quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Homenagem a Chico Mendes - suas idéias ainda influenciam as política públicas.



22/12/2008
Da Agência Brasil

Em 22 de dezembro de 1988, um tiro de espingarda matou Francisco Alves Mendes Filho, o Chico Mendes, que de líder sindical e seringueiro transformou-se em ícone da preservação da Amazônia. Vinte anos depois da morte, suas idéias ainda influenciam as políticas públicas para o desenvolvimento sustentável.

Precursor do ambientalismo brasileiro, Chico Mendes nasceu e viveu nos seringais de Xapuri, no Acre. “Ele sempre foi um menino pacífico, de natureza boa. Era sabido na leitura, muito inteligente. Tudo para ele era na calma”, lembra a tia, Cecília Mendes.

Conhecedor da floresta, Chico Mendes defendia o direito à exploração dos recursos naturais, mas sem o esgotamento. A preocupação com a sustentabilidade é uma das lembranças do primo e companheiro de resistência, Sebastião Teixeira Mendes. “Ele dizia: 'Tião, é o seguinte: eu botei na minha cabeça que a gente tem que preservar', aí saiu pelo mundo com essa história de preservar. Mas sempre voltava, não esquecia daqui”.

A luta contra a transformação da floresta em pasto para criação de gado, intensificada a partir do fim da década de 1970, deu visibilidade à luta dos seringueiros do Acre, que ganharam os jornais nacionais e internacionais com os chamados empates, ocasiões em que grupos de trabalhadores formavam barreiras humanas para impedir o trabalho das motosserras.

Cunhada do ambientalista, Deusamar Mendes lembra que os empates reuniam homens, mulheres e até crianças contra o desmatamento. “Quando se sabia que ia ter uma derrubada, um vizinho avisava o outro, marcava um lugar para todos se encontrarem. Ia todo mundo e chegava-se no local da derrubada, improvisava barracas de lona e avisava que eles teriam que parar a derrubada e sair pacificamente. Sabíamos que eram trabalhadores, mas dizíamos que aquilo não era um meio de sobrevivência; iam atrapalhar a vida de muitos outros”, relata.

À frente dos trabalhadores da floresta, Chico Mendes assumiu a secretaria do Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) de Brasiléia e em seguida fundou o STR em Xapuri. Dirigiu a Central Única dos Trabalhadores no Acre, foi vereador pelo MDB e participou da fundação do PT no estado, junto de nomes como a senadora Marina Silva e o atual governador do Acre Binho Marques.

“As questões ambientais passaram a ser debatidas dentro do movimento sindical a partir do envolvimento e da atuação direta do Chico”, disse o vice-presidente do Conselho Nacional dos Serigueiros, Júlio Barbosa. Em 1987, foi o primeiro brasileiro a receber o prêmio Global 500, da Organização das Nações Unidas (ONU).

Com os empates e a repercussão internacional da luta dos povos da floresta pela preservação da Amazônia, Chico Mendes passou a conviver com as ameças de políticos e fazendeiros da região, tanto que chegou a enviar para autoridades locais uma relação de nomes de possíveis algozes. Os nomes de Darly Alves e do filho Darci, condenados pelo assassinato, estavam na lista.

“Pistoleiros sempre ameaçavam: telefonavam, deixavam recados embaixo da porta. Um desses dizia assim: 'o seu fim está próximo, você vai ter um belo Natal'. Foi uma morte anunciada, que o Chico avisou ao mundo inteiro”, lembra Deusamar.

O fazendeiro Darly Alves e o filho Darcy foram apontados como mandante e autor, respectivamente, da morte de Chico Mendes. Em 1990, os dois foram condenados a 19 anos de prisão pela morte do seringueiro. Fugiram da prisão em Rio Branco, em fevereiro de 1993, e só foram recapturados três anos depois. Em setembro deste ano, a Justiça concedeu o direito de prisão domiciliar para Darly, que hoje tem 71 anos.

Mensagem para 2009



A natureza não vende terra,
a natureza não cobra pra dar alimentação para nós.
Esse dia lindo,
essa luz que está em cima de nós, a nossa vida,
ou seja, vem do mundo, é de graça,
é Deus nosso Pai que dá.
Agora o capeta do homem que é o capitalismo, é que vende tudo, destrói tudo,
destruindo a própria humanidade.
Capeta vem de origem capital.
É o vil metal
Faz o diabo, demônio marginal.
Por esse motivo, a humanidade vive mal.
Mal de situação,
mau de maldade,
porque o capitalismo é falsidade,
o pranto de toda a maldade,
raiz de toda a perversidade do mundo.
É o dinheiro.

O dinheiro destrói a mente da humanidade.
O dinheiro coloca a humanidade surdo.
O dinheiro destói o amor.
O dinheiro cega.
O dinheiro mata.
Todo dia você lê jornal, ouve rádio,
televisão, só vê barbaridade:
é crime, é assalto, é sequestro, é vício, nudez, devassidão, fome e guerra.
Vai ver qual é a causa:
capitalismo.

{}" amor e de paz, que foi lançada originalmente por José Datrino, o Profeta Gentileza. José Datrino foi um homem que renunciou à materialidade para se tornar o professor do amor, da compaixão e da beleza de espírito. Era ele o Profeta Gentileza.

José Datrino, chamado Profeta Gentileza (nasce em São Paulo, a 11 de abril de 1917 — e morre em São Paulo, a 29 de maio de 1996), tornou-se conhecido a partir de 1980 por fazer inscrições peculiares sob um viaduto no Rio de Janeiro, onde andava com uma túnica branca e longa barba. José Datrino teve uma infância de muito trabalho, na qual lidava diretamente com a terra e com os animais. Para ajudar a família, puxava carroça vendendo lenha nas proximidades. O campo ensinou a José Datrino a amansar burros para o transporte de carga.

No dia 17 de dezembro de 1961, na cidade de Niterói, houve um grande incêndio no circo "Gran Circus Norte-Americano", o que foi considerado uma das maiores tragédias circenses do mundo. Neste incêndio morreram mais de 500 pessoas, a maioria, crianças. José Datrino que se dedicava ao transporte de mercadorias, pegou num de seus camiões e foi para o local do incêndio. Plantou jardim e horta sobre as cinzas do circo em Niterói. Aquela foi a sua morada por quatro anos. Lá, José Datrino incutiu nas pessoas o real sentido das palavras Agradecido e Gentileza. Foi um consolador voluntário, que confortou os familiares das vítimas da tragédia com as suas palavras de bondade. Daquele dia em diante, passou a se conhecido por "José Agradecido", ou simplesmente “Profeta Gentileza”. Quatro anos passados, começou a sua jornada como personagem andarilho. A partir de 1970 percorreu toda a cidade. Era visto em ruas, praças, nas barcas da travessia entre as cidades do Rio de Janeiro e Niterói, em trens e autocarros, fazendo sua pregação e levando palavras de amor, bondade e respeito pelo próximo e pela natureza a todos que cruzassem seu caminho. Aos que o chamavam de louco, ele respondia: - "Sou maluco para te amar e louco para te salvar".

Aos poucos, torna-se um personagem reconhecidamente popular. Cria provérbios e máximas para alcançar as pessoas, ensina a gentileza e proclama os costumes em plena época do movimento hippie, do rock e da minisaia.

Gentileza jamais aceitou dinheiro das pessoas: "é mais fácil um burro criar asas e avoar do que um centavo de alguém aceitar". Ao contrário, denunciava: "cobrou é traidor - o padre está esmolando, o pastor tá pastando e o Papa tá papando, papão do capeta capital".

A pregação anti-capitalista constituiu a denúncia maior do Profeta. Às vezes foi tomado como comunista, tendo que explicar às "autoridades" o porquê das iniciais PC em seu estandarte (na época). Na ambigüidade criada, não se tratava de uma vinculação ao Partido Comunista, mas ao Pai Criador.

Todos esses aspectos contribuem para que, cada vez mais, Gentileza apareça e se destaque na sociedade da época. Gentileza era um caminhante incansável, que estendeu sua presença a vários bairros do Rio de Janeiro, às cidades da Baixada Fluminense, a Niterói e São Gonçalo.
Em fins dos anos 60, o Profeta inicia uma série de viagens que o tornarão conhecido no interior do País. Nessa época, retorna a Mirandópolis reapresentando-se como Profeta Gentileza. Em 1970, parte para o interior de Mato Grosso, rumo a Campo Grande e Aquidauna (atual MS), para pregar a gentileza. Nessa última urbe, sofreu sua primeira grande adversidade como profeta: foi detido por policiais que o conduziram à delegacia.

Nos anos 70 desponta seu culto à brasilidade, aos temas da bandeira nacional e ao herói cívico de maior expressão na história do País: Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. Sua admiração a Tiradentes levou-o várias vezes a Minas Gerais e, especificamente, a Ouro Preto, onde se abrigava em igrejas e repúblicas de estudantes. O monumento a Tiradentes na praça central da cidade era seu principal local de referência.

Foi numa dessas idas a Ouro Preto, no convívio com os estudantes que estes lhe sugeriram o uso de uma bata, que acabaria por marcar definitivamente sua figura mística. Em outros municípios, Gentileza também explicitou seu respeito por Tiradentes.

A partir de 1980, escolheu 56 pilastras do Viaduto do Caju, que vai do Cemitério do Caju até a Rodoviária Novo Rio, numa extensão de aproximadamente 1,5km, e encheu as pilastras do viaduto com inscrições em verde-amarelo propondo sua crítica do mundo e sua alternativa ao mal-estar da civilização.

Em 29 de maio de 1996, aos 79 anos, faleceu.

Com o decorrer dos anos, os murais foram danificados por pichadores, por isso mais tarde foi organizado o projeto Rio com Gentileza, com o objetivo restaurar os murais das pilastras. Começaram a ser recuperadas em Janeiro de 1999. Em Maio de 2000, a restauração das inscrições foi concluída e o património urbano carioca foi preservado.

Esta obra, agora recuperada, constitui uma cartilha com os preceitos básicos de Gentileza à população. É um Livro Urbano, onde cada pilastra é uma página e a leitura é feita à janela dos veículos que por ali passam continuamente. Assim como o episódio do circo inscreveu Gentileza na memória popular, suas viagens pelo Brasil e suas inscrições, perenizadas na entrada do Rio de Janeiro, fizeram dele um dos maiores personagens populares do Brasil. A estrutura dos seus escritos e sua grafia, uma vez vistos, tornam-se inconfundíveis

Os temas do circo, do mundo como escola (Escrito 55) e a parábola do livro e da sabedoria aparecem tratados com singeleza. A questão da gentileza é, de novo, um despertar para atitudes: vivemos nas cidades rodeados de indiferença. O que gera a violência é o anonimato no meio da multidão... Gentileza pregava o amor fraterno e propunha às pessoas que dessem atenção umas às outras e criassem intimidade, o que faz muito bem à saúde. Um Profeta é isso: alguém que ilumina as pessoas

Gentileza era um ser da comunicação. A imprensa sempre nutriu por ele um interesse, talvez por cauda da sua inventividade, do seu caráter exótico e "tropicalista". Mas a sua própria máxima, gentileza gera gentileza, já começa a ser utilizada em campanhas publicitárias que encobrem fins comerciais.

Impõe-se assim explicitar, criticamente, um modo de apropriação do proclame da gentileza, onde esta se revela muito mais como uma proposição de natureza ética do que uma marca.

O tema central da mensagem do Profeta é a oposição que se estabelece entre a gentileza e o capital. Enganamo-nos, então, se vemos na gentileza uma mera oposição à violência. Esta visão é ainda uma leitura de superfície, tanto dos fatos, quando da sua simbólica. Para o Profeta, a violência, assim como outros males da sociedade se produzem a partir do vil metal.

Dos 56 escritos do viaduto do Caju, quase a metade destes descrevem os ensinamentos da gentileza e das suas virtudes, pontuando alguns outros temas da sua pregação; em cerca de 30 pilastras, aparece com toda a ênfase, a sua denúncia profética do capitalismo, "que vende e destrói tudo", "que cega a humanidade... e leva para o abismo".

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Movimento fora Noroeste!!!

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Fórum Social Mundial




Excursão para o Forum Social Mundial em Belém do Pará ! Ultimas vagas para o fechamento do pacote.

Saida dia 24/01/2009 de Brasilia direto para o acampamento Intercontinental da Juventude / Retorno 02/02/2009.

Organização : Rebele-se / Alunos da UnB

Contato : Bruno Leandro 8118-2562 brunocovil@hotmail.com

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

...

Por um natal ecológico e não compulsivamente consumista



Boicotar o Natal é resistir ao marketing, à propaganda insidiosa e à manipulação dos sentimentos humanos para efeitos comerciais e religiosos.

PORQUÊ?

Devíamos começar por tentar compreender a origem dos produtos que compramos todos os dias: sapatos, roupas, jogos, CD’s, consolas, telemóveis, e mesmo comida. A grande maioria destes produtos, se não mesmo todos, são produzidos por grandes Multinacionais que directa ou indirectamente (recurso a "subempreiteiros") corrompem governos e exploram países do terceiro mundo.

Sob uma máscara de auxílio a estes Países, acabam por torná-los ainda mais pobres, tanto a nível de recursos naturais, como em capacidade de gerar a sua própria riqueza. Resultante do total desrespeito pelo equilíbrio do Planeta Terra e pelos Direitos Humanos obtêm uma força de trabalho facilmente substituível e disposta a sofrer todo o tipo de abusos. Estão destinados a fazerem-nos “felizes” até ao final dos seus breves dias.

Enquanto nos preocupamos com a marca deste ou daquele tipo de produto e o que é que vão dizer os nossos amigos por o usarmos, há, de facto, pessoas a morrer para nos darem essa hipótese de escolha. Serão mesmo necessários todos esses produtos que compramos?

Toda a máquina publicitária tem em vista seduzir-nos a consumir, consumir e consumir, levando-nos às vezes à ruína pessoal e familiar, fazendo-nos crer que seremos mais felizes, bonitos, “fixes”, se possuirmos determinado objecto. O telemóvel que era ontem o melhor do mundo é hoje obsoleto, e os sapatos que eram da moda estão hoje completamente “out of fashion“. O ritmo da moda e da tecnologia incentiva-nos assim a rejeitar produtos que acabámos de comprar.

Estamos a gastar os recursos cada vez mais escassos do nosso planeta a fabricar bens descartáveis, cujo destino final será encher aterros sanitários de resíduos e poluir rios e florestas. Quantos papéis e plásticos envolvem os brinquedos que vamos oferecer este ano como presente de Natal?

Aproveite esta época para reflectir e ponderar sobre os seus hábitos e as suas verdadeiras necessidades. Quando fizer as suas compras de Natal, tente comprar prendas o mais ecológicas e justas possíveis. Também pode optar por fazer você mesmo as suas prendas! Os seus amigos/familiares receberão assim algo mais pessoal. Neste Natal, pense no Natal do planeta Terra! Não o “consumas”!


Quando no Natal, num Aniversário, ou simplesmente quando nos apetecer, quisermos oferecer uma prenda a um amigo, devemos ter em mente que não temos necessariamente que comprar um presente. Há imensas coisas que podemos ser nós mesmos a fazer. E como nos dedicamos na construção da prenda (tempo, precisão) esta terá mais valor, tanto para nós, como para quem recebe.

Para fazermos alguns destes presentes temos que comprar os materiais, mas outros são fáceis de encontrarmos na Natureza, ou são coisas que já não usamos, ou que vamos deitar fora.

Podemos pensar numa espécie de esquema de graduação de impacto ecológico no acto de oferecer uma prenda. Primeiro devemos tentar oferecer algo feito por nós de raiz. Depois tentar oferecer algo feito por nós comprando apenas a matéria-prima. Se mesmo assim, tivermos dificuldade com prendas para certas pessoas, podemos comprar prendas mais ecológicas e éticas, como por exemplo prendas que incentivem um consumo mais ecológico como sacos de pano, sacos para o pão, ou prendas em lojas do comércio justo, vendas de natal, lojas de artesanato local, lojas de segunda mão (ver secção alternativas)... E quando comprarmos devemos ter o cuidado de pensar na utilidade da prenda, de comprar algo que a pessoa necessite.


O que podemos fazer... ver aqui

O que oferecer… ver aqui

18 dicas para um Natal melhor… ver aqui

Alternativas… ver aqui


http://gaia.org.pt/econatal/

Consultar ainda:
http://www.buynothingchristmas.org/
http://simpleliving.org/

10 sugestões para um Natal mais simples ... ver aqui

Para ler sobre o assunto:
Bill McKibben, Hundred Dollar Holiday (Simon & Shuster, 1998).

Sallie McFague, Life Abundant: Rethinking Theology and Economy for a Planet in Peril (Fortress, 2001). .

Herman E. Daly and John B. Cobb, Jr. in For the Common Good: Redirecting the Economy Toward Community, the Environment, and a Sustainable Future (Beacon Press, 1994).

Doris Janzen Longacre, Living More With Less (Herald Press, 1980).

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

VEJAM COMO A LUTA É DESIGUAL!!! TOMBOU A PRINCIPAL LIDERANÇA QUILOMBOLA DO RECÔNCAVO BAIANO

Sr. Altino da Cruz faleceu dia 18 de dezembro, pela manhã, aos 60 anos de idade,
enquanto trabalhava na sua roça. Ele não resistiu à notícia de que o juiz Fábio Rogério França, da 11ª vara da justiça federal, concedeu uma liminar de reintegração de posse solicitada pela fazendeira Rita de Cassia Salgado de Santana exigindo que este retire a roça que cultiva a mais de 40 anos e foi herdada de seus pais. Utilizando-se de má fé, a fazendeira levou o juiz a concluir que trata-se de uma ocupação recente quando é notória pela comunidade e pelos dados apresentados nos autos que trata-se de uma comunidade tradicional.

Na segunda e terça feira desta semana, o Sr. Altino da Cruz, acompanhado de outros membros da comunidade quilombola, esteve fazendo uma romaria por diversos órgãos públicos denunciando a situação e exigindo providências. Na segunda feira os representantes da comunidade estiveram no INCRA, na SEPROMI e no IBAMA. Na terça, voltaram ao INCRA e estiveram na Polícia Federal, entidade encarregada de cumprir a
reintegração de posse. Na quarta feira Altino voltou pra casa visivelmente abatido e inconformado com a ameaça de sair da roça que herdou dos pais e na qual trabalha por mais de 40 anos.

Pela manhã, enquanto trabalhava em sua roça, Sr. Altino da Cruz deu um forte grito e tombou no chão. Foi Levado em um carro de mão por seus companheiros até o posto de saúde da vila de São Francisco do Paraguaçu e já chegou morto.

QUEM MATOU ALTINO DA CRUZ?

A comunidade de São Francisco do Paraguaçu é um grande símbolo da resistência do povo quilombola no Brasil. Historicamente explorada por grandes fazendeiros do Recôncavo Baiano, especialmente pela família Santana, tem sido vítima dos mais violentos ataques desde que foi reconhecida como comunidade remanescente de quilombo.

As agressões são originadas também pela família Diniz que recentemente implantou uma RPPN dentro do território da comunidade Remanescente de Quilombo. Esta família tem usado a RPPN para captar recursos de órgãos estaduais e federais e tem sido alvo de investigação sobre irregularidades, o que levou a suspensão de projetos em andamento e impediu a liberação de mais recursos.

Assim, as agressões e ataques foram concentrados sobre Sr. Altino da Cruz, a principal liderança da comunidade remanescente de quilombo. A comunidade foi vítima de várias ações de pistolagem e violência policial como constatado em relatório oficial do Polà­cia Federal. Policiais armados invadiram a casa de Sr Altino da Cruz causando constrangimento e indignação a toda comunidade. A aliança entre os Santana e os Diniz, em conjunto com interesses ruralistas nacionais, articulou uma reportagem produzida pela Rede Globo de televisão que foi provada ser fraudulenta através de sindicâncias de órgãos oficiais como IBAMA, INCRA e Fundação Cultura Palmares. Desde então, a luta da comunidade Remanescente de Quilombo Sà£o Francisco do Paraguaçu evidenciou-se como um símbolo da luta quilombola no Brasil e a
comunidade tem sido alvo de freqüentes processos judiciais. A atual estratégia adotada pelos fazendeiros é impetrar sucessivas ações individuais de reintegração de posse para confundir o judiciário.

O que o Movimento dos Pescadores e Quilombolas do Recôncavo tem a dizer para Elba Diniz, Lu Cachoeira e sua família Santana que a morte de Sr.Altino da Cruz não trará desânimo para a luta do povo quilombola. Pelo contrário, fecundará a terra onde nascerão muitas flores para embelezar a grande mesa no dia da festa da titulação no nosso território.

Carlos Eduardo Marques - Professor da Faculdade de Ciências Jurídicas da FEVALE/UEMG
Membro do Grupo de Trabalho sobre Regularização de Territórios Quilombolas de Minas Gerais (GT RTQ-MG)
Membro do Núcleo de Estudos em Populações Quilombolas e Tradicionais da UFMG (NUQ/UFMG)
Membro do Grupo de Trabalho Quilombos da Associação Brasileira de Antropologia (GT Quilombos/ABA)

Caos hídrico!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Ratos se reunem na madrugada de sábado e aprovam PDOT !



Na madrugada de sábado dia 14 deste mês as quatro horas da matina os deputados distritais se reuniram e aprovaram projeto sobre PDOT no DF.
Enquanto a população dormia os ratos agiam.
Será que os ratos temiam a pressão popular?
Agora o capital da especulação imobiliária vence! A qualidade de vida perde!
População do DF vamos nos unir e exterminar estes ratos que saqueiam nossas riquezas!
Chega de impunidade a bandidos!

A Internacional - Garotos Podres

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Manifesto Ecossocialista Internacional



Michael Löwy

Renan Veja

Isabel Loureiros e outros

O século XXI se inicia com uma nota catastrófica, com um grau sem precedentes de desastres ecológicos e uma ordem mundial caótica, cercada por terror e focos de guerras localizadas e desintegradoras, que se espalham como uma gangrena pelos grandes troncos do planeta – África Central, Oriente Médio, América do Sul e do Norte -, ecoando por todas as nações.

Na nossa visão, as crises ecológicas e o colapso social estão profundamente relacionados e deveriam ser vistos como manifestos diferentes das mesmas forças estruturais. As primeiras derivam, de uma maneira geral, da industrialização massiva, que ultrapassou a capacidade da Terra absorver e conter a instabilidade ecológica. O segundo deriva da forma de imperialismo conhecida como globalização, com seus efeitos desintegradores sobre as sociedades que se colocam em seu caminho. Ainda, essas forças subjacentes são essencialmente diferentes aspectos do mesmo movimento, devendo ser identificadas como a dinâmica central que move o todo: a expansão do sistema capitalista mundial.

Rejeitamos todo tipo de eufemismos ou propaganda que suavizem a brutalidade do sistema: todo mascaramento de seus custos ecológicos, toda mistificação dos custos humanos sob os nomes de democracia e direitos humanos. Ao contrário, insistimos em enxergar o capital a partir daquilo que ele realmente fez.

Agindo sobre a natureza e seu equilíbrio ecológico, o sistema, com seu imperativo de expansão constante da lucratividade, expõe ecossistemas a poluentes desestabilizadores, fragmenta habitats que evoluíram milhões de anos de modo a permitir o surgimento de organismos, dilapida recursos, e reduz a vitalidade sensual da natureza às frias trocas necessárias à acumulação de capital.

Do lado da humanidade, com suas exigências de autodeterminação, comunidade e existência plena de sentido, o capital reduz a maioria das pessoas do mundo a mero reservatório de mão-de-obra, ao mesmo tempo em que descarta os considerados inúteis. O capital invadiu e minou a integridade das comunidades por meio de uma cultura de massas global de consumismo e despolitização. Ele expandiu as disparidades de riqueza e de poder em níveis sem precedentes na história. Trabalhou lado a lado com uma rede de Estados corruptos e subservientes, cujas elites locais, poupando o centro, executam o trabalho de repressão. O capital também colocou em funcionamento, sob a supervisão das potências ocidentais e da superpotência norte-americana, uma rede de organizações trans-estatais destinada a minar a autonomia da periferia, atando-a às suas dívidas enquanto mantém um enorme aparato militar que força a obediência ao centro capitalista.

Nós entendemos que o atual sistema capitalista não pode regular, muito menos superar, as crises que deflagrou. Ele não pode resolver a crise ecológica porque fazê-lo implica em colocar limites ao processo de acumulação – uma opção inaceitável para um sistema baseado na regra “cresça ou morra!”. Tampouco ele pode resolver a crise posta pelo terror ou outras formas de rebelião violenta, porque fazê-lo significaria abandonar a lógica do império, impondo limites inaceitáveis ao crescimento e ao “estilo de vida” sustentado pelo império. Sua única opção e recorrer à força bruta, incrementando a alienação e semeando mais terrorismo e contraterrorismo, gerando assim uma nova variante de fascismo.

Em suma, o sistema capitalista mundial está historicamente falido. Tornou-se um império incapaz de se adaptar, cujo gigantismo expõe sua fraqueza subjacente. O sistema capitalista mundial é, na linguagem da ecologia, profundamente insustentável e, para que haja futuro, deve ser fundamentalmente transformado ou substituído.

É dessa forma que retornamos à dura escolha apresentada por Rosa Luxemburgo: “Socialismo ou Barbárie!”, em que a face da última está impressa neste século que se inicia na forma de catástrofe, terror e contraterror e sua degeneração fascista.

Mas por que socialismo, por que esta palavra aparentemente consignada ao lixo da história pelos equívocos de suas interpretações no século XX? Por uma única ração: embora castigada e não realizada, a noção de socialismo ainda permanece atual para a superação do capital. Se o capital deve ser superado, uma tarefa dada como urgente considerando a própria sobrevivência da civilização, o resultado será necessariamente “socialista”, pois esse é o termo que designa a passagem a uma sociedade pós-capitalista. Se dizemos que o capital é radicalmente insustentável e se degenera em barbárie, delineada acima, então estamos também dizendo que precisamos construir um “socialismo” capaz de superar as crises que o capital iniciou. E se os “socialismos” do passado falharam nisso, é nosso dever, se escolhemos um fim outro que não a barbárie, lutar por um socialismo que triunfe. Da mesma forma que a barbárie mudou desde os tempos em que Rosa Luxemburgo enunciou sua profética alternativa, também o nome e a realidade do “socialismo” devem ser adequados aos tempos atuais.

É por essas razões que escolhemos nomear nossa interpretação de “socialismo” como um ecossocialismo, e nos dedicar à sua realização.

domingo, 7 de dezembro de 2008

E$TÁD(I)0 BURGUE$ NO DF

Na cidade satélite do Gama foi gasto 55.000.000,00 de reais em reforma de estádio.
Segundo dados do IBGE a satélite possui renda per capita mensal de 1,6 salários mínimos. Para ser ver a diferença Brasília possui renda per capita mensal de 7,0 salários mínimos.
Foram realizados depois da obra 2 jogos e o ingresso mais barato ficou sendo 50 reais à meia entrada (atrás do gol). Preços bem distantes da realidade local. Mais um elefante branco na capital do Brasil.
Somente no último jogo foram arrecadados mais de 2.000.000,00. Mas quem saiu ganahando os moradores do Gama que poderiam ter 55 milhões investidos em hospitais, escolas, saneamento,... ou as empreteiras e a grande rede hoteleiras que viram seu capitais aumentarem ainda mais.
Será que este e$tád(i)o visa o bem social?

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Irmãos do mundo! Vamos nos unir!

Indians Fight to Save Brazil's Bananal



In 1960, Brazilian President Juscelino Kubitschek fulfilled his dream of building an ultramodern city from scratch at breakneck speed. "Fifty years in five," was his ambitious campaign slogan, and Brasília was built in just half a decade. But among the many things the planners of Brazil's new capital failed to consider was that the land was already occupied territory. The area's indigenous peoples seemed not to figure into the blueprints of the shiny new city.
Now, Brasília's booming real estate industry and its allies in the local government are scheming to takeover the Bananal, a former ranch-turned-sanctuary for members of the Kariri-Xocó, Guajajara, Tuxá, and Fulni-ô indigenous nations living in the city's periphery. Real estate speculators want to pave over the Bananal and build a luxurious development complex to accommodate some 60,000 of Brasília's richest residents on 20 freshly constructed city blocks. Each home is expected to cost around 1.5 million dollars.

Financial speculation in the Brazilian stock market has created a newly wealthy class eager for new high-end digs. The city's designers predicted the Brasília would have 500,000 residents by the year 2000; today, 2.5 million people call the city home. The potential real estate development would continue Brasília's sprawling push into the surrounding cerrado, a fragile high-plains ecosystem that The Nature Conservancy calls "the world's most biologically rich savannah." http://www.nature.org/wherewework/southamerica/brazil/work/art5082.html

With some 220 multi-million-dollar homes in the balance, the Bananal is a potential gold mine in the eyes of developers and the local government. But for the Indians who live in the Bananal, and for the eco-activists who have assumed the fight as their own, there is nothing potential about the wealth of the land. For the indigenous locals, the Bananal's trees, rivers, and crops represent all the development they need. All they want is a land title granting them formal ownership of a swath of old ranchland they have inhabited for the last four decades.

Although the Bananal only has some 30 year-round residents, indigenous groups consider the place a spiritual sanctuary. For six months out of the year, more than 100 Indian pilgrims travel to the cerrado for religious ceremonies in the Bananal's so-called Sacred Sanctuary of the Shamans, according to SantuariodosPajes.org, a website dedicated to preserving the Bananal. The community cultivates subsistence crops, practices craftwork, and maintains spiritual and medicinal traditions passed on by elders.

"The Bananal resistance is very symbolic," says Rafael Moreira of the Cultural Association of Indigenous People, a Brasília-based group marching arm in arm with the indigenous in their struggle for demarcation and autonomy. "It represents a safe place to different Indians who come to the capital in order to fight for their rights, to rest a little, to manifest their religions, their languages… and to organize politically. That's what the government doesn't want, organized Indians so close by."

Moreira sees the push to develop the Bananal as a continuation of more than five centuries of displacement and extermination forced on America's indigenous cultures. In place of Iberian conquistadors, indigenous peoples now face an alphabet soup of powerful corporations and government agencies—TERRACAP, ADEMI, GDF, IBAMA. If these groups get their way, the Northwest Sector Project, as the real estate development is called, will go from the design phase to implementation.

One of the people behind the project is Paulo Octávio, a real estate mogul and Vice-Governor of the Brasília Federal District. In addition to an ascendant political career, Octávio is also the head of the multi-billion dollar PaulOOctavio Investment Group, one of the Northwest Sector's loudest proponents. Octavio's company recently named a São Paulo housing development "Residencial Alírio Neto," in deference to the president of Brasília's legislative chamber, a figure key to the success of the Northwest Sector.

In addition to the land speculators, the people of the Bananal are also up against a hostile government. Moreira accuses the government's indigenous affairs agency (FUNAI) of sitting on its hands. "The President of FUNAI, Márcio Meira, recently went to the Bananal, promising that the Indians would not be forced by police to leave their homes, and that FUNAI would struggle with them for their rights," says Moreira. "But nothing has been done."

On October 22, despite Meira's promise, some 20 representatives of Brasília's state-owned real estate company, TERRACAP, flanked by military police, stormed into the Bananal, destroying crops and the hut of a local family. And the local media has compliantly ridiculed the Bananal struggle and demonized them as "invaders."

According to a statement published by SantuariodosPajes.org, "The Governor of Brasília himself called the Indians 'a joke' and 'freaks', when affirming that he was unaware of the indigenous presence in the cerrado of Brasília."

Those defending the Bananal claim to have the law on their side. For one, the Brazilian Constitution clearly states, "Indians shall have their social organization, customs, languages, creeds, and traditions recognized, as well as their native rights to the lands they traditionally occupy, it being incumbent upon the Republic to demarcate them and protect and ensure respect for all their property."

"The Bananal lands," says Moreira, "are only twenty minutes from FUNAI, ten from the Congress, and five from the University of Brasília. How can the politicians speak in favor of the Indians and for the protection of the environment if they don't do these things in their own backyard?"

Brazil is also a signatory to the UN Declaration on the Rights of Indigenous People, which the government ratified in September 2007. Moreira claims that part of the government's intransigence on the Bananal dispute stems from its worry that a victory there could pave the way for other indigenous groups with similar claims.

Environmentalists note that Brazil's ascent as regional superpower is rooted in the despoiling of the Amazon, but the lesser-known cerrado, another of South America's most important bioregions, has been subjected to similar degradation, with an estimated 80 percent already destroyed, according to Conservation International. http://www.biodiversityhotspots.org/xp/hotspots/cerrado/


The cerrado covers 21 percent of Brazil's massive national territory and it includes the headwaters of three of South America's largest river systems—the Amazon, São Francisco, and Paraná rivers. Moreira says, "The Águas Emendadas spring, located in Brasília DF, is the cradle of water that runs from the north to the south of the country."

"Only if they kill us all they will they be able to implement this horrible 'ecological' landscape," Moreira finished, alluding to the "green" vision developers are gloating about. "The Northwest Sector Project happens in all countries. It's all the same thing: destruction and human greed. International help is necessary."

By Simón Farabundo Ríos