirituais com a ancestralidade do território e da mata de Cerrado preservado pela comunidade indígena do Bananal. Cabe ressaltar que a *Constituição democrática de 1988* no Artigo 231 define o direito à terra a partir do uso tradicional ou forma de ocupação tradicional de acordo com os usos, costumes e tradições e não de "uso imemorial" como previa a Constituição de 1967 do Regime Militar e suprimido pela nova Constituição.

A FUNAI vem omitindo por meio de pareceres sem fundamentação antropológica, técnico-jurídica, etno-histórica com a participação das direções do próprio órgão (Diretoria de Assuntos Fundiários, Coordenação-Geral de Identificação e Delimitação e a Presidência do órgão, o responsável Sr. Márcio Meira Augusto de Freitas) e na defesa inadequada dos direitos de nossa comunidade indígena.

A inércia de Márcio VEM facilitando as ações de violência contra a comunidade indígena do Santuário, ameaças de morte, incêndio criminoso de uma oka da nossa aldeia, pressões para abandonar o lugar e o GRAVE DESAPARECIMENTO de nossa Liderança Espiritual, *há 6 meses sumido*, *o Cacique Kaxaipinha KORUBO* ameaçado e pressionado por agentes da TERRACAP e FUNAI. Queremos saber onde está o KORUBO? Queremos sua APARIÇAO com VIDA!! JÁ BASTA DE GENOÍCÍDIO E IMPUNIDADE!! São 509 anos de injustiças e perseguições contra nós e nossos antepassados!! Onde está KORUBO?

A comunidade indígena Tapuya do Santuário Sagrado dos Pajés apresentou também denúncia para *Associação Brasileira de Antropologia (ABA)* contra a atuação de certos profissionais da antropologia (Nadja Havt Bindá, Juliana Gonçalves de Melo, Artur Nobre Mendes, Maria Auxiliadora Sá Leão e Juliana Burger Sotto-Maior) que agiram contra o *Código de Ética do Antropólogo* normatizado pela ABA que em seu *Artigo* 3 alíneas 2 e 3* que dizem: *"2. Na elaboração do trabalho, não omitir informações relevantes", "3. Realizar o trabalho dentro dos cânones de objetividade e rigor inerentes à prática científica".*

Cabe salientar que esses profissionais da antropologia, que chamamos profissionais da "Antropologia Colonialista e Racista", tem responsabilidade direta e conivência com muitos atropelos legais e crimes de genocídio, etnocídio, deixando a expansão do desenvolvimentismo irracional arrasar as terras, o meio ambiente, os indígenas, sua cultura, e práticas religiosas, espirituais de nossos povos indígenas. Sem a posse das terras como iremos nós desenvolver nossas tradições? . Ou melhor o Terrorismo da TERRACAP e IBAMA, o Genocídio de Gabinete da FUNAI e da "Antropologia" Colonialista nos obriga moralmente a inverter o questionamento: Qual é a tradição deles? qual é verdadeira tradição dos projetos de desenvolvimento e "civilização": genocídios, racismo, violência, segregação, ilegalidade, injustiça social, miséria, desastre ambiental, mentira, ignorância, exclusão. Depois que tornados, furacões, tempestades, secas, falta de água, violência urbana, agrotóxicos, contaminações, violência social a custa do sofrimento e humilhação das maiorias "minorizadas" pelo processo de segregação social, étnica e econômica.

Essa Antropologia de cunho racista mancha a imagem daqueles profissionais que durante a *Constituinte de 1987* lutaram conjuntamente com os movimentos indígenas e movimentos sociais no processo de reconhecimento e consolidação dos *direitos indígenas* (presentes no Artigo 231 da Constituição), do *direito à diferença*, do *direito à livre manifestação da identidade étnica e indígena* perseguida e caçada sistematicamente há 509 anos.

A antropologia colonialista mancha a imagem da disciplina que tem como critério o reconhecimento e o respeito pela diferença e a afirmação dos direitos decorrentes dessa diferença por reconhecer o princípio da diversidade cultural e humana e o da pluralidade e denegar todo ato de governo, Estado ou terceiros que vise impor um tipo hegemônico como autoritarismo étnico, cultural e político. Disciplina que concebe conhecer o Outro na totalidade de sua manifestação para respeitá-lo e não para favorecer a sua negação, a sua aniquilação, a sua perseguição, a sua dominação, o seu descarte. A antropologia construída junto com a ABA e diariamente nos cursos de ciências sociais foi concebida com base no compromisso ético de garantir os direitos históricos à terra por nós indígenas, já num processo de total espoliação fundiária pela colonização do país, e romper e combater o silêncio da violência contra os povos indígenas do Brasil.

Esses profissionais dão um péssimo exemplo aos futuros profissionais da área ao afiançar burocraticamente tanta violência institucionalizada contras as culturas, as vidas, o meio ambiente e as terras indígenas; na verdade trata-se de conivência e participação na *perversidade* praticada e autorizada por políticos e servidores infames atentos às própria barrigas e aos próprios bolsos.

Ao cinismo de tratores, manipulações antropológicas e administrativas, licenças ambientais ilegais, manipulação dos meios de comunicação (CORREIO BRASILIENSE, GLOBO) e ao fingimento de não saber o que está acontecendo, a verdade persiste em aparecer no caos social e urbano, nos desastres ambientais provocados por ignorância, na guerra da criminalidade nas grandes cidades, nos níveis irrisórios dos indicadores sociais, econômicos e humanos, na concentração de terras e renda recentemente divulgados e rapidamente acobertados com festas de olimpíadas, copa, novelas, em suma alienação social programada pela "tradição", "usos" e "costumes" daqueles que governam o país há 509 anos.

Isso revela, sim, a verdadeira face da tradição e cosmovisão do Estado Mafiocrático de "Direito" administrado para cassar e perseguir aos povos e comunidades no Brasil, sem distinção de etnia ou cultura, e sua "ilustrada sabedoria" de acadêmicos, togados, agentes econômicos, empreendedores e servidores públicos: barbárie, estupidez, ignorância e intolerância desenfreadas, saques, roubos, injustiças e desmandos de toda ordem. Onde está o *Direito* e a *Justiça* onde afaga a mão ?invisível? e ?inevitável? da mafiocracia, cheio de notas, (será que é tão inevitável e invisível assim? Ou será que a cumplicidade ativa e passiva chega a cegar?). O que dizem eles aos seus filhos e filhas como pais e mães de família?

Se na cultura do branco, *tradicionalmente de acordo com os usos, hábitos e costumes da cultura dominante no Brasil*, o dinheiro corrompe, lembramos também que o a impotência, o consentir, o cruzar os braços, o não ter tempo, o assistir passivamente, o não agir e seguir levando a vida repetindo o mesmo modelo também faz parte da corrupção e do sistema, também corrompe o espírito e a consciência, o senso de justiça e a ética.

A violação da Constituição Federal (Artigo 231), da Convenção 169 da OIT sobre os povos indígenas e da Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU de setembro de 2007 que garante os direitos à terras, a cultura, a as práticas espirituais e os direitos humanos de nós povos indígenas estão flagrantemente violados na Capital da República do Brasil, Brasília!

Exigimos já a EXONERAÇAO do Presidente da FUNAI SR. MÁRCIO MEIRA AUGUSTO DE FREITAS pela responsabilidade direta nos muitos crimes contra os direitos humanos dos povos indígenas e por favorecer e participar direta ou indiretamente na violação da Constituição Federal, acordo e tratado cumprido com nós povos indígenas em 1988, da Carta da Declaração da ONU sobre os Direitos Humanos Indígenas e principalmente da CONVENÇAO 169 da OIT ratificado pelo Congresso Nacional e promulgado pela Presidência da República, que garante entre outros direitos a participação indígena na tomada de decisões sobre empreendimentos em terras indígenas.

Invocamos o direito à resistência assegurada no Direito Internacional contra os atuais Atos do Estado Brasileiro ou de grupos que suprimam os DIREITOS HUMANOS FUNDAMENTAIS!!

Convocamos todas e todos a lutarem conosco por cada milímetro de nossa Mãe Terra, de nosso sagrado e amado cerrado tapuya para as próximas gerações. Que venham todos juntos conosco os que se cansaram de tanta mentira: indígenas, mulheres, estudantes, crianças, homens de todas as etnias, culturas e crenças e todos os movimentos indígenas (ARPINSUL, APOIME, ARPIB, e outros), sindicatos e associações de profissionais, centrais sindicais, todos os movimentos sociais para a exigir a imediata demarcação de Terra Indígena Bananal Santuário Sagrado dos Pajés, em BRASÍLIA, e exigir a imediata paralisação do terrorismo organizado pelos responsáveis do Estado (TERRACAP, FUNAI E IBAMA) e o cumprimento de nossos direitos JÁ!! Queremos um Brasil de todas as autonomias: indígenas, étnicas, sociais, culturais, econômicas, espirituais e ambientais; um Brasil de todas as liberdades fora do mercado das máfias, da estupidez, das intolerâncias, das agressões aos direitos e à vida, fora do chamado "Brasil: país de todas as Mentiras!"

!!COM MÁRIO JURUNA DIZEMOS NOSSO DOCUMENTO É A TRADIÇÃO!!

*!!O Santuário dos Pajés Não Se Move!!*

*!!Basta de Criminosos e Assassinos do Povo Indígena!!*

*!!Fora Márcio Meira!!*

*!!TERRACAP E IBAMA: CRIMINOSOS AMBIENTALISTAS!!*

*!!Setor Noroeste é Ilegal!!*

*!!Resista Brasília!! 50 anos de estupidez e segregação social e ambiental!!*

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Chico Cerrado - Assentamento Vereda II - Padre Bernardo - GO.



Depoimento do companheiro Chico Cerrado, locutor da rádio comunitária
cerrado, localizada na Escola Família agrícola - EFA, assentamento
Vereda II - Padre Bernardo - GO.
A organização social Amigos das Veredas têm como uma de suas bandeiras
mais atuantes a militância pela causa da Reforma Agrária. Acreditamos na educação
do campo como aglutinadora dos processos sócio ambientais e na organização camponesa
como forma de luta contra o sistema de produção capitalista - monocultora de exportação. Lutamos juntamente com diversos parceiros pelo fortalecimento da agricultura familiar, pela organização cooperativa vinculada aos processos agroecológicos e na educação como proposta emancipadora e estruturante, sendo os povos do campo protagonistas destas conquistas.

Desta forma, contribuimos assiduamente pelo fortalecimento e pela manurenção da Escola Família Agrícola de Padre Bernardo - GO, um curso técnico profissionalizante em agropecuária com ênfase na agroecologia. Este curso foi uma conquista de diversos assentamentos da região, tendo na Universidade de Brasília - UnB, Universidade Católica de Brasília - UCB, na Organização Amigos das Veredas - AMIVER e no Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST como seus principais parceiros para o desenvolvimento das ações e para a formação de jovens assentados com o intuito de empoderá-los e emancipá-los diante da exclusão e do preconceito que os povos do campo sofrem históricamente em detrimento do avanço maligno do latifúndio, das monoculturas de produção com utilização desenfreada de agrotóxicos e das monoculturas da mente, fortalecidas a todo instante pela mídia hipócrita e elitista.

A EFA trabalha nos princípios da Padegogia da Alternância, valorizando além do tempo escola, o tempo comunidade, possibilidade dos jovens colocarem seus ensinamentos e suas aprendizagens em prática, ajudando a valorizar e a desenvolver seu assentamento fortalecendo a identidade camponesa, a organização social local e o respeito ao meio ambiente em que vivem, entendendo a sustentabilidade ecológica e humana como fundamental para toda e qualquer forma de vida.

Mais informações sobre a escola família entre em contato conosco - amigosdasveredas@yahoo.com.br.
Será um prazer interagir com vocês.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

PAU NELES!!!!!


Veja a lista dos parlamentares que apoiam a CPI do MST


BRSÍLIA - Um total de 188 deputados e 35 senadores assinaram o requerimento pedindo a abertura de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar supostos repasses de verbas públicas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-terra (MST).





Deputados
ACRE
Ilderlei Cordeiro PPS
ALAGOAS
Maurício Quintella Lessa (PR)
Carlos Alberto Canuto (PSC)
Augusto Farias (PTB)
AMAPÁ
Jurandil Juarez (PMDB)
AMAZONAS
Rebecca Garcia (PP)
BAHIA
Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM)
Claudio Cajado (DEM)
Fábio Souto (DEM)
Jorge Khoury (DEM)
José Carlos Aleluia (DEM)
Luiz Carreira (DEM)
Paulo Magalhães (DEM)
João Carlos Bacelar (PR)
Tonha Magalhães (PR)
João Almeida (PSDB)
Jutahy Junior (PSDB)
CEARÁ
José Linhares (PP)
Leo Alcântara (PR)
Marcelo Teixeira (PR)
Pastor Pedro Ribeiro (PR)
Raimundo Gomes de Matos (PSDB)
DISTRITO FEDERAL
Alberto Fraga (DEM)
Osório Adriano (DEM)
Jofran Frejat (PR)
Laerte Bessa (PSC)
ESPÍRITO SANTO
Rita Camata (PMDB)
Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB)
GOIÁS
Ronaldo Caiado (DEM)
Luiz Bittencourt (PMDB)
Marcelo Melo (PMDB)
Carlos Alberto Leréia (PSDB)
João Campos (PSDB)
Leonardo Vilela (PSDB)
Professora Raquel Teixeira (PSDB)
MARANHÃO
Carlos Brandão (PSDB)
Pinto Itamaraty (PSDB)
MATO GROSSO
Professor Victorio Galli (PMDB)
Homero Pereira (PR)
Thelma de Oliveira (PSDB)
MATO GROSSO DO SUL
Waldemir Moka (PMDB)
Antonio Cruz (PP)
MINAS GERAIS
Carlos Melles (DEM)
Jairo Ataide (DEM)
Marcos Montes (DEM)
Vitor Penido (DEM)
Antônio Andrade (PMDB)
João Magalhães (PMDB)
Paulo Piau (PMDB)
Silas Brasileiro (PMDB)
Márcio Reinaldo Moreira (PP)
Alexandre Silveira (PPS)
Geraldo Thadeu (PPS)
Humberto Souto (PPS)
Aelton Freitas (PR)
Bilac Pinto (PR)
José Santana de Vasconcellos (PR)
George Hilton (PRB)
Bonifácio de Andrada (PSDB)
Eduardo Barbosa (PSDB)
Narcio Rodrigues (PSDB)
Paulo Abi-Ackel (PSDB)
Rafael Guerra (PSDB)
Rodrigo de Castro (PSDB)
José Fernando Aparecido de Oliveira (PV)
PARÁ
Lira Maia (DEM)
Vic Pires Franco (DEM)
Giovanni Queiroz (PDT)
Bel Mesquita (PMDB)
Lúcio Vale (PR)
Nilson Pinto (PSDB)
Wandenkolk Gonçalves (PSDB)
Zenaldo Coutinho (PSDB)
PARAÍBA
Efraim Filho (DEM)
Major Fábio (DEM)
Wellington Roberto (PR)
Rômulo Gouveia (PSDB)
PARANÁ
Abelardo Lupion (DEM)
Alceni Guerra (DEM)
Eduardo Sciarra (DEM)
Luiz Carlos Setim (DEM)
Moacir Micheletto (PMDB)
Osmar Serraglio (PMDB)
Dilceu Sperafico (PP)
Cezar Silvestri (PPS)
Takayama (PSC)
Affonso Camargo (PSDB)
Alfredo Kaefer (PSDB)
Gustavo Fruet (PSDB)
Luiz Carlos Hauly (PSDB)
PERNAMBUCO
André de Paula (DEM)
José Mendonça Bezerra (DEM)
Roberto Magalhães (DEM)
Edgar Moury (PMDB)
Eduardo da Fonte (PP)
Raul Jungmann (PPS)
Bruno Araújo (PSDB)
Bruno Rodrigues (PSDB)
Charles Lucena (PTB)
PIAUÍ
José Maia Filho (DEM)
Júlio Cesar (DEM)
RIO DE JANEIRO
Arolde de Oliveira (DEM)
Indio da Costa (DEM)
Rodrigo Maia (DEM)
Rogerio Lisboa (DEM)
Solange Amaral (DEM)
Felipe Bornier (PHS)
Marcelo Itagiba (PMDB)
Nelson Bornier (PMDB)
Jair Bolsonaro (PP)
Leandro Sampaio (PPS)
Marina Maggessi (PPS)
Dr. Paulo César (PR)
Filipe Pereira (PSC)
Andreia Zito (PSDB)
Otavio Leite (PSDB)
Silvio Lopes (PSDB)
Vinicius Carvalho (PTdoB)
RIO GRANDE DO NORTE
Betinho Rosado (DEM)
Felipe Maia (DEM)
Rogério Marinho (PSDB)
RIO GRANDE DO SUL
Germano Bonow (DEM)
Onyx Lorenzoni (DEM)
Darcísio Perondi (PMDB)
Eliseu Padilha (PMDB)
Ibsen Pinheiro (PMDB)
Afonso Hamm (PP)
Luis Carlos Heinze (PP)
Vilson Covatti (PP)
Nelson Proença (PPS)
Cláudio Diaz (PSDB)
Professor Ruy Pauletti (PSDB)
RONDÔNIA
Moreira Mendes (PPS)
Ernandes Amorim (PTB)
RORAIMA
Francisco Rodrigues (DEM)
Marcio Junqueira (DEM)
Luciano Castro (PR)
Urzeni Rocha (PSDB)
SANTA CATARINA
Paulo Bornhausen (DEM)
Acélio Casagrande (PMDB)
Celso Maldaner (PMDB)
Valdir Colatto (PMDB)
Zonta (PP)
Fernando Coruja (PPS)
José Carlos Vieira (PR)
Gervásio Silva (PSDB)
SÃO PAULO
Bispo Gê Tenuta (DEM)
Eleuses Paiva (DEM)
Guilherme Campos (DEM)
Jorginho Maluly (DEM)
Milton Vieira (DEM)
Walter Ihoshi (DEM)
Fernando Chiarelli (PDT)
Francisco Rossi (PMDB)
Beto Mansur (PP)
Dr. Nechar (PP)
Paulo Maluf (PP)
Arnaldo Jardim (PPS)
Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB)
Antonio Carlos Pannunzio (PSDB)
Arnaldo Madeira (PSDB)
Carlos Sampaio (PSDB)
Duarte Nogueira (PSDB)
Edson Aparecido (PSDB)
Emanuel Fernandes (PSDB)
Fernando Chucre (PSDB)
José Aníbal (PSDB)
José C. Stangarlini (PSDB)
Julio Semeghini (PSDB)
Lobbe Neto (PSDB)
Renato Amary (PSDB)
Ricardo Tripoli (PSDB)
Silvio Torres (PSDB)
Vanderlei Macris (PSDB)
William Woo (PSDB)
Nelson Marquezelli (PTB)
Paes de Lira (PTC)
Dr. Talmir (PV)
SERGIPE
Jerônimo Reis (DEM)
José Carlos Machado (DEM)
Mendonça Prado (DEM)
Albano Franco (PSDB)
TOCANTINS
João Oliveira (DEM)
Moises Avelino (PMDB)
Eduardo Gomes (PSDB)


Senadores:
ACRE
Geraldo Mesquita Júnior (PMDB)
ALAGOAS
João Tenório (PSDB)
AMAZONAS
Arthur Virgílio (PSDB)
AMAPÁ
Papaléo Paes (PSDB)
BAHIA
Antônio Carlos Magalhães Junior (DEM)
César Borges (DEM)
CEARÁ
Tasso Jereissati (PSDB)
DISTRITO FEDERAL
Adelmir Santana (DEM)
GOIÁS
Demóstenes Torres (DEM)
Marconi Perillo (PSDB)
MARANHÃO
Lobão Filho (PMDB)
MATO GROSSO
Gilberto Goellner (DEM)
Osvaldo Sobrinho (PTB)
MATO GROSSO DO SUL
Marisa Serrano (PSDB)
Valter Pereira (PMDB)
MINAS GERAIS
Eduardo Azeredo (PSDB)
Wellington Salgado (PMDB)
PARÁ
Flexa Ribeiro (PSDB)
Mário Couto (PSDB)
PARAÍBA
Cícero Lucena (PSDB)
Efraim Morais (DEM)
PARANÁ
Alvaro Dias (PSDB)
PERNAMBUCO
Jarbas Vasconcelos (PMDB)
Marco Maciel (DEM)
PIAUÍ
Heráclito Fortes (DEM)
RIO GRANDE DO NORTE
Garibaldi Alves (PMDB)
José Agripino (DEM)
Rosalba Ciarlini (DEM)
RONDÔNIA
Expedito Júnior (PSDB)
RORAIMA
Mozarildo Cavalcanti (PTB)
SANTA CATARINA
Neuto de Conto (PMDB)
Raimundo Colombo (DEM)
SÃO PAULO
Romeu Tuma (PTB)
SERGIPE
Maria do Carmo Alves (DEM)
TOCANTINS
Kátia Abreu (DEM)

"Provocações” MST e laranjas


"Provocações”

“A primeira provocação ele agüentou calado. Na verdade, gritou e
esperneou. Mas todos os bebês fazem assim, mesmo os que nascem em
maternidade, ajudados por especialistas. E não como ele, numa toca,
aparado só pelo chão. A segunda provocação foi a alimentação que lhe
deram, depois do leite da mãe. Uma porcaria. Não reclamou porque não
era disso. Outra provocação foi perder a metade dos seus dez irmãos,
por doença e falta de medicamento. Não gostou nada daquilo. Mas ficou
firme. Era de boa paz. Foram provocando por toda a vida.

Não pôde ir à escola porque tinha que ajudar na roça. Tudo bem, ele
gostava de roça. Mas aí lhe tiraram a roça. Na cidade, para onde teve
que ir com a família, era provocação de tudo que era lado. Resistiu a
todas. Morar em barraco. Depois perder o barraco, que estava onde não
podia estar. Ir para um barraco pior. Ficou firme, firme. Queria um
emprego, só conseguiu um subemprego. Queria casar, conseguiu uma
submulher. Tiveram subfilhos. Subnutridos. Os que morriam eram
substituídos. Para conseguir ajuda, só entrando em fila. E a ajuda não
ajudava.

Estavam provocando. Gostava da roça. O negócio dele era a roça. Queria
voltar pra roça. Ouvira falar de uma tal de reforma agrária. Não sabia
bem o que era. Parece que a idéia era lhe dar uma terrinha. Se não era
outra provocação, era uma boa. Terra era o que não faltava. Passou
anos ouvindo falar em reforma agrária. Em voltar à terra. Em ter a
terra que nunca tivera. Amanhã. No próximo ano. No próximo governo.
Concluiu que era provocação. Mais uma.

Finalmente ouviu dizer que desta vez a reforma agrária vinha mesmo.
Pra valer. Garantida. Se animou. Se mobilizou. Pegou a enxada e foi
brigar pelo que pudesse conseguir. Estava disposto a aceitar qualquer
coisa. Só não estava mais disposto a aceitar provocação. Aí ouviu que
a reforma agrária não era bem assim. Talvez amanhã. Talvez no próximo
ano... Então protestou. Na décima milésima provocação, reagiu. E
ouviu, espantado, as pessoas dizerem, horrorizadas com ele: Violência
não!”.

LF Verissímo





MST e laranjas

Quinta-feira, 8 de Outubro de 2009



O MST é detestado por todos: da direita ruralista à esquerda chavista,
passando por tucanos, petistas, psolentos, verdes, azuis e amarelos.
Mesmo os que fingem apoiar o MST o detestam.

Isso porque há uma antipatia ancestral e inata contra o MST, esse
arquétipo de nosso inconsciente coletivo, esse cancro irremovível que
insiste em nos lembrar, mesmo nos períodos de bonança, que fomos o
último país do mundo a abolir a escravidão e continuamos sendo uma
porcaria de nação que jamais fez a reforma agrária.



O MST é o espelho que reflete o que não queremos ver.

Há duas questões, na vida nacional, que contradizem qualquer discurso
político da boca pra fora e revelam qual é, mesmo, de verdade, a
tendência ideologica de cada um de nós, brasileiros: a violência
urbana e o MST. Diante deles, aqueles que até ontem pareciam ser os
mais democráticos e politicamente esclarecidos passam a defender que
se toque fogo nas favelas, que se mate de vez esse bando de
baderneiros do campo, PORRA, CARAJO, MIERDA, MALDITOS DIREITOS
HUMANOS!

O MST nos faz atentar para o fato de que em cada um de nós há um
Esteban de A Casa dos Espíritos; há o ditador, cuja existência
atravessa os séculos, de que nos fala Gabriel García Márquez em O
Outono do Patriarca; há os traços irremovíveis de nossa
patriarcalidade latinoamericana, que indistingue sexo, raça, faixa
etária ou classe social:

O MST é o negro amarrado no tronco, que chicoteamos com prazer e volúpia.

O MST é Canudos redivivo e atomizado em pleno século XXI.

O MST é a Geni da música do Chico Buarque - boa pra apanhar, feita pra
cuspir – com a diferença de que, para frustração de nossa
maledicência, jamais se deita com o comandante do zeppelin gigante.

E, acima de tudo, O MST é um assassino de laranjas!

E ainda que as laranjas fossem transgênicas, corporativas, grilheiras,
estivessem podres, com fungos, corrimento, caspa e mau hálito, eles
têm de pagar pela chacina cítrica! Chega de impunidade! Como o João
Dória Jr., cansei!

Jornalismo pungente
Afinal, foi tudo registrado em imagens – e imagens, como sabemos, não
mentem. Estas, por sua vez, foram exibidas numa reportagem pungente do
Jornal Nacional - mais um grande momento da mídia brasileira -,
merecedora, no mínimo, do prêmio Pulitzer. Categoria: manipulação
jornalística. Fátima Bernardes fez aquela cara de dominatrix
indignada; seu marido soergueu uma das sobrancelhas por sob a mecha
branca e, além dos litros de secreção vaginal a inundar calcinhas em
pleno sofá da sala, o gesto trouxe à tona a verdade inextricável: os
“agentes“ do MST são um bando de bárbaros.

(Para quem não viu a reportagem, informo, a bem da verdade, que ela
cumpriu à risca as regras do bom jornalismo: após uns dez minutos de
imagens e depoimentos acusando o MST, Fátima leu, com cara de quem
comeu jiló com banana verde, uma nota de 10 segundos do MST. Isso se
chama, em globalês, ouvir o outro lado.)

Desde então, setores da própria esquerda cobram do MST sensatez,
inteligência, que não dirija seu exército nuclear assassino contra os
pobres pés de laranja indefesos justo agora, que os ruralistas tentam
instalar, pela 3ª vez, como se as leis fossem uma questão de tanto
bate até que fura, uma CPI contra o movimento (afinal, é preciso
investigar porque o governo “dá” R$155 milhões a “entidades ligadas ao
MST”, mesmo que ninguém nunca venha a público esclarecer como obteve
tal informação, como chegou a esse número, que entidades são essas,
nem qual o grau de sua ligação com o MST: O Incra, por exemplo, está
nessa lista como ligado ao MST?).

Ora, o MST é um movimento social nascido da miséria, da necessidade e
do desespero. Eles estão em plena luta contra uma estrutura agrária
arcaica e concentradora. Não se pode esperar sensatez de movimentos
sociais da base da pirâmide social, que lutam por um direito básico do
ser humano. Pelo contrário: é justamente a insensatez, a ousadia, a
coragem de desafiar convenções que faz do MST um dos únicos movimentos
sociais de fato transgressores na história brasileira. Pois quem só
protesta de acordo com os termos determinados pelo Poder não está
protestando de fato, mas sendo manipulado. Se os perigosos agentes
vermelhos do MST tivessem sensatez, vestiriam um terno e iriam para o
Congresso fazer conchavos, não ficariam duelando com moinhos de vento,
digo, pés de laranja.

Mas é justamente por isso que o MST incomoda a tantos: ele, ao
contrário de nós, ousa desafiar as convenções: ele é o membro rebelde
de nossa sociedade que transgride o tabu e destroi o totem. Portanto,
para restituição da ordem capitalista/ patriarcal e para aplacar nossa
inveja reprimida, ele tem de ser punido. Ele é o outro.



Quantos de nós já se perguntaram como é viver sob lonas e gravetos –
em condições piores do que nas piores favelas -, à beira das estradas,
em lugares ermos e remotos, sujeito a ataques noturnos repentinos dos
tanto que os detestam? Quantos já permaneceram num acampamento do MST
por mais do que um dia, observando o que comem (e, sobretudo, o que
deixam de comer), o que lhes falta, como são suas condições de vida?

Poucos, muito poucos, não é mesmo? Até porque nem a sobrancelha
erótica do Bonner nem o olhar-chicote da Fátima jamais se interessaram
pelo desespero das mães procurando, aos gritos, pelos filhos enquanto
o acampamento arde em fogo às 3 da madrugada, nem pelas crianças de 3,
4 anos que amanhecem coberta de hematomas dos chutes desferidos pelos
jagunços invasores, ao lado do corpo de seus pais, assassinados
covardemente pelas costas e cujo sangue avermelha o rio.

Para estes, resta, desde sempre, a mesma cova ancestral, com palmos
medidas, como a parte que lhes cabe neste latifúndio.

Para a mídia, pés de laranja valem mais do que a vida humana, quero
dizer, a vida subumana de um miserável que cometeu a ousadia suprema
de lutar para reverter sua situação.

Mas os bárbaros, claro está, são o MST.

Por isso, haja o que houver, o MST é o culpado.



Postado por Maurício Caleiro às 02:18

Morreu um anarquista, ou...



Morreu um anarquista, ou...

“Nem o governo, nem pistoleiros, nem esses bandidos todos não vão conseguir acabar com a gente. Nosso povo nasceu índio, nasceu cheio de coragem, nasceu guerreiro!”

Tumbalalá

De coração partido informamos que o companheiro e amigo Chrystian Paiva, que tive a oportunidade de conhecer em Santos (SP), em meados da década de 90, de conviver, trocar idéias, compartilhar sonhos e lutas, morreu neste domingo (18), aos 34 anos, sob circunstâncias mui suspeitas, num balneário na cidade de Boa Vista, em Roraima, estado onde a taxa de mortalidade por homicídio é uma das mais altas do Brasil. Deixou dois filhos, Lennon e Gaia. E vários companheiros e companheiras, amigos e amigas. Foi enterrado ontem (20) em São Paulo, na capital.

Segundo a versão da polícia divulgada nos jornais locais ele se suicidou. Mas sua companheira, Adriana Gomes, diz que não acredita na versão oficial de que Chrystian tenha cometido suicídio.

Hoje (21) pela manhã, por telefone, ela disse indignada e aos prantos: “Nós simplesmente saímos para nos divertir com uma amiga dele que havia vindo de São Paulo nos visitar. Saímos todos juntos (Chrystian, sua amiga e eu). Nenhuma de nós duas estávamos próximas dele [na hora da morte uma estava dormindo e a outra estava tomando banho no rio]. Entramos em estado de choque, fomos maltratadas [moralmente] pela polícia, ela mais do que eu, pois ela chegou antes de mim e ficou detida. Não dá para acreditar na versão da polícia e da imprensa. Tenho plena convicção de que eles próprios atiraram nele, ele estava machucado no rosto, a mão esquerda estava machucada também. As testemunhas falam coisa com coisa e ninguém diz o que aconteceu, outros falam que os policiais atiraram nele. Não sei direito o que fazer, eu morri junto com ele, tudo um grande desastre, mas queria que me ajudassem. Estou meio transtornada".

Em 15 de fevereiro de 2009, Chrystian comentou no blog do Movimento de Organização dos Trabalhadores em Educação (MOTE): “Componho e apoio o MOTE. Apesar de afastado por motivo de saúde, e não poder participar ativamente da luta. Tenho sofrido perseguição, desconto de salário indevido, humilhações, enfim, tudo aquilo que sofre um professor nesse estado. E tudo depois de ter lutado com unhas e dentes em uma greve que resultou nesse aumentozinho miserável e não mudou a estrutura do sistema em nada… Sinto vergonha quando encontro colegas do interior que me informam que a situação está pior, muito pior… Alguns me cobram, confundindo minha figura com a do sindicato… cansei de ouvir “vocês esqueceram-se da gente… e aquele monte de coisa, ar condicionado, melhoria das escolas, etc, etc…”. Um companheiro de Mucajaí recentemente afirmou que as escolas que fotografamos continuam na mesma, acrescido, agora, da infestação por ratos… Pois bem, as escolas de ficção continuam, a merenda ruim ou inexistente continua, o assédio moral continua, a ditadura dos diretores e sua incompetência continuam, as doenças do trabalho continuam, as salas com 45 graus continuam, as progressões mal pagas continuam. Até quando agüentaremos calados todo esse inferno? Será que lutar por mais 10 ou 15% é o que basta?”.

Além da luta na educação, dos professores, eles também estavam envolvidos no movimento contra a implantação da indústria da cana-de-açúcar em Roraima, pela Biocapital, empresa paulista recém-instalada naquele estado e que deseja montar a maior usina de etanol da região amazônica. Esta empresa possui uma grande usina de biodiesel em Charqueada (SP), no interior paulista, que funciona exclusivamente com sebo bovino e tem sua cadeia produtiva manchada por crimes trabalhistas e ambientais.

Na floresta amazônica, terra cobiçada por grandes interesses obscuros e inescrupulosos - um conluio de fazendeiros, empresas e políticos -, há anos o poder promove a violência, reprime e assassina, indígenas, populares, trabalhadores sem terra, ecologistas, todos e todas que lutam incansavelmente pela Vida Plena. Há anos o capital explora e destrói a Natureza, a diversidade da Vida naquela região.

São anos de ganância, arrogância, humilhações, imposições, impunidades, injustiças... São tantos anos de “terrorismo” democráticodemercadomidiático!

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A seguir um relato que a Adriana nos enviou. Não tenho mais palavras, só dor.

Até mais, companheiro!

Passe a voz... selvagem e afiada... no fazer e no andar.

Moésio Rebouças

Não acreditamos que o professor Chrystian Paiva tenha cometido suicídio

Meu nome é Adriana Gomes, sou Professora efetiva do Estado de Roraima, e era companheira do historiador formado pela Universidade de São Paulo (USP), professor, poeta, escritor, musico, compositor e anarquista Chrystian Paiva. Desde fevereiro de 2009, durante os quase dois anos que esteve no Estado de Roraima lutamos juntos no Sindicato dos Professores (SINTERR).

No dia 17 de outubro, sábado, saímos com uma amiga libertária que veio do estado de São Paulo nos visitar, e fomos ao balneário Caçarí que fica um pouco isolado na cidade de Boa Vista, capital do Estado de Roraima. Tínhamos uma arma utilizada para nos defendermos, levamos para o passeio dentro de uma mochila, o estado é isolado e o poder está nas mãos dos latifundiários, as relações são coronelistas, e esses coronéis fazem suas próprias leis, eles são a lei, então usávamos a arma como precaução e auto-defesa. Passamos a noite do dia 17 e quando amanheceu, domingo (18), percebemos que havíamos trancado a chave dentro do carro e começamos a pedir ajuda. Enquanto esperávamos ajuda conversávamos com várias pessoas e o Chrystian estava bem, aproximadamente às 10h me afastei alguns metros do local e deitei embaixo de uma árvore a fim de descansar e dormi.

Aproximadamente às 11h, o Chrystian foi bruscamente abordado por uma guarnição da Polícia Militar, sob o comando do Subtenente Machado, e sem nenhum indício anterior que tivesse intenção de cometer suicídio em um balneário movimentado, em plena luz do dia. A polícia em sua versão disse que o mesmo cometeu suicídio. As testemunhas são controversas, Chrystian era destro e a bala que perfurou a sua cabeça entrou do lado esquerdo, a mão esquerda estava machucada, assim como estava com hematomas e arranhões no rosto. Tudo leva a crer que não teve como se defender, e se tivesse como se defender com uma arma de fogo não atiraria na própria cabeça na frente de policiais militares. Não acreditamos na versão oficial da imprensa e da polícia de que Chrystian tenha cometido suicídio.

O Professor Chrystian era anarquista aguerrido, com quase dois anos residindo em Roraima mobilizou os professores do Estado para lutar contra as más condições da Educação, o coronelismo autoritário implantado pelo Estado nas escolas e a política pelega do Sindicato dos Professores.

Passávamos noites juntos com ele enviando e-mails, criamos o MOTE (http://greveprofessoresrr.blog.terra.com.br/), e como todo bom anarquista era apaixonado pelos seus ideais e ação direta. Colecionava um grande histórico de lutas de repercussão nacional e internacional empreendida no estado onde nasceu, São Paulo, e era punk desde os 12 anos. Ficamos indignados em saber que um companheiro de luta tão importante para o movimento tenha sido vítima de uma ação de policiais truculentos, e queremos vingança.

Vamos lutar o mais que pudermos para responsabilizar os verdadeiros culpados, pedimos a ajuda de todos os amigos e companheiros de luta para divulgação regional, nacional e internacional do ocorrido.

Adriana Gomes (Professora formada na Universidade Federal de Roraima (UFRR), especialista em História Regional)

Quarta-feira, 21 de outubro de 2009, Boa Vista, Roraima, Brasil

Quando morre um anarquista

Se quebra uma lança

Uma flor seca

Choram os homens íntegros

...

Quando morre um anarquista

Algo se apaga

O ar desaparece

Se reúnem as estrelas

E o acompanham

Na última viagem

...

Quando morre um anarquista

A liberdade perde força

A justiça se afasta

A poesia se quebra

Adoece a esperança.

...

Quando morre um anarquista

Todos os párias do mundo

Morrem um pouco

A. Jimenez

agência de notícias anarquistas

Rosas

Umas rosas distantes

Nasciam pelo concreto

E como erva - dano se perdiam

A um tempo em que se esbanjavam os dias

...

Estas flores, mortas de há muito

Cuidam de estar vivas, moribundas

Em determinado lugar defunto

Que nada sabe sobre tempo

...

Ontem apaguei certas luzes,

Definitivamente,

E elas vieram atrás de mim,

Ignorantes,

Não sabiam que eu não mais era jovem

...

As luzes se apagaram de vez

As rosas se retorceram secas

O tempo tornou ao seu lugar

E busco incrédulo crer

Que rosas defuntas não vivem

Assim como luzes queimadas

Não se acendem

...


[ Chrystian Paiva – 2007 ]

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Desmatamento é consequência. Pecuária bovina é causa



19 de outubro de 2009

Do IHU On-Line

Reduzir o consumo de carne significa pensar na sobrevivência da espécie humana no planeta Terra. O alerta é de João Meirelles, presidente do Instituto de Ecoturismo do Brasil (IEB) e da ONG Peabiru, instituição que mantém o Parque Ecoturístico da Bodoquena, em Bonito, MS. Na entrevista a seguir, concedida, por telefone, à IHU On-Line, Meirelles diz que as discussões em torno do desmatamento, das mudanças climáticas e do aquecimento global devem atacar as causas, e não as conseqüências do problema. Isso significa combater a pecuária bovina extensiva, e não apenas o desmatamento. “O desmatamento não é causa de nada, ele é apenas o sintoma”, enfatiza.

Segundo ele, cerca de 40% da superfície aproveitada do planeta é ocupada pelo gado. No caso brasileiro, adverte, “a situação é muito mais grave porque dos 800 milhões de hectares do país, aproximadamente 200 milhões já são ocupados pela criação de gado”. Enquanto isso, argumenta, “a agricultura não ocupa nem 80 milhões de hectares”.

Meirelles menciona ainda que a Convenção do clima em Copenhague irá discutir apenas as consequências, e que os países que possuem florestas tropicais não têm poder de influência política. “Não tenho nenhuma esperança de que as florestas tropicais irão receber um tratamento especial em Copenhague”, lamenta. E dispara: “Não vejo nenhum movimento sério global de que isso passe a ser tratado com a atenção que merece. O debate de Copenhague está muito mais centrado na questão das cotas de carbono, e isso não chega na questão da proteção das florestas”.

João Meirelles é presidente da ONG Peabiru, uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) com a missão de gerar valores para a conservação da biosociodiversidade da Amazônia.

Confira a entrevista.

O senhor diz em o Livro de Ouro da Amazônia que a pecuária bovina extensiva destruiu a Mata Atlântica, a Caatinga, consome o Cerrado e agora também está causando problemas na Amazônia. Nesse sentido, como a criação de gado tem contribuído para agravar as mudanças climáticas e a degradação do meio ambiente?

A pecuária bovina extensiva depois da Segunda Guerra Mundial passou a ocupar uma extensão territorial no planeta muito acima do que é suportável. Hoje, segundo a FAO, cerca de 40% da superfície aproveitada do planeta estaria sendo ocupada pela pecuária bovina. No caso do Brasil, a situação é muito mais grave porque dos 800 milhões de hectares do país, aproximadamente 200 milhões já são ocupados pela criação de gado. Para entendermos a dimensão disso, a agricultura não ocupa nem 80 milhões de hectares. Esse é um fato grave, porque a maior parte territorial do país é destinada para a pecuária de corte.

Outro fator complicado é a mudança da pecuária para o Centro-Oeste e Amazônia. De 1970 para cá, existiam um milhão de cabeças de gado na Amazônia e hoje são 80 milhões e, se nada for feito, teremos 200 milhões de cabeças em menos de duas décadas. Essa é a grande preocupação. Houve um esvaziamento nos antigos estados tradicionais de produção de gado (Rio Grande do Sul e Santa Catarina) para a Amazônia, porque lá a lei não vale, e as questões ambientais, sociais e trabalhistas não são seguidas, o que gera um custo de produção muito menor.

A pecuária é uma péssima decisão da humanidade na medida em que é a proteína mais cara de se produzir e a que ocupa mais espaço territorial. Mais da metade da população do planeta não tem acesso à carne por questões de custo, mesmo quando os custos ambientais e sociais não são consideráveis. Então, temos um problema sério no planeta Terra, e não um caso específico na Amazônia.

Desmatamento

O desmatamento é um sintoma, é como medir a febre. Então, quando o governo se manifesta sobre o índice de desmatamento, ele está dizendo que “o doente está com febre”, mas ele averigua as causas. Hoje é reconhecido por diversos documentos científicos e técnicos que a pecuária bovina extensiva na Amazônia corresponde a mais de 85% do desmatamento. A soja é insignificante, não chega a 5%, e todas as outras causas juntas não somam 10% (garimpo, abertura de estradas, uso irracional da madeira). Então, o desmatamento não é causa de nada, ele é apenas sintoma. Por isso, não faz sentido combater o desmatamento. É ridículo tratar disso. Temos que averiguar porque a pecuária bovina está seguindo para a Amazônia, por que as pessoas querem consumir mais carne. Essa é a grande questão que temos de atacar; não é um tema isolado da Amazônia, é um problema mundial.

O Brasil está decidindo se será o maior exportador de carne. Essa é uma decisão de consequências enormes e não é compatível com o discurso de que precisamos conservar a Amazônia, buscar a sustentabilidade. A produção da pecuária bovina na Amazônia não chega a 100 quilos de carne ao ano por hectare. Qualquer criação de peixes chegaria a uma tonelada, tranquilamente. Isso mostra que não tem sentido ocupar 70 milhões de hectares da Amazônia para a pecuária bovina. Alguns alegam que a criação de gado corresponde apenas a 17% da floresta, mas essa área corresponde à soma dos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Então, é uma área absurda em termos de país. Tudo isso para que? Para produzir carne de baixa qualidade, clandestina? Essa é a discussão que deve permear os debates no Brasil, e não discutir se o desmatamento aumentou ou diminuiu; isso é conversa de bar.

Em que medida a substituição da floresta por pastos contribui para o aquecimento global?

O desmatamento ocorre numa sequência de três, quatro anos. As queimadas se sucedem por muitos anos e não exclusivas da Amazônia. Sabemos que, no Brasil todo, durante a seca, acontecem queimadas. Essa é uma prática barata de limpeza do pasto e preparação de área agrícola e urbana. O acúmulo de CO2 é sério, o Brasil deve queimar por ano de 60 a 80 milhões de hectares. O boi em seu processo ruminante libera bastante metano, mas quando juntamos um rebanho global de 200 milhões de cabeças e a importância do gás metano no aquecimento global, percebemos que, no fim das contas, o Brasil contribui com 5 ou 6% do aquecimento global. A maior parte dessa responsabilidade não vem das indústrias, das termoelétricas ou dos carros, e sim do desmatamento, das queimadas e da geração de metano do gado bovino. O fato de existir pastagem aumenta brutalmente a quantidade de térmitas das formigas e dos cupins. A proliferação desses animais aumenta também a digestão da matéria vegetal, o que eleva também a quantidade de metano gerado por formigas e cupins. Então, não estamos fazendo essas contas. Pensamos apenas na porcentagem desmatada, enquanto o importante é considerar os 60 milhões de hectares queimados, os 200 milhões de bois que geram metano e a quantidade de pasto que também gera uma quantidade de metano apreciada.

Os números revelam que a cota brasileira mundial estaria em torno de 70% e viria do desmatamento, das queimadas e estaria relacionada diretamente à criação de gado. Assim, podemos observar o mau uso da terra pela pecuária bovina extensiva na Amazônia como a principal causa da contribuição brasileira para o aquecimento global. Esta é uma verdade aceita, embora os números não sejam precisos.

O gado e a opção brasileira

Não há dúvidas de que 70 milhões de hectares de desmatamento na Amazônia é uma burrice. Se isso está contribuindo com 1%, 2% ou 5% para o aquecimento global, não é tão relevante para o debate. O importante é saber se o Brasil continuará transformando a Amazônia num pasto. Queremos que o país se torne apenas um exportador de carne barata? Como a humanidade sobreviverá num mundo onde tem mais espaço para boi do que para pessoas? Essas são as questões relevantes que vão nortear questões menores. Para a Amazônia, o importante é saber o que o país quer desse local. Com certeza, o elemento boi na Amazônia é muito recente, e não paramos para discutir os impactos disso. Os beneficiários desse processo são muito poucos: 20 mil famílias se beneficiam da pecuária, o que é muito pouco dentro de um cenário local de 25 milhões de habitantes. Se analisarmos toda a criação de boi, encontramos mais 400 mil famílias. A maioria se tivesse outra opção, viveria de outra atividade.

É possível contornar essa situação sem prejudicar a criação de gado, ou, de fato, o consumo terá que ser reduzido? Alteração de hábitos de consumo pode favorecer as mudanças climáticas? Qual é sua proposta nesse sentido?

Quando a sociedade vegetariana e o movimento vegetariano mundial fala em não comer carne uma vez por semana, como a campanha de não comer carne nas segundas-feiras, estão tratando da nossa sobrevivência enquanto espécie humana no planeta Terra. A FAO alerta que 40% da superfície do planeta está sendo ocupada pela pecuária, e isso avança rapidamente a 2% ao ano.

Alguns ambientalistas propõem a certificação de carne bovina nos supermercados. Em que medida isso pode ajudar a reduzir o desmatamento na Amazônia?

Essa é uma medida interessante, mas não terá impacto nenhum no desmatamento. Primeiro, porque o boi transita ilegalmente no Brasil; segundo, porque mais de 70% do gado da Amazônia é irregular e ilegal. Isso vai resolver o problema de culpa das classes altas e médias, mas não resolve o problema de fato. Esse seria um processo sofisticado, mas não temos tempo, não temos mais 30 anos para esse processo ser implementado. São necessárias medidas mais radicais. Se estão proibindo o cultivo de cana-de-açúcar na Amazônia, por que não proibir também a pecuária em diversas áreas da floresta? Por que aceitar que os frigoríficos sejam fechados no Rio Grande do Sul e abertos na Amazônia? Isso não faz sentido; está distante do mercado consumidor e inviabiliza uma economia tradicional local.

Qual a importância das florestas para amenizar os impactos das mudanças climáticas? Elas devem ganhar destaque na convenção do clima em Copenhague?

Para que haja o desmatamento zero, são necessários desincentivos muito fortes sobre a pecuária. Temos que atacar as causas; continuamos a conversar sobre consequências. Copenhague está discutindo consequências que interessam a outros países e fazem pouco sentido para o Brasil.

A maioria dos 90 países que têm florestas tropicais é pobre e sem poder de influência política. Não tenho nenhuma esperança de que as florestas tropicais irão receber um tratamento especial em Copenhague. Temos que lembrar que as florestas tropicais ocupam 4% do planeta Terra, já ocuparam 9%. Perdemos desde a Segunda Guerra Mundial metade das florestas tropicais. Não vejo nenhum movimento sério global de que isso passe a ser tratado com a atenção que merece. O debate de Copenhague está muito mais centrado na questão das cotas de carbono, e isso não chega na questão da proteção das florestas. É claro que mecanismos como esse do REDD serão importantes, mas sozinhos eles não fazem diferença. Precisamos de políticas mais contundentes, e o Brasil tem cerca de 30% das florestas tropicais do planeta, e, então, ele tem uma responsabilidade maior sobre isso. No entanto, a política pública brasileira é muito conflitante. Por um lado, se tem um incentivo a grandes estradas, hidrelétricas e uma série de grandes obras com baixo nível de debate e, ao mesmo tempo, um discurso ambientalista sem muito resultado. Então, diria que estamos no pior momento da nossa história ambiental.

Qual é sua proposta de movimento sustentável para combater as mudanças climáticas e amenizar os impactos do aquecimento global?

Teria que haver uma mudança radical no consumo. As pessoas precisam reconsiderar o seu consumo de carne. Não estou dizendo que todos devem virar vegetarianos, mas é necessário diminuir brutalmente o consumo. O consumidor também precisa passar a exigir a origem dos produtos, não só da carne, mas do arroz, enfim. Temos que fazer o movimento do quilômetro zero: os habitantes do Rio Grande do Sul devem comer arroz plantado no estado. Não tem sentido comercializar um produto cultivado em Belém do Pará, e andar 8 mil quilômetros. Esse conjunto de ofertas tem que ser repensado globalmente. A carne é a questão central do Brasil. O espaço da pecuária bovina de 200 milhões de hectares e a baixa produtividade de uma cabeça por hectare ano, o baixo nível de emprego, a ilegalidade desse modelo devem nortear uma discussão no Brasil. Temos um Congresso de pecuaristas, mas precisamos discutir a retirada do boi da Amazônia, do contrário, qualquer outro movimento em relação ao aquecimento global, perda da biodiversidade, violência no campo, desmatamento, queimadas, será irrelevante.

Será possível mudar essa cultura do consumo de carne, ainda mais no Brasil?

A mudança de cultura das pessoas deve partir de uma consciência em relação ao futuro do planeta e da vida. Os alimentos que tomam a maior parte do nosso tempo e o maior custo na nossa vida precisam ser tratados de uma forma clara. Precisamos ter consciência do que estamos consumindo. Na medida em que temos essa consciência, passamos a observar as coisas de maneira diferente. Na hora em que estamos pilotando o carrinho de supermercado, estamos decidindo o futuro do planeta; não é lá em Copenhague. O que comemos define o futuro do planeta.

Existem várias proteínas animais que são mais saudáveis e energeticamente melhores para a produção: enquanto precisa de oito quilos de cereal para produzir um quilo de carne bovina, com metade disso se produz carne de frango, peixes. A questão é repensar. Dizer que o brasileiro não irá se adaptar a reduzir o consumo de carne é uma mentira, porque a cultura é um processo adquirido. Assim, temos duas opções: ou nos adaptamos a mudar com consciência ou seremos obrigados, pelas mudanças climáticas e as pressões mundiais, a mudar. É preferível que a sociedade mude de forma espontânea, gerando renda, valores e discussões. O planeta não suporta 7 bilhões de pessoas e 40% de sua superfície dedicada à pecuária. Isso é um luxo que atende a uma minoria de menos de 1 bilhão de pessoas. O Brasil ainda tem tempo de jogar o debate para frente, mas, em outros países, essa questão é muito clara.

Nós como consumidores e seres inteligentes temos que olhar para as prateleiras dos supermercados como aquela decisão mais importante da nossa vida. O nosso ato de compra, do que a gente faz muda a história do planeta. É assim que vamos combater o aquecimento global e salvar a Amazônia da irresponsabilidade dos pecuaristas. É no conjunto de atos que reside a nossa força de mudança. Esperar que o pecuarista mude não irá acontecer no prazo em que precisamos. Não podemos nos dar ao luxo de esperar. Precisamos de tratamento de choque, sim. Teríamos que discutir se o brasileiro quer ou não o boi na Amazônia através de um plebiscito.

Fonte: MST

sábado, 17 de outubro de 2009

SEMENTES AGROECOLÓGICAS


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