domingo, 26 de julho de 2009

Poder midiático: monocultura do conhecimento...

VEJA $ GDF

O governador do DF assinou um contrato, através da Secretaria de Educação do DF, de R$ 442 mil com a Editora Abril, sem licitação, para garantir a distribuição da REVISTA VEJA NA SALA DE AULA, nas escolas públicas do DF.
Em troca, pela boa parceria comercial, a Revista VEJA publicou, nas suas páginas amarelas, uma entrevista mais do que elogiosa ao governador.

Sobre isso podemos ver informações aqui:
http://brasiliamaranhao.wordpress. com/2009/ 07/19/arruda- veja-e-o- jornalismo- me-engana- que-eu-gosto/
http://www.observat oriodaimprensa. com.br/artigos. asp?cod=544JDB00 2
http://www.sinprodf .org.br/site/ adm/imagens/ publicacao/ publicacaoPdf081 .pdf

Imagine como está sendo formado os alunos na capital brasileira...

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Jornada Nacional Unificada de Lutas



17/07/2009

Não às demissões!
Pela redução da jornada de trabalho sem redução de salários!
Em defesa dos direitos sociais!

O Brasil vai às ruas no dia 14 de agosto. Os trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade unidos contra a crise e as demissões, por emprego e melhores salários, pela manutenção dos direitos e pela sua ampliação, pela redução das taxas de juros, na luta pela redução da jornada de trabalho sem redução de salários, pela reforma agrária e urbana e em defesa dos investimentos em políticas sociais.

A crise da especulação e dos monopólios estourou no centro do sistema capitalista mundial, os Estados Unidos da América, e atinge todas as economias.

Lá fora - e também no Brasil -, trilhões de dólares estão sendo torrados para cobrir o rombo nas multinacionais, em um poço sem fim. Mesmo assim, o desemprego se alastra, podendo atingir mais de 50 milhões de trabalhadores.

No Brasil, a ação nefasta e oportunista das multinacionais do setor automotivo e de empresas como a Vale do Rio Doce, CSN e Embraer, levou à demissão centenas de milhares de trabalhadores e trabalhadoras.

O Governo Federal, que injetou bilhões de reais na economia para salvar os bancos, as montadoras e as empresas de eletrodomésticos (linha branca), tem a obrigação de exigir a garantia de emprego para a classe trabalhadora como contrapartida à ajuda concedida.

O povo não é o culpado pela crise. Ela é resultado de um sistema que entra em crise periodicamente e transforma o planeta em uma imensa ciranda financeira, com regras ditadas pelo mercado. Diante do fracasso desta lógica excludente, querem que a Classe Trabalhadora pague pela crise.

A precarização, o arrocho salarial e o desemprego prejudicam os mais pobres. Nas favelas e periferias. É preciso cortar drasticamente os juros, reduzir a jornada de trabalho sem reduzir salários, acelerar a reforma agrária e urbana, ampliar as políticas em habitação, saneamento, educação e saúde, e medidas concretas dos governos para impedir as demissões, garantir o emprego e a renda dos trabalhadores.

Com este espírito de unidade e luta, vamos realizar, em todo o país, grandes mobilizações.

NÃO ÀS DEMISSÕES!
PELA RATIFICAÇÃO DAS CONVENÇÕES 151 E 158 DA OIT!
REDUÇÃO DOS JUROS! FIM DO SUPERÁVIT PRIMÁRIO!
REDUÇÃO DA JORNADA SEM REDUÇÃO DE SALÁRIOS E DIREITOS! REFORMA AGRÁRIA E URBANA, JÁ! FIM DO FATOR PREVIDENCIÁRIO! EM DEFESA DA PETROBRÁS E DAS RIQUEZAS DO PRÉ-SAL!
POR SAÚDE, EDUCAÇÃO E MORADIA! POR UMA LEGISLAÇÃO QUE PROÍBA AS DEMISSÕES EM MASSA! PELA CONTINUIDADE DA VALORIZAÇÃO DO SALÁRIO-MÍNIMO E PELA SOLIDARIEDADE INTERNACIONAL AOS POVOS!***

Organizadores:

CGTB, CTB, CUT, FORÇA SINDICAL, NCST, UGT, INTERSINDICAL, ASSEMBLÉIA POPULAR, CEBRAPAZ, CMB, CMP, CMS, CONAM, FDIM, MARCHA MUNDIAL DAS MULHERES, MST, MTL, MTST, MTD, OCLAE, UBES, UBM, UNE, UNEGRO/CONEN, VIA CAMPESINA, CNTE, CIRCULO PALMARINO.
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Assentados protestam contra o fim do curso de direito em Goiás

20/07/2009

NOTA DE PROTESTO


É com profundo sentimento de indignação e revolta, que vimos nos pronunciar. Por motivo da preconceituosa e frustrante decisão da Justiça Federal de Goiás, proferida no dia 15 de junho deste ano, que por meio de ação civil pública proposta pelo Ministério Público Federal de Goiás, movida em face do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária -
INCRA e da Universidade Federal de Goiás - UFG, determinou a extinção da Turma de Direito para Assentados da Reforma Agrária e Agricultores Familiares Tradicionais.

Sob a alegação de desvio de finalidade no emprego dos recursos do PRONERA, e afirmando que tal fato lesa o patrimônio social, e ainda que, não existe previsão legal de tratamento diferenciado aos beneficiários da Reforma Agrária, a aludida decisão pondera de forma extremamente agressiva que, a existência de nossa turma desrespeita os princípios
constitucionais da igualdade, isonomia e razoabilidade.

A parceria entre UFG e INCRA, firmada oficialmente no ano de 2007, a qual deu origem a nossa turma, surgiu a partir da luta dos movimentos sociais e diversos parceiros que buscam, historicamente, a efetivação dos direitos fundamentais da classe trabalhadora - do campo e da cidade - em todo o Brasil. Baseados na necessidade, mais que urgente, de se levar educação superior em diversas áreas do conhecimento, aos trabalhadores rurais, por meio de políticas públicas que visam a superação das, históricas e tão presentes, desigualdades sociais de nosso país.

No dia 17 de agosto de 2007, o Exmo. Ministro do STF, Dr. Eros Roberto Grau, proferiu a aula inaugural do nosso curso, composto por 60 alunos advindos do meio rural e, originários de 19 estados da federação brasileira. Ocorrendo nesta solenidade de abertura, em meio a Cidade de Goiás-GO, o estabelecimento de um marco na história do ensino jurídico
no Brasil.

Desde o momento em que iniciamos o curso, somos alvo de ataques promovidos por sujeitos contrários à presença de trabalhadores e trabalhadoras rurais na universidade pública. Fazendo tudo isso de forma não menos violenta do que a utilizada para defender a grilagem e a concentração da
terra. Tais sujeitos externam sua reação agressiva sempre fazendo uso da grande mídia e de agentes de instituições estatais, como o Ministério Público Federal e o próprio Judiciário.

Atualmente, apesar da sentença extintiva, encerramos o 4º semestre letivo do curso de direito na compreensão de que nada do que está sendo feito contra nossa turma terá sustentação duradoura, vez que, fere ao mesmo tempo, a razão de Estado Democrático Social de Direito.

Mesmo na situação de política pública de educação, o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária - PRONERA, apesar de tantos resultados importantes desde sua criação, vem sofrendo desde 1998, absurdas reduções orçamentárias. Passando a representar um grave retrocesso, naquilo que deveria ser um meio de potencializar tanto o
acesso, quanto a qualidade de ensino ao público da Reforma Agrária.

O sucateamento do PRONERA, assim como a supressão da nossa turma, representa sério prejuízo a tudo o que a sociedade, sobretudo a classe trabalhadora do campo, conquistou até hoje. Devendo ser urgentemente observado com mais responsabilidade pelo poder público.

O acesso de trabalhadoras e trabalhadores assentados à educação formal em cursos superiores de graduação em direito coaduna claramente com os objetivos gerais e específicos do PRONERA, visto que, este se propõe a
garantir aos assentados (as) escolaridade/formação profissional, técnico profissional de nível médio e curso superior em diversas áreas do conhecimento.

Na presente perspectiva torna-se mais relevante, do que discutir se o ofício de um bacharel em direito é ou não desenvolvido no campo, observar com mais sensibilidade o quanto todo seguimento segregado pela estrutura social vigente, respectivamente, o trabalhador e a trabalhadora
rural, necessita de forma concreta do profissional da área jurídica. Seja na demanda fundiária, previdenciária, administrativa, cooperativista ou outras. Pois o assentado e a assentada não se fixam na terra por mera distribuição desta, mas no intuito de que seus direitos e interesses
fundamentais sejam alcançados da mesma forma que qualquer outro cidadão objetiva. Nesse contexto a existência da turma não se desvincula da finalidade do PRONERA, menos ainda, da Reforma Agrária que busca
alcançar, dentre inúmeras metas, o pleno desenvolvimento do homem do campo, atendendo diretamente ao que sugere o princípio constitucional da dignidade da pessoa humana.

Ademais, nossa turma de direito se resume em muito mais que uma política de Ação Afirmativa de simples reserva de vagas na universidade. Seguramente representa um simbólico impulso rumo à universalização do acesso ao ensino público superior.

A igualdade, no que diz respeito, ao acesso e permanência na escola (art. 206, I, CF e art. 3º, I da lei n.º 9.394/96), significa uma igualdade moral, de sorte que, partindo da idéia de que a educação é direito de todos e dever do Estado, constitui incumbência moral do Estado reconhecer
que as classes marginalizadas social e economicamente, são, de forma jurídica, portadoras dos mesmos direitos que provêem do Poder Público e que definem sua dignidade como pessoa humana. Não devendo, nesse caso, em hipótese alguma, haver razão para confundir a iniciativa da turma de
direito como um privilégio ou meio de exclusão, mas basicamente o contrário.

Prova disso, o fato de ter configurado-se há muito mais tempo do que se imagina, a carência de maior atenção do Estado para com os trabalhadores e trabalhadoras rurais. Sendo mais verdadeira ainda tal afirmação, quando verificamos todos os anos, os índices gerais e regionais de escolaridade do povo brasileiro, já que se constata através daí, que sem as políticas públicas de criação de oportunidades de acesso a educação em todos os níveis e áreas do conhecimento, houve
nada mais que um agravamento expressivo da situação. E que por isso, também, devemos tratar como medida de imposição e violência institucionalizada todos os atos que, dessa maneira, como está sendo a sentença em debate, visam extinguir as poucas medidas existentes com o
papel de realizar a inclusão e a abrangência cada vez maior de outros excluídos que se encontram em situação idêntica ou inferior.

A igualdade de todos perante a lei, reconhece, dentre outras coisas, que as desigualdades existem. Pressupondo claramente, que deverão ser tratados de forma desigual aqueles que encontram-se em situação de desigualdade, como meio de superação dos desníveis sociais. Simplesmente por tudo que revela esse último ponto, já mostra-se absurdamente insustentável, tanto moral quanto juridicamente, toda e qualquer atitude de reação que venha
contra o direito de estudar direito dos trabalhadores e trabalhadoras rurais.

Convém citar o interessante questionamento do presidente do INCRA Rolf Hackbart:

"A quem interessa inviabilizar o acesso à educação? A quem interessa fechar salas de aula? Por que em vez de decidir pela extinção desses cursos não se sugere resolver eventuais problemas legais que existam? Há um preconceito raivoso contra movimentos sociais e contra setores da sociedade. As oligarquias do País se perpetuam e uma das formas é não
permitir o acesso à educação".

Diante disso, nós como membros da turma em questão, e principais afetados por esse meio de violência - tal qual foi a decisão - nos sentimos com o total dever de repudiar não somente o ato jurisdicional, como também o sucateamento do PRONERA e da própria universidade pública.

Fonte: MST

sexta-feira, 17 de julho de 2009

“Ler e escrever são formas de subversão”



17/07/2009

Durante este mês de julho e agosto, dezenas de Sem Terra se reúnem em Teresina, no Piauí, para a segunda etapa do curso de Licenciatura em Artes, que acontece no Centro Paroquial do Parque Piauí. A primeira ocorreu entre março e abril do ano passado. Este é mais um curso realizado a partir do Programa Nacional de Educação para Reforma Agrária (Pronera).

Os cursos, acompanhados pelo MST através do Pronera adequam-se metodologicamente à realidade do homem do campo. Como o primeiro curso de Licenciatura em Artes, com abrangência nacional, desenvolvido pelo movimento, em parceria com a Universidade Federal do Piauí (UFPI). Ele é considerado nacional porque participam estudantes do Brasil inteiro: Rio Grande Sul, do Paraná, Espírito Santo, São Paulo, Bahia, Sergipe, Pernambuco, Paraíba, Ceará, Piauí, Maranhão, Alagoas e o Pará.

Apesar do longo espaço de tempo entre um período e outro, a carga horária é a mesma da UFPI. A diferença é que a graduação se estrutura com base na pedagogia da alternância.

A pedagogia da alternância

“Ocupar terra não é só eu ter um pedaço de chão é ter as condições dignas de se viver. É ter escola. Mas que escola? A gente não quer só um espaço onde possa ter uma sala de aula”. É assim que Ana Emília, acompanhante pedagógica do MST, contesta o atual modelo educacional das escolas e universidades e explica o que o movimento vem construindo há 25 anos como política de educação no campo.

Ana Emília explica que, para o trabalhador rural existe uma outra dinâmica que tem que ser vivenciada e tem que ser respeita. Por exemplo, dentro dos ciclos agrícolas, como é que você vai tirar o trabalhador da época do plantio, pra poder botar ele na escola? “Ou ele deixa de plantar ou ele deixa de estudar. Não da pra a gente ser tão: ‘Isto, isso, ou aquilo’. Daí a gente incorpora toda uma discussão dessa dialética, dessa compreensão maior. O trabalhador, o agricultor ele precisa trabalhar pra a gente ter o que comer, pra quem está na cidade também ter que comer. Mas, ele também precisa vivenciar a escola”.

O tempo escola

Portanto, a pedagogia da alternância passa por essa dimensão dos tempos, o tempo escola e o tempo comunidade. O primeiro, é o momento vivenciado, intenso, a partir dos módulos, correspondente a carga horária de um período. Os alunos assistem às aulas de manhã e à tarde. À noite, eles participam de um processo de organização interna. “Nas áreas de assentamento e acampamento a gente está organizado a partir de núcleos de famílias, brigadas e regionais, dentro de um processo democrático, onde tem as representações e tudo. No curso, a gente traz essa mesma dinâmica para ser vivenciada”, esclarece.

O curso possue seis núcleos. Em cada um deles, os estudantes escolhem uma pessoa para coordenar, outra para fazer relato dos debates dentro do núcleo, que é o processo de leitura e de estudo, e outras que vão participar das equipes que vão construir a gestão do curso. “Então, eles também são responsáveis pelo todo do curso, e esse é um processo de formação muito maior, que aí você não tem só a escolarização do saber, ler, escrever e aplicar a técnica. Eles passam a construir as dinâmicas, a coordenação do curso e a participar da gestão”, complementa.

O tempo comunidade

O tempo comunidade é para além de pensar no ciclo agrícola e do trabalho. Ele serve para o exercício da prática. Ana Emília explica que os alunos vão associar todo um processo de conhecimento. Os alunos levam diversos textos para ler, realizam intervenções dentro da comunidade e voltam com trabalhos de pesquisa, a partir dessas vivências.

“A gente sempre trabalha com essa relação teoria e prática permanente. A partir do olhar da realidade, eu detecto um problema. Quando eu tenho uma teoria que pode me ajudar a enxergá-lo, então posso voltar com outras possibilidades de leitura sobre o problema da minha comunidade”, argumenta.

O corte na educação

Segundo Ana Emília, a demanda de acampamentos e assentamentos é permanente, pois todo período tem mais gente mobilizada no MST. Só em Pernambuco, são mais de 40 mil famílias assentadas. “Se você tem esse número de famílias, quantos jovens, adultos, crianças, vão precisar vivenciar a profissionalização”?

Nesse embalo, Emília ainda questiona: por que o corte de 72% no orçamento do Pronera? Por que o poder público se utiliza da burocracia para coibir a contratação de novos projetos? E responde em seguida: “Porque você cancela um processo de formação contínuo da classe trabalhadora e, muito mais, do homem do campo”.

Devido a isso, no dia 8/6, o MST fez uma mobilização nacional. Foram feitas ocupações dentro das sedes do Incra, tanto pelo corte quanto pela pressão para a contratação dos projetos de novos cursos que já estão articulados. “Lá em Pernambuco, a gente fez uma ocupação-escola. Porque ocupar não é só o ato de chegar lá, sentar e tomar um prédio. Que debate a gente faz? Qual é a nossa pauta para com essa instituição? Então a gente foi lá, montou uma sala de aula, levou quadro, levou caderno, levou cadeira e discutiu essas questões”.

Subversão

“Uma vez saiu uma reportagem muito ácida dizendo: ‘Como é que gente da mão grossa quer ser doutor’. É negado o tempo todo à classe trabalhadora o direito de viver a educação no Brasil. É esse o embate que a gente sofre. Existe uma luta de classe imposta e é esse o nosso papel, superar essa relação”.

A pernambucana diz ainda que a criminalização do MST afeta diretamente o campo educacional da base do movimento. “À classe trabalhadora, nunca foi dado o direito de escrever sua história, então ler e escrever é uma forma de subversão. E aí, arcar com o impacto disso, é muito forte. Fazer Reforma Agrária não é fácil”.

Fonte: MST

Os Camaradas: campanha de solidariedade ao MST



16/06/2009 - Ao longo destes 25 anos de existência, o MST sempre contou com a solidariedade de milhares de homens e mulheres que acreditam na luta pela Reforma Agrária e pela transformação social.

Há alguns anos, o artista plástico Gershon Knispel se propôs a fazer uma coleção de gravuras, mesclando a saga da luta dos povos, desenhos de Oscar Niemeyer e a luta pela Reforma Agrária. Simbolicamente, em nosso aniversário, nos presenteou com uma série de 20 gravuras como parte de sua contribuição ao MST.

A partir deste gesto tão grandioso, estamos desenvolvendo uma Campanha de Solidariedade ao MST, que tem como objetivo angariar fundos para nossa organização, com a venda de uma coleção com 10 reproduções dessas gravuras.

Contamos mais uma vez com o apoio e solidariedade de todos os amigos, amigas do MST e admiradores de belas obras de arte, em mais esta campanha que certamente nos ajudará a seguir realizando nossas atividades em várias frentes, especialmente nos campos da educação, formação e cultura.

O AUTOR

Gershon Knispel, radicado no Brasil, nasceu em Koln, na Alemanha, em 1932. Aos três anos de idade foi com os pais para a Palestina, fugindo do nazismo. É artista plástico, comunista e militante da luta contra a ocupação da Palestina pelo exército de Israel. Já expôs suas obras em importantes museus da Rússia, Alemanha, Israel, Brasil e outros países. Recebeu prêmios na Alemanha e em Cuba. Gershon Knispel também é articulista da revista Caros Amigos.

Para saber como adquirir a coleção, entre em contato conosco por meio do endereço eletrônico oscamaradas@mst.org.br, ou pelo telefone (11) 2131-0880.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Adeus a Jeanine Felfili Fagg



Aos 52 anos, faleceu na tarde dessa segunda (13) a professora Jeanine Maria Felfili Fagg, vítima de acidente vascular cerebral. Ela era professora do Departamento de Engenharia Florestal da Universidade de Brasília (UnB) desde 1983 e reconhecida por sua luta em favor do meio ambiente e do Cerrado. Iniciativa de Felfili, o prédio do Centro de Referência em Conservação da Natureza e Recuperação de Áreas Degradadas da UnB deve ficar pronto este ano.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Carta aberta do eco-anarquista estadunidense Hugh Farrrel




Hugh Farrell foi preso no dia 24 de abril de 2009, juntamente com Gina “Tiga” Wertz, acusados de formação de quadrilha por publicamente se organizarem contra a polêmica megarodovia I-69. As acusações pesam um máximo de 12 anos de prisão. O apoio ainda é indispensável, incluindo fundos, já que menos de um terço do total dos custos legais estimados em 30.000 dólares foi arrecadado até agora. Esta é a primeira declaração pública desde que foram presos.]

Para todos meus amigo/as e companheiro/as,

Nas oito semanas desde a nossa prisão, tenho me sentido mais coberto pela solidariedade de vocês do que pela perseguição do Estado. É como deveria ser, e freqüentemente me sinto incapaz de expressar o quanto sou grato pelas diversas iniciativas e esforços de levantamentos de fundos que tantos de vocês têm empreendido desde então.

Durante alguns momentos de isolamento, das vezes quando a repressão está tão palpável que mal posso respirar, as ações que muitos de vocês estão fazendo me mantêm firme e forte: as cartas, os abraços, as palavras inteligentes e carinhosas que têm sido ditas ou estão circulando. Apesar dos esforços das autoridades, permaneço como parte dos meus pares, das minhas comunidades.

Não devemos esquecer que são estas comunidades, estas relações e conexões, que estão realmente sob ataque, e de uma maneira ainda mais coordenada e sórdida. O Estado está criando uma maneira de tirar o foco da atenção quando clama que as manifestações espetaculares ou a desobediência civil são os maiores obstáculos para a construção da I-69. O que o Estado teme são as reuniões coletivas onde muitas pessoas podem sentar-se juntas para começar, por mais que incomodamente ou dolorosamente, a fazer senso de um projeto rodoviário que nenhum leigo jamais pretenderia se dar conta. O Estado teme estes momentos quando as pessoas jovens, marginalizadas, como eu, das cidades ou dos subúrbios e aparentemente desiludidos com tudo, começam a irromper de nossa isolação imposta e auto-imposta. Eles temem quando começamos a conversar com pessoas muito diferentes de nós, de nossos círculos, com camponeses e outros, sobre os impactos diferentes e similares que a I-69 terá sobre as nossas vidas.

É este potencial para a comunicação que está sob ataque, que a polícia chama de “formação de quadrilha”. Quando eles dizem “conspiração”, eles estão se referindo à nossa capacidade de respirarmos juntos.

Especificamente este é o porquê de eu estar tão agradecido a todos vocês, aqueles que eu já conheço e aqueles que ainda não conheci: todas estas potencialidades estão agora mais vivas em mim do que antes da prisão. Não me entendam mal, a repressão já tem exigido um custo alto. Ser legalmente capturado pelo Estado tem cortado muitos de meus relacionamentos, especialmente aqueles com pessoas socialmente mais distantes de mim, principalmente porque grande parte do meu tempo é gasto lidando com as questões legais. Esta é, é claro, uma das metas da repressão, e é um problema que ainda não me dirigi. Além do mais, outras pessoas têm sido sujeitas de perseguição ao meu lado – Tiga, é claro, as 16 acusações com os bloqueios atuais, Chad Frazier que foi sentenciado há dois meses pela resistência à I-69 (e que agora está livre novamente!), e muitas outras, em lugares mais distantes e envolvidas em “outras” lutas onde estão sendo pegas em similares batidas, vigilância, e acosso governamental.

Deixe-me também escrever sobre algumas atualizações processuais pessoal. Contratei os serviços dos advogados que confio para lidar com as dimensões legais do meu caso. Igualmente, três semanas atrás, Tiga fez o mesmo, com uma empresa diferente. Isto significa que a vasta quantidade de dinheiro levantada desde que nós fomos afiançados tem ido para as nossas despesas judiciais, uma situação que, infelizmente, continuará pelos meses ou anos seguintes já que os custos processuais continuarão subindo. Em geral, minhas condições de fiança não têm sido muito onerosas; ter pedido permissão da corte para deixar Indiana é a restrição mais desafiante, já que isto torna mais difícil de ver as pessoas que amo.

Tem havido um enorme bloqueio de notícias sobre o nosso caso. Tanto que encontrei pessoas que acreditam que a história toda é somente um boato na internet ou um apelo por atenção. Aparentemente, lembrando a mídia, “que o que aparece é real, e o que é real deve aparecer”. Este é um óbvio ponto de partida da estratégia policial que em outros casos similares, onde prisões e batidas foram acompanhadas por um frenesi jornalístico. Nestas situações, a saturação da mídia e o escrutínio foram empregados como armas poderosas contra o/as acusado/as, assim nós podemos assumir que há razões específicas de não termos sofrido isso, ainda.

Desta forma, acredito ser muito importante se opor a este silêncio deliberado, chamando atenção e visibilidade ao caso, especialmente em seus elementos mais embaraçosos. É possível alcançar isto através de diversas maneiras, que lancem um holofote sobre a repressão na medida em que aparece no Medo Verde e no sistema carcerário como um todo, e não somente em nosso caso. E isto pode ser alcançado através de uma maior criatividade, ao invés de somente enviar comunicados de imprensa.

Freqüentemente se esquece que estas transmissões são em si mesmas um projeto. Neste ponto, os extremos de silêncio e as conversas sem sentido são as pré-condições para a repressão contra Tiga e eu, além de ser a base para a repressão contra os estratos sociais inteiros que estão sendo tarjado ao encarceramento. Daí, a pré-condição para socialmente responder à opressão deve ser um esforço coletivo para criar o espaço e a capacidade para comunicações reais (e encontros com diversos outros).

Existem muitas formas de você contribuir efetivamente com a nossa defesa. Levantar fundos tem sido muito útil e continuará a ser importante. Mas, além disso, uma dimensão mais importante de solidariedade é continuar aprofundando e estendendo os relacionamentos e as discussões sobre este caso. As acusações apresentadas contra Tina e eu são uma tentativa de espalhar o silêncio e o isolamento. Vamos evitar isto a todo custo. Respirando com você,

Hugh Farrell

25 de junho de 2009

Contato: freetigaandhugh@mostlyeverything.net

Mais infos: http://mostlyeverything.net/index.html

Tradução > Marcelo Yokoi

agência de notícias anarquistas-ana

Vento de inverno -
Sob o mesmo cobertor
família reunida.

João Toloi

quarta-feira, 8 de julho de 2009

ASSEMBLÉIA!!!




MOVIMENTO PRÓ MORADIA AMBIENTAL EM BRAZLANDIA
QUARTA-FEIRA 08/07/09AS 19:00 HORAS
NA PRAÇA DA BÍBLIA .

ABRAÇOS
MAG MARY

terça-feira, 7 de julho de 2009

Resistência popular contra o golpe militar fascista nas Honduras



Para acompanhar os acontecimentos:

Rádio Liberada ( radio clandestina das Honduras): aqui

http://radioprogresohn.com/ - ouvir online aqui

http://radioeslodemenos.blogspot.com/

http://www.radioglobohonduras.com/

http://chiapas.indymedia.org/

http://unionsl.blogspot.com/

http://hondurasresists.blogspot.com/

http://www.hondurasgolpeada.net/

http://hondurasenlucha.blogspot.com/

http://hablahonduras.com/

http://resistenciahondurena.blogspot.com/

http://porhonduraslibre.blogspot.com/

http://laluchasigue.org/

http://upsidedownworld.org/main/content/category/5/23/46

http://contraelgolpedeestadohn.blogspot.com/



OUTROS MEIOS QUE ESTÃO TAMBÉM A ACOMPANHAR OS ACONTECIMENTOS:

http://oclibertaire.free.fr/spip.php?article590
http://oclibertaire.free.fr/spip.php?breve157
http://amerikenlutte.free.fr/index.php



Telesur: http://www.telesurtv.net
Alba TV http://www.albatv.org:80/
Aporrea: http://www.aporrea.org/
Agencia Bolivariana de Noticias: http://www.abn.info.ve
Prensa Latina: http://www.prensa-latina.cu/
ANMCLA Corresponsalía Honduras:
http://www.medioscomunitarios.org/honduras/
Asociación Latinomerica de Educación Radiofónica:
http://www.aler.org/

Diario Nuestro País Costa Rica: http://www.elpais.cr/

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Pesquisa da UnB aponta problemas no uso de agrotóxicos no DF e região


O uso indiscriminado de agrotóxicos é prejudicial para consumidores e trabalhadores da agricultura

Um pesquisa desenvolvida por alunos do curso de farmácia da Universidade de Brasília (UnB), sob a orientação do professor Luis Isamu Barros Kanzaki, apontou graves falhas na utilização de agrotóxicos em fazendas do Distrito Federal. A pesquisa também apontou diversos problemas na segurança dos trabalhadores rurais do DF.

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) agrotóxicos são produtos e agentes de processos físicos, químicos ou biológicos, destinados ao uso nos setores de produção, no armazenamento e beneficiamento de produtos agrícolas cuja finalidade seja alterar a composição da flora ou da fauna, a fim de preservá-las da ação danosa de seres vivos considerados nocivos. O emprego de agrotóxicos tem implicado em problemas relacionados à contaminação ambiental e à saúde pública. O uso abusivo de agrotóxicos no processo produtivo da agricultura brasileira, seu impacto para a saúde e o meio ambiente, tem natureza complexa e envolve aspectos biossociais, políticos, econômicos e sócio-ambientais. Da redação do clicabrasilia.com.br.

Os defensivos agrícolas ou agrotóxicos constituem uma categoria especial de insumos que promovem benefícios indiretos à produtividade, uma vez que o objetivo de sua utilização é o de evitar a perda nas safras, causada pelo ataque prejudicial de pragas e doenças às culturas. De fato, a existência de agroecossistemas e monocultivos para atender à enorme demanda por alimentos é necessária, porém essas modalidades de produção agrícola favoreceram o aparecimento de pragas, doenças, ervas daninhas e microrganismos. Esse desequilíbrio traz sérios problemas para a produção agrícola de alimentos, obrigando ao uso de métodos artificiais como pesticidas, fertilizantes e outros.

Os trabalhadores, principalmente no campo estão expostos maciçamente aos agrotóxicos, assim como a população em geral por meio do consumo de alimentos contendo resíduos destas substâncias tóxicas ou associação de substâncias. A exposição pode ocorrer por diferentes vias, de forma direta ou indireta, por inalação, ingestão ou por contato com a pele. Estudos também descrevem a transferência de pesticidas em plantas, os quais mostram modelos de absorção de plantas que permitem a previsão da acumulação, translocação e transformação do contaminante nas partes comestíveis de plantas, que representam a principal entrada de pesticidas na cadeia alimentar.

A toxicidade dos pesticidas, tanto no nível genético quanto no metabólico, ainda não foi adequadamente descrita. Dados recentes da Organização Internacional do Trabalho/ Organização Mundial da Saúde estimam que, entre trabalhadores de países em desenvolvimento, os agrotóxicos causam anualmente 70 mil intoxicações agudas e crônicas que evoluem para óbito. E pelo menos 7 milhões de doenças agudas e crônicas não-fatais, devido aos pesticidas.

O mercado de defensivos agrícolas é subdividido em três segmentos: inseticidas (incorporando-se a este os segmentos de acaricidas e formicidas), fungicidas e herbicidas. Este mercado caracterizou-se por uma forte expansão nas últimas duas décadas, em que os diversos ritmos de crescimento dos segmentos de mercado foram devidos a fatores como: diferentes composições estruturais da demanda, políticas governamentais e sucesso ou fracasso das estratégias mercadológicas das empresas.

Dada a dinâmica dos agrotóxicos no ambiente e sua relevância no contexto da saúde das populações, a definição de diretivas e regulamentações governamentais acerca da produção, comercialização e uso desses produtos deve ser conduzida com devido rigor. Um controle importante é o monitoramento dos cuidados que estão sendo tomados na aplicação dos defensivos agrícolas, já que pesquisas revelam que muitos usuários de agrotóxicos aplicam doses acima das recomendadas pelo fabricante, pensando que com isso evitam riscos de perda. Também se sabe de outros procedimentos inadequados, como colher os produtos agrícolas antes da data prescrita ou até mesmo utilizar um agrotóxico que não seja recomendado ao plantio em questão

SEGURANÇA AINDA É PRECÁRIA
Conforme denunciam os resultados obtidos pela pesquisa da UnB, a utilização integral dos equipamentos de proteção individual (EPIs) no momento da administração dos agrotóxicos não é ainda um aspecto generalizado na rotina dos trabalhadores rurais que os utilizam em suas lavouras. Embora a maior parte dos entrevistados tenha citado o uso do EPI como sendo um dos principais cuidados tomados em relação aos agrotóxicos houve um índice considerável de respostas negativas quanto à questão do seu uso habitual e adequado.

Outro dado contraditório diz respeito ao fato de que quase a totalidade de produtores agrícolas entrevistados ter afirmado que observa as normas e tem conhecimentos suficientes acerca dos riscos e orientações de uso dos agrotóxicos. Mesmo assim, conforme já exposto, o uso rotineiro do EPI não corresponde à porcentagem de entrevistados que diz ler as instruções. Da mesma forma, grande parte dos entrevistados relatou não acreditar no poder extremamente tóxico dos agrotóxicos, justificando a não utilização do EPI com base no suposto desconforto da vestimenta, e dizendo não se preocupar com os riscos provenientes de uma intoxicação, já que eles acreditam que essa intoxicação não seja comum.

O conhecimento de formas alternativas de controle de pragas por meio de métodos naturais não foi encontrado com uma alta frequência nas propriedades visitas. Considera-se que informações a respeito de formatos naturais distintos de controle de doenças e demais pragas não seja bastante difundida embora sejam diversas.

O principal aspecto a ser considerado proveniente dos resultados obtidos é a falta de informação dos aplicadores quanto a questões relativas à segurança, riscos e modos de usar dos defensivos agrícolas bem como a metodologias alternativas de intervenção contra as pragas, métodos estes que são passíveis de reduzir em muito os gastos com agrotóxicos, que se provaram elevados dentre as unidades agrícolas visitadas, bem como reduzir a agressão ao meio ambiente e à saúde humana e animal.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Correio Brazilliense e GDF, relações suspeitas

IMPRENSA & GOVERNO



Venício A. de Lima

Num domingo, 8 de março de 2009, o Correio Braziliense, principal jornal do Distrito Federal, dedicou duas páginas (uma delas a capa) do seu caderno "Cidades" a ampla matéria na qual encampava publicamente a posição de porta-voz do Governo do Distrito Federal (GDF) contrária à anunciada greve dos professores da rede pública de ensino. Os professores reivindicavam o cumprimento de um acordo salarial (ver aqui e aqui).

O título principal da matéria era "Greve sem causa" e uma coluna encimada pela retranca "Visão do Correio", intitulada "Crime de lesa-futuro" fazia, dentre outras, as seguintes afirmações: que a ameaça de greve era descabida; que o reajuste salarial ultrapassava os limites do bom senso; que não se apelava ao idealismo dos professores, mas ao profissionalismo e concluía:

"Há muito o GDF deixou para trás a idéia ultrapassada de que o magistério é sinônimo de sacrifício. Não é. Trata-se de atividade essencial para formar cidadãos, preparar mão de obra qualificada e dotar o país de elite indispensável para a construção do futuro. A responsabilidade da função impõe direitos e deveres. São os deveres - exigidos de qualquer trabalhador - que os professores querem ignorar. É crime de lesa-futuro."

O leitor atento certamente terá notado, à época, que contrariamente às regras elementares e básicas do jornalismo, a longa matéria opinativa do Correio Braziliense, além de defender um dos lados, isto é, não ser isenta, omitia inteiramente o "outro lado" envolvido na disputa: os professores não foram ouvidos, simplesmente não aparecem na matéria para explicar ou defender sua posição.

Notícias (?) em sala de aula

Menos de quatro meses depois, no dia 22 de junho, o mesmo Correio Braziliense anuncia também em seu caderno "Cidades", página 23, sob a retranca "Educação" e o título "Notícias em sala de aula" (a matéria foi reproduzida no sítio do próprio GDF sob o título "SEDF e Correio lançam projeto para incentivar leitura e escrita na rede pública", ver aqui), que 7.562 exemplares do jornal serão distribuídos todos os dias, "até o fim de 2009", a professores e alunos de 199 escolas urbanas e rurais da rede pública de ensino do DF.

Em sugestiva resposta a pergunta feita pelo jornal, o secretario de Educação do GDF informa:

Se o senhor fosse professor, o que faria com o jornal em sala de aula?

Eu olharia o caderno de `Cidades´ e tentaria identificar nas notícias o que tem a ver com a cidade do aluno e o que dali é possível demandar. Seguramente, esse é o primeiro ponto, por causa da proximidade. Estou tratando de uma coisa que está muito próxima de mim. E depois de pegar o cotidiano de todo o DF, podemos analisar o do Brasil e do mundo."

A matéria - seria possível chamá-la de "notícia"? - no entanto, omite informações fundamentais. Por exemplo: não se sabe se teria sido realizada uma licitação; qual o valor do acordo (contrato?); e se os professores e/ou os alunos da rede pública foram ouvidos. E mais: se houve alguma discussão sobre a conveniência pedagógica de acordo (ou contrato?) desse tipo.

Os professores da rede pública do GDF, por outro lado, por meio de seu sindicato, reagiram à assinatura do convênio e perguntam no seu site (ver aqui):

"Como podemos confiar na opinião do mesmo jornal que, no dia 8 de março deste ano, na abertura do mesmo caderno `Cidades´, publicou como visão do Correio um minieditorial com o indignante título de `crime de lesa-futuro´. Crime esse que nós, professores, cometeríamos se tomássemos a atitude `descabida´ (sic) de entrar em greve para fazer valer nossos direitos?"

Interdependência histórica

As relações históricas de interdependência entre o Estado e a mídia no Brasil são por demais conhecidas. Elas se materializam através de subsídios, empréstimos bancários, financiamentos oficiais, isenções fiscais, publicidade legal obrigatória ou publicidade oficial. Uma manifestação mais recente dessa interdependência é exatamente a compra volumosa - e sem licitação - de material considerado didático.

Compras desse tipo, agora em ano pré-eleitoral, já foram detectadas nos estados de São Paulo e Goiás e na prefeitura do município de São Paulo (ver "Globo e Abril agradecem", na Revista do Brasil nº 34, de abril de 2009; e, neste Observatório, "A privatização subjetiva da educação pública"). Há, inclusive, uma representação feita junto ao Ministério Público questionando os contratos firmados entre o estado de São Paulo e o Grupo Abril (ver aqui).

O acordo (contrato?) agora anunciado entre o GDF e o Correio Braziliense significa que cerca de 16% da tiragem média do jornal em dias úteis estão vendidas "até o fim de 2009" (cf. números do Instituto Verificador de Circulação de março de 2009). Não se conhece o valor total envolvido no acordo (contrato?). O site do Sinpro-DF informa que...

"Ainda não conseguimos ter acesso ao valor total do convênio (...) mas somente do Fundeb serão gastos mais de R$ 2,9 milhões para pagar ao CB, conforme pode se ver pela nota de empenho do Governo do Distrito Federal (clique aqui para ver). Também descobrimos que há outra nota de empenho do Fundeb em favor da revista Veja, no valor de R$ 442.462,50 (clique aqui para ver)."

Os recursos do Fundeb, como se sabe, são destinados ao financiamento da educação básica (creche, pré-escola, ensino fundamental, ensino médio e educação de jovens e adultos) e sua aplicação é fiscalizada por um Conselho de Acompanhamento e Controle Social que tem como função principal acompanhar e controlar sua distribuição, transferência e aplicação no âmbito das esferas municipal, estadual e federal (ver aqui).

Notícias, dinheiro público e transparência

Em tempos de crise da mídia impressa (salvo dos jornais populares e gratuitos), colocando em risco a própria sobrevivência no mercado de alguns jornalões, mais ainda do que em época de normalidade, não seria ético e salutar que jornais como o Correio Braziliense - além de zelar pela credibilidade fazendo jornalismo de notícias e não de matérias opinativas - praticassem, para si mesmos, aquilo que corretamente têm exigido de outras esferas de poder (exceto, aparentemente, do GDF)?

Ou o critério da transparência na destinação do dinheiro público não se aplica quando beneficia a própria grande mídia?

Venício A. de Lima
Pesquisador sênior do Núcleo de Estudos sobre Mídia e Política (NEMP) da Universidade de Brasília e autor/organizador, entre outros, de A mídia nas eleições de 2006 (Editora Fundação Perseu Abramo, 2007)